Pelo segundo ano consecutivo, um incêndio atinge o Parque Estadual Encontro das Águas, localizado na região de Porto Jofre, na cidade de Poconé, no Pantanal mato-grossense. Em 2020 outro incêndio destruiu 85% do parque.

O fogo, de origem desconhecida, começou no final de semana e é combatido por voluntários, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e outras instituições. Três aeronaves são usadas para lançar jatos de água na região.

Ainda não há um levantamento oficial sobre quantos animais foram resgatados ou quantos se feriram nos incêndios que atingem a região do Pantanal neste ano. As equipes de voluntários relatam que já encontraram animais mortos e feridos.

VÍDEO: biólogo fala sobre incêndio no maior refúgio de onças-pintadas do mundo em MT

Segundo o biólogo Gustavo Figueirôa, membro da ONG SOS Pantanal, o acesso ao local do incêndio é a principal dificuldade para as equipes no combate.

“É uma frente de fogo bem grande no meio do parque, de difícil acesso. Só chega de barco ou helicóptero. Leva 1 hora e 40 minutos de barco de Porto Jofre para chegar. Ontem passamos o dia inteiro no combate. Está muito seco e quente”, relatou.

previsão do tempo para Poconé, nesta segunda-feira (6), é de 39ºC. A umidade está baixa: 23%. As equipes enfrentam o calor, tempo seco e umidade baixa.

Macaco foi resgatado em incêndio no Pantanal em Mato Grosso — Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal

Macaco foi resgatado em incêndio no Pantanal em Mato Grosso — Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal

Em terra atuam também os voluntários do Grupo de Resgate de Animais em Desastres (GRAD). Eles retiram os animais feridos ou em risco e encaminham para tratamento.

Por falta de estrutura, uma cobra queimada está sendo tratada pelo biólogo no banheiro dele.

Macaco resgatado por voluntários no Pantanal em Mato Grosso — Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal

Macaco resgatado por voluntários no Pantanal em Mato Grosso — Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal

“Somente ontem [encontramos] cinco sucuris feridas. Eu estou com uma sucuri no meu banheiro porque a equipe do GRAD só tem uma caixa para resgate e tiveram que mandá-la em outro resgate”, contou o biólogo.

Área queimada no Pantanal

A área queimada acumulada no Pantanal em 2021 ultrapassou os valores médios históricos registrados nesse período pelo sistema ‘Alarmes’, do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA). Embora os valores ainda sejam inferiores ao ano anterior, a instituição disse que isso causa preocupação devido ao aumento observado nos últimos dias.

Na semana passada, a LASA informou que a área queimada no Pantanal neste ano se aproximava da marca registrada em 2020. No entanto, a instituição esclareceu, nesta sexta-feira (3), que a informação inicial foi divulgada em decorrência de falhas ocorridas no sistema.

De acordo com o levantamento feito pelo ICV nesta semana, do total da área queimada até 31 de agosto no bioma, 458,5 mil hectares (84%) das áreas incidem em Mato Grosso do Sul e 88,7 mil (16%) em Mato Grosso.

No ano passado, o período de janeiro a agosto somou 940 mil hectares queimados no Pantanal de Mato Grosso, enquanto 2021 contabiliza 88 mil. Em todo o bioma localizado no território brasileiro, 2020 registrou o impacto em 3,9 milhões de hectares, o correspondente a 27% de sua área total.

Filhote de onça-pintada e a mãe são observados em Porto Jofre, no Pantanal de Mato Grosso — Foto: Ailton Lara

Filhote de onça-pintada e a mãe são observados em Porto Jofre, no Pantanal de Mato Grosso — Foto: Ailton Lara

Atualmente, há outros dois incêndios ativos na região: na proximidade do Rio Pixaim e próximo à Fazenda São Cristóvão.

O parque

A localidade é conhecida por deter a maior concentração de onças-pintadas do mundo. Turistas do país e do exterior procuram o parque para fazer a observação de onças-pintadas durante passeios de barco.

O Parque Estadual Encontro das Águas fica no encontro dos rios Cuiabá e Piquiri, na região de Porto Jofre, entre Poconé e Barão de Melgaço, municípios a 104 e 121 km de Cuiabá. A reserva tem 108 mil hectares onde é possível ver a exuberância do Pantanal bem de perto.

O melhor período para observar a onça é entre julho e final de setembro, período da seca. Nesses meses as onças ficam mais próximas das margens dos rios em busca de água e caça, então, é mais fácil de deparar com o animal.

Via | G1
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