Avô descobre autismo aos 55 anos após diagnóstico do neto e relato emociona: “Foi libertador”



Diagnóstico de menino de 6 anos levou família a identificar sinais de TEA em três gerações e mudou a vida de aposentado que passou décadas sem respostas

Uma descoberta que começou com a investigação do comportamento de uma criança acabou transformando a vida de toda uma família. Em Rio Branco, no Acre, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) de um menino de apenas 6 anos levou o avô, de 55 anos na época, a descobrir que também é autista.

A história de Ramiro Mendes, hoje com 58 anos, e do neto Rurik Heitor Chaves tem emocionado milhares de pessoas nas redes sociais por mostrar como o autismo pode permanecer sem diagnóstico durante décadas e como a identificação tardia pode trazer respostas para uma vida inteira.

Sinais apareceram durante investigação do neto

Os primeiros indícios surgiram quando a neuropsicóloga Helenara Chaves percebeu que seu filho, Rurik, apresentava comportamentos diferentes dos observados em outras crianças da mesma idade.

Desde os primeiros meses de vida, o menino demonstrava interesse incomum por letras e formas geométricas, além de apresentar movimentos repetitivos e desconforto em ambientes com muitas pessoas.

Mesmo com desenvolvimento avançado em algumas áreas, especialmente na linguagem, havia dificuldades de interação social. Diante dos sinais, a família buscou acompanhamento especializado e iniciou intervenções antes mesmo da confirmação do diagnóstico.

O laudo confirmou o TEA nível 1 quando Rurik tinha apenas 1 ano e 8 meses.

Comparações com o neto despertaram suspeitas

Enquanto acompanhava o processo do neto, Ramiro começou a perceber diversas semelhanças entre os comportamentos de Rurik e experiências que ele próprio carregava desde a infância.

O aposentado, que enfrentava episódios de depressão e dificuldades em relacionamentos sociais, passou a ser questionado por profissionais de saúde sobre características compatíveis com o espectro autista.

Após avaliação especializada, veio a confirmação: ele também era autista, com diagnóstico de TEA nível 1 de suporte.

“Descobrir o autismo foi libertador”

Segundo Ramiro, receber o diagnóstico ajudou a compreender situações que o acompanharam por toda a vida.

“Sempre tive dificuldade em me relacionar com as pessoas. Se pudesse evitar conversar ou interagir, me sentia confortável. Eu não entendia por que era assim”, relatou.

Ele conta que, durante mais de 30 anos atuando como professor, enfrentou situações constrangedoras sem compreender a origem de suas dificuldades.

Em um dos episódios, uma mãe de aluno interpretou como desrespeito o fato de ele não conseguir manter contato visual durante uma conversa.

“Hoje eu sei que essa dificuldade faz parte da minha condição”, explicou.

O aposentado também descobriu, ao conversar com familiares, que começou a falar apenas por volta dos quatro anos e meio de idade, algo que nunca havia relacionado ao autismo.

“Quando recebi o diagnóstico, várias peças começaram a se encaixar”, afirmou.

Diagnóstico trouxe mudanças na família

Além das respostas sobre o passado, Ramiro afirma que a descoberta transformou sua relação com a esposa, os filhos e os netos.

“Passei a entender que precisava ouvir mais e não permitir que o transtorno afetasse meus relacionamentos”, contou.

Segundo ele, acompanhar o desenvolvimento de Rurik foi essencial para esse processo de autoconhecimento.

“O Rurik me ajudou muito a me compreender. Eu costumo dizer que não fui eu quem compreendeu o Rurik. Foi o Rurik quem me fez compreender quem eu sou”, declarou.

Importância do diagnóstico precoce

Atualmente, Rurik realiza acompanhamento psicológico focado na regulação emocional, terapia ocupacional com integração sensorial, frequenta a escola e pratica atividades como futebol e jiu-jítsu.

Para a mãe, a história evidencia a importância do acesso à informação e ao diagnóstico precoce.

“Meu pai cresceu sem respostas para muitas dificuldades que enfrentava. Já o Rurik teve acesso à avaliação e às intervenções ainda na infância. Isso faz toda a diferença para o desenvolvimento e para a qualidade de vida”, destacou.

Autismo em adultos ainda é pouco diagnosticado

Especialistas alertam que milhares de adultos viveram grande parte da vida sem diagnóstico, especialmente aqueles classificados dentro do TEA nível 1, anteriormente conhecido como Síndrome de Asperger.

Muitas dessas pessoas convivem por anos com dificuldades de socialização, ansiedade, depressão e sensação de inadequação sem compreender a origem dessas características.

Histórias como a de Ramiro mostram que nunca é tarde para buscar respostas e que o diagnóstico pode representar um importante passo para o autoconhecimento e para a melhoria da qualidade de vida.

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