Caso Henry Borel tem desfecho após 5 anos: Jairinho é condenado a mais de 43 anos e decisão sobre Monique gera debate



Julgamento histórico terminou após 10 dias de sessão e provocou forte repercussão em todo o Brasil

Após mais de cinco anos de investigações, recursos judiciais e intensa comoção nacional, o caso Henry Borel chegou a um desfecho marcante nesta quinta-feira (4). O ex-vereador Dr. Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.

A decisão foi proferida pelo 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro após um julgamento que durou dez dias e entrou para a história recente do Judiciário fluminense pela sua duração e repercussão.

Já Monique Medeiros, mãe de Henry, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada pelos jurados. O Conselho de Sentença entendeu que ela não teve intenção de matar o filho, mas agiu com negligência. Por isso, foi responsabilizada por homicídio culposo e por omissão diante das agressões sofridas pela criança.

Jairinho recebe pena superior a 43 anos

Na sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro destacou a gravidade dos crimes e afirmou que Jairinho demonstrou uma personalidade marcada pela dissimulação e pela capacidade de enganar pessoas ao seu redor.

A pena foi dividida da seguinte forma:

  • 35 anos, 6 meses e 20 dias por homicídio duplamente qualificado;
  • 6 anos e 3 meses pelo crime de tortura;
  • 2 anos por coação no curso do processo.

Além da condenação criminal, Jairinho também deverá pagar R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel.

Monique recebe perdão judicial

Um dos pontos que mais chamou atenção no julgamento foi a situação de Monique Medeiros.

Embora tenha sido considerada culpada por homicídio culposo, a juíza concedeu perdão judicial, instituto previsto na legislação brasileira que permite extinguir a punição quando as consequências do crime já atingiram de forma extremamente severa a própria condenada.

Na decisão, a magistrada afirmou que Monique enfrentou, ao longo dos últimos cinco anos, uma exposição pública intensa e uma cobrança social considerada desproporcional.

Segundo a juíza, houve ainda um julgamento influenciado por expectativas culturais relacionadas ao papel da maternidade.

A condenação de 1 ano e 4 meses por omissão em relação à tortura foi considerada integralmente cumprida devido ao período em que Monique permaneceu presa durante o andamento do processo.

Ministério Público vai recorrer

O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que recorrerá da decisão envolvendo Monique. Promotores alegam que houve influência indevida durante a formulação dos quesitos apresentados aos jurados.

A defesa de Jairinho também pretende recorrer para tentar anular o julgamento.

Com isso, apesar do resultado anunciado nesta madrugada, o caso ainda poderá ter novos capítulos nos tribunais.

Relembre o caso Henry Borel

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos de idade.

Na ocasião, Jairinho e Monique levaram a criança ao Hospital Barra D’Or afirmando que ela havia sofrido uma queda dentro de casa. No entanto, exames periciais apontaram múltiplas lesões e descartaram a hipótese de acidente doméstico.

O laudo de necropsia concluiu que a morte foi causada por hemorragia interna e ruptura do fígado provocadas por ação violenta.

As investigações apontaram que Henry foi vítima de agressões e que Jairinho seria o responsável pelos ataques.

A repercussão do caso levou à criação da Lei Henry Borel, sancionada em 2022, que fortaleceu mecanismos de proteção a crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.

Caso que marcou o Brasil

Desde a morte de Henry, o processo mobilizou a opinião pública, gerou debates sobre proteção infantil e se tornou um dos casos criminais mais acompanhados do país.

Agora, com a condenação de Jairinho e a decisão envolvendo Monique Medeiros, o julgamento volta a ocupar o centro das discussões jurídicas e sociais em todo o Brasil.

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