Levar a experiência do progresso brasileiro no agronegócio para países africanos. Esse foi o tema de um debate realizado no Palácio Itamaraty, em Brasília, que contou com a participação do ministro das Relações Exteriores, embaixador Carlos Alberto Franco França, além de chefes diplomáticos de países africanos, representantes de empresas públicas e privadas ligadas ao agronegócio, associações do setor privado e entidades de pesquisas acadêmicas. Durante o seminário “O Brasil e a África no Agro” foram realizados painéis sobre cooperação técnica, acadêmica, tecnológica, financeira e empresarial.

Durante o evento, o ministro das Relações Exteriores disse que o Brasil tem muito a contribuir com a África. “A trajetória de desenvolvimento do agronegócio no Brasil, a partir dos anos 1970, tem o potencial de contribuir decisivamente para o avanço desse setor nos países africanos. Essa é a contribuição que nós, brasileiros, podemos e devemos colocar à disposição do continente que mais rapidamente cresce no mundo. É a nova fronteira de nossa cooperação com a África”, destacou.

O chanceler frisou ainda a evolução da agricultura brasileira nas últimas décadas. “Nos últimos 50 anos, o Brasil modernizou completamente sua produção agropecuária. Deixou de ser um importador líquido de alimento, que fomos a maior parte de nossa história, para nos tornar um dos maiores exportadores mundiais de grãos, de carnes e produtos florestais. Queremos e buscaremos dar nosso aporte, dentro das nossas possibilidades, para que os países africanos venham a tornar-se também exportadores líquidos dos mais diversos gêneros alimentícios”, completou.

Com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), muitas tecnologias brasileiras já são adaptadas para países como Gana, Moçambique e Burkina Faso, por meio de projetos de cooperação técnica.

Carlos Alberto Franco França lembrou que, nos últimos 20 anos, o Brasil realizou mais de 700 projetos de cooperação técnica com diversos países africanos, em várias áreas, com destaque para agropecuária e segurança alimentar. Entre elas está a cooperação no plantio de algodão, banco de leite, erradicação de pragas e alimentação escolar, executados pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), instituição ligada ao Ministério das Relações Exteriores.

Um dos projetos implementados pela ABC é o “Cotton Four + Togo”, que leva o fortalecimento tecnológico e a difusão de boas práticas agrícolas para o plantio do algodão em Benim, Burkina Faso, Chade, Mali e Togo, países localizados na África Ocidental. A iniciativa ajuda os cinco países a desenvolver o setor de algodão, aumentando a produtividade, gerando diversidade genética e aprimorando a qualidade do produto cultivado.

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes Cordeiro, ressaltou que para conciliar segurança alimentar com sustentabilidade econômica, social e ambiental é preciso investir em tecnologia. “Com tecnologia, o Brasil foi capaz de aumentar sua produção de grãos em 400% nos últimos 40 anos, ao passo que a área ocupada pelas plantações cresceu pouco mais de 40%. O clima e o solo das regiões tropicais, aliados à tecnologia, permitem o cultivo de mais de uma safra ao ano, duas e, em alguns casos, até três”, pontuou.

O secretário-executivo também destacou que o relatório de 2021 do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (Fao) aponta que o número de africanos com dificuldades em obter alimentos é de 280 milhões de pessoas. “Projeções da ONU apontam que a população da África Subsaariana deve dobrar até 2050 e segundo o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, o continente produzirá apenas 13% de suas necessidades alimentares até 2050. Embora o continente africano detenha metade das terras aráveis não cultivadas do mundo, uma propriedade rural média alcança hoje apenas cerca de 40% do seu potencial produtivo. Há, portanto, muito espaço para cooperação entre Brasil e África na seara agrícola”, concluiu.

Via | Gov.br
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