Recentemente os noticiários anunciaram duas perdas do futebol brasileiro, o rei Pelé e o Roberto Dinamite falecerem em decorrência de um câncer de cólon. O ator Chadwick Boseman, estrela de Pantera Negra, também foi uma das vítimas dessa doença. Nome não muito comum aos brasileiros, o cólon e o reto fazem parte do aparelho digestivo.

O cólon corresponde à maior parte do intestino grosso, formado por tecido em forma de tubo com aproximadamente 1,5 m de comprimento em média. A região é responsável por absorver água e sal da matéria alimentar remanescente que passa pelo intestino delgado e formar o bolo fecal. Nesse processo alimentar, o cólon possui denominações diferentes conforme sua localização (anatomia), dividido em cólon ascendente, transverso, descendente e sigmoide. Inclusive o câncer incide diferentemente em cada parte.

Depois de apresentar, brevemente, essa parte do intestino, cabe agora falar sobre a doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), o câncer de cólon é muito incidente no Brasil, com uma média de 41 mil casos todos os anos. Estima-se que grande parte dos cânceres que atingem a região e o reto se iniciam a partir de pequenas lesões nas mucosas que recobrem o interior do órgão, que são os chamados pólipos.

Aliás, é bom servir de alerta que esse tipo de câncer está mais ligado ao estilo de vida. Apenas 20% estão ligados às heranças genéticas, os demais fatores externos envolvem má alimentação, obesidade, inclusive o consumo de carne vermelha pode aumentar o risco, fumo, uso de bebidas alcoólicas e sedentarismo são importantes fatores.

Os sintomas se assemelham muito aos de outras doenças e muitas vezes aparecem quando o tumor já está com tamanho avançado. Procure seu médico quando observar sintomas como sangramento nas fezes, constipação, perda de peso, anemia e alteração do hábito intestinal. E é por isso que ressalto a importância dos exames de rastreamento.

Os pólipos em si são benignos, mas podem ser precursores do câncer. Quando o paciente tem essas lesões removidas durante uma colonoscopia, elas são habitualmente enviadas para biópsia. Se descoberto inicialmente, e levando em consideração que o câncer de cólon tem desenvolvimento lento, são ainda maiores as chances de cura, que chegam a 90%.

A colonoscopia de rastreio deve ser iniciada aos 45 anos e 40 para pacientes com história familiar de parentes de primeiro grau que tenham tido este tumor. O objetivo do exame é identificar lesões precursoras do câncer colorretal, devendo ser realizada a cada 10 anos, mesmo que os exames estejam normais. Ainda tem o exame de sangue oculto, que avalia a presença de pequenas quantidades de sangue nas fezes, que podem não ser visíveis a olho nu. Esse é um exame mais barato, mas que não serve para diagnóstico, ainda é preciso realizar o colonoscopia para confirmação.

O que se observa é que os carcinomas que incidem no cólon direito, na região ascendente, são mais agressivos, e os tumores do lado esquerdo, os sigmoides, são os mais comuns. O tratamento indicado depende da situação do paciente, mas envolve cirurgia e, em alguns casos, quimioterapia e radioterapia.

Existem hoje três maneiras de realizar a cirurgia de retirada do câncer: a convencional, aquela que abrimos o abdome do paciente com corte; a cirurgia também pode ser feita por videolaparoscopia, que é feita por um acesso e é menos invasiva; e por robótica que tira um segmento do intestino onde está acometido pela doença. Todos os procedimentos têm como princípio oncológico fazer a ligadura dos vasos nas origens, para tirar o máximo possível de linfonodos. Já na reconstrução é feita uma anastomose, que é, depois de retirado o tumor, é feito o ligamento de uma parte do intestino ao outro.

Enfim, parecem termos complexos, mas é importante se informar e, acima de tudo, ter uma vida mais saudável, alimentar-se melhor, fazer exercícios, cuidar de si. É o que eu sempre falo para os meus pacientes, o nosso corpo é tudo aquilo que você construiu ao longo da vida, dependendo da estrutura que você criou, a saúde vem e cobra. Procure um cirurgião oncológico!

Via | Lucas Bertolin, Cirurgião Oncológico no Hospital de Câncer de Mato Grosso, da Oncolog e do Consórcio de Saúde da Região do Vale do Peixoto.  Foto | Freepik
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