Operação Arena cumpre 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados; Justiça autorizou apreensão de bens e valores de até R$ 1 bilhão
A Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, deflagrou a Operação Arena, que investiga um grupo empresarial suspeito de envolvimento em crimes como sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionados à exploração de apostas de quota fixa e jogos de azar.
Ao todo, estão sendo cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em 14 locais, nos estados da Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
A Justiça também autorizou a apreensão de bens e valores de até aproximadamente R$ 1 bilhão, quantia relacionada às estimativas dos valores que podem estar envolvidos nas irregularidades investigadas.
Bets estariam no centro do esquema investigado
Segundo a investigação, o grupo teria criado uma complexa estrutura formada por empresas no Brasil e no exterior para dar aparência de legalidade às operações relacionadas às apostas.
Os investigadores identificaram indícios de que, embora algumas empresas fossem apresentadas como sediadas fora do país, a gestão operacional, administrativa e as decisões relacionadas aos negócios ocorreriam, em tese, no Brasil.
Empresas constituídas no exterior também teriam sido utilizadas para justificar grandes transferências internacionais de dinheiro, apesar de os elementos reunidos até o momento indicarem que essas companhias não apresentariam atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.
Dinheiro teria passado por diferentes estruturas financeiras
A investigação aponta ainda para a utilização de mecanismos considerados sofisticados para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
Entre as estruturas analisadas estão:
- empresas nacionais e estrangeiras;
- instituições de pagamento;
- operações de câmbio;
- ativos digitais;
- transferências internacionais;
- estruturas empresariais complexas.
De acordo com os investigadores, essas operações poderiam ter sido utilizadas para ocultar a origem dos recursos, dificultar a identificação dos beneficiários finais e reduzir irregularmente a tributação.
Também foram identificados possíveis indícios de omissão de rendimentos e planejamento tributário abusivo.
Investigação começou a contar com a Receita Federal em 2025
A Receita Federal passou a integrar as investigações em 2025, realizando análises voltadas à identificação de possíveis fraudes estruturadas, evasão de divisas e esquemas de lavagem de dinheiro.
Nesta quarta-feira, a operação mobilizou 40 auditores-fiscais e analistas-tributários, que participam da coleta de documentos e outros elementos que poderão subsidiar novas medidas fiscais e judiciais.
O material apreendido será analisado pelos órgãos responsáveis. A partir das informações encontradas, poderão ser realizados novos procedimentos, inclusive para constituição de créditos tributários eventualmente devidos.
Regulamentação das bets
A exploração de apostas de quota fixa passou por um processo de regulamentação no Brasil nos últimos anos. A investigação, porém, aponta que empresas relacionadas ao setor já atuavam anteriormente e que, em alguns casos, poderiam ter sido utilizados mecanismos para ocultar operações, receitas e os verdadeiros beneficiários dos negócios.
É importante destacar que os fatos ainda estão sob investigação. Os envolvidos serão submetidos aos procedimentos legais e caberá à Justiça analisar as responsabilidades individuais a partir das provas reunidas.
Operação Arena chama atenção pelo valor investigado
Com autorização para apreensão de até R$ 1 bilhão em bens e valores, a Operação Arena coloca novamente sob os holofotes a movimentação financeira envolvendo o mercado de apostas e a utilização de estruturas empresariais nacionais e internacionais.
As informações obtidas durante a operação poderão revelar a dimensão das movimentações financeiras e esclarecer se houve efetivamente sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
O caso segue em investigação.











