Leonardo Ceschini foi condenado pelo Tribunal do Júri em São Paulo pelo assassinato de Érica Ceschini, ocorrido em 2021. Crime aconteceu na frente dos filhos gêmeos do casal; réu saiu preso do fórum.
O empresário Leonardo Souza Ceschini, de 39 anos, foi condenado a 13 anos e 24 dias de prisão em regime fechado pelo assassinato da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, de 34 anos. A decisão foi anunciada na noite de segunda-feira (21), pelo Tribunal do Júri, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.
O caso ganhou repercussão nacional porque, segundo as informações do processo, o crime ocorreu após uma discussão relacionada ao futebol. Leonardo torcia pelo Corinthians, enquanto Érica era palmeirense.
A representante comercial foi morta com oito golpes de faca em 31 de janeiro de 2021, na residência do casal, na Zona Norte da capital paulista. Os filhos gêmeos, que tinham cerca de dois anos na época, estavam no apartamento e presenciaram o assassinato, conforme laudo psicológico mencionado no processo.

Tribunal do Júri reconheceu feminicídio e meio cruel
Durante o julgamento, os jurados reconheceram a autoria e a materialidade do crime, além das qualificadoras de feminicídio e meio cruel.
O Conselho de Sentença também reconheceu o aumento de pena pelo fato de o homicídio ter sido cometido na presença física dos filhos da vítima.
Leonardo respondia ao processo em liberdade, mas foi preso por policiais logo após a leitura da sentença. Ele foi algemado e encaminhado a um presídio para iniciar o cumprimento da pena.
A defesa do empresário, representada pelo advogado Mário Sérgio de Oliveira, informou que pretende recorrer da condenação.
Discussão após final da Libertadores
O assassinato aconteceu um dia após a final da Copa Libertadores de 2020, disputada em 30 de janeiro de 2021. Na ocasião, o Palmeiras venceu o Santos por 1 a 0, no Rio de Janeiro, e conquistou o título.
Segundo o relato apresentado à polícia, Leonardo afirmou que o casal tinha desavenças relacionadas à diferença entre os times para os quais torciam.
Inicialmente, ele apresentou uma versão de que Érica o teria atacado com uma faca e cometido suicídio. Posteriormente, confessou o assassinato.
De acordo com o laudo pericial, Érica sofreu oito golpes: três no peito, quatro nas costas e um em uma das pernas.
Vizinhos acionaram a Polícia Militar após ouvirem gritos vindos do apartamento, localizado no bairro São Domingos, na Zona Norte de São Paulo.
Quando os policiais chegaram, encontraram Érica morta no chão da cozinha. Leonardo também apresentava ferimentos.
Ministério Público apontou motivo fútil
Na denúncia, o Ministério Público sustentou que o crime foi motivado por uma discussão familiar relacionada à rivalidade entre os times de futebol.
A acusação também apontou o emprego de meio cruel, considerando a quantidade de golpes de faca desferidos contra a vítima.
Leonardo foi preso em flagrante após o crime, mas acabou colocado em liberdade em fevereiro de 2021, por decisão judicial. A defesa alegou demora na manifestação do Ministério Público.
Em julho daquele ano, o MP apresentou denúncia pelo assassinato, que foi aceita pela Justiça. Em fevereiro de 2024, foi determinada a realização do julgamento pelo Tribunal do Júri.
Irmã de Érica falou sobre desejo de justiça
Durante a repercussão do julgamento, Aline Oliveira, irmã de Érica, falou sobre a expectativa da família por justiça e lembrou o impacto da violência contra as mulheres.
“Como irmã, como mulher, como mãe, como tia, eu desejo que de alguma forma o júri sinta a nossa dor e tenha esse mesmo desejo de justiça em prol da Érica, em prol de várias mulheres que são caladas pela violência”, declarou.
Os filhos gêmeos do casal estão sob a guarda da avó materna.
Segundo Aline, a família enfrenta diariamente os efeitos da perda da mãe na vida das crianças e busca oferecer apoio para lidar com a ausência.
Filhos ficaram sob os cuidados da avó materna
Após o assassinato, os filhos de Érica passaram a viver com a avó materna, que detém a guarda das crianças.
A irmã da vítima relatou que a família tenta amenizar a tristeza dos meninos, que perderam a mãe ainda na primeira infância.
O caso voltou a ganhar destaque com a condenação de Leonardo, mais de cinco anos após o crime.













