A colombiana Martha Sepúlveda esperava acordar na manhã deste domingo (10) pela última vez. Isso porque ela seria a primeira de seu país a ser autorizada a passar pelo processo de eutanásia sem possuir quadro terminal.

No entanto, uma resolução do fim do sábado (9) fez com que o procedimento fosse cancelado.

Por meio de nota, o Instituto Colombiano da Dor (Indocol) – onde Sepúlveda se encontrava internada para passar pela eutanásia –  afirmou que o seu comitê interdisciplinar para o direito de morrer com dignidade pela eutanásia realizou uma reunião na na sexta-feira (8), seguindo resoluções do Ministério da Saúde colombiano, para revisar o caso de Martha Sepúlveda.

A conclusão final foi diferente da que havia sido concedida anteriormente: “Ao analisar a atualização do estado de saúde e da evolução da paciente, definiu-se que ela não cumpre com o critério de terminalidade como se havia considerado no primeiro comitê”, diz o informe do Indocol.

“Foi realizada uma revisão e uma nova análise na solicitação da senhora Martha Liria Sepúlveda, e, após decisão unânime, o procedimento de morrer com dignidade através da eutanásia programado para o dia 10 de outubro foi cancelado”, afirma a nota.

O filho de Martha, Federico Redondo Sepúlveda, que acompanharia a mãe em seus momentos finais, afirmou em entrevista à W Rádio Colômbia que a decisão foi arbitrária e ilegal. Ele também compartilhou sua insatisfação com a mudança repentina nas redes sociais.

“Nenhum médico do Comitê avaliou minha mãe. Revisaram o procedimento porque viram a notícia na televisão? Nós não solicitamos essa segunda chance e deve ser o paciente a pedi-la”, afirmou em entrevista. “Fizeram tudo escondido, nunca disseram que iriam se reunir”.

Entenda o caso de Martha

Martha Sepúlveda sofre de esclerose lateral amiotrófica, mais conhecida como ELA, doença degenerativa que afeta o sistema nervoso e causa paralisia progressiva e irreversível.

Atualmente, não existe cura para a ELA, apenas tratamento com medicamentos e fisioterapia para atrasar a perda motora gradual, e manter a independência do paciente em tarefas cotidianas por mais tempo.

Sepúvelda conquistou a autorização para passar pelo procedimento de morte assistida devido a uma mudança na lei, aprovada em julho pela Corte Constitucional, maior instância do judiciário na Colômbia, que passou a permitir a eutanásia para pessoas com quadros que não são terminais – desde que o paciente “passe por sofrimento físico ou mental intenso, tenha lesão corporal grave ou doença incurável”.

Antes dessa alteração, a eutanásia já era permitida no país – que foi o primeiro da América Latina a legalizar o procedimento –, mas era restrita a pacientes em quadros terminais e irreversíveis.

Martha entrou com o pedido apenas dois dias depois da mudança na lei e, pouco tempo depois, já pôde marcar o procedimento. A mulher disse, em entrevista à rede televisiva Caracol, estar “mais tranquila” após ter a eutanásia autorizada. “As pessoas me dizem: ‘por que não luta mais?’, e eu respondo: ‘estou literalmente sem forças, luto para descansar’”, declarou.

Via | CNNBrasil
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