Mas vamos por partes. O anúncio sobre 2022 foi feito em setembro do ano passado pela “Tesla chinesa”, a Xpeng Motors, durante o Salão de Pequim, e contemplaria – a princípio – apenas o território da China. A startup de veículos elétricos apresentou seu plano de desenvolvimento de um carro voador em investimento da montadora junto ao Alibaba, a gigante chinesa no ramo de vendas online. Porém, segundo detalhes de reportagem do Estadão, assim como o protótipo de veículo voador da Hyundai e da Uber, o modelo da Xpeng em nada lembra um carro, mais parecendo um pequeno helicóptero ou drone gigante. A unidade possui oito hélices e uma estrutura em forma de cápsula, para até duas pessoas.

Fato é que a corrida para desenvolver o primeiro carro voador viável do mundo está se acirrando. Até agosto de 2020, havia 19 projetos em elaboração, que incluem players como a Airbus, a Boeing e a alemã Volocopter – que planeja os primeiros testes para este ano e o lançamento de uma versão comercial também em 2022.

A estimativa é que, até 2040, esse setor chegue a valer até US$ 3 trilhões

Durante a CES 2021, maior feira de tecnologia do mundo, a General Motors (GM) apresentou conceitos de dois veículos elétricos: um autônomo “comum” e um veículo de decolagem e aterrissagem vertical (na sigla, eVTOL) para uma pessoa, que fazem parte do portfólio do Cadillac Halo, mas não possuem previsão de desenvolvimento.

Na Rússia, segundo a revista Popular Mechanics, a Hoversurf (empresa de mobilidade aérea urbana) começou a testar o drone Taxi Hover, veículo voador que pode transportar passageiros e cargas, no formato de um carro padrão de cinco metros por 1,6 metro. O veículo pode atingir 150 metros de altitude, atingir até 200 km/h de velocidade e percorrer uma distância de até 100 quilômetros de uma só vez.

Caminhar, dirigir, pedalar ou voar

Em uma longa e recente reportagem sobre os modelos mais promissores de carros voadores, a BBC News reúne alguns analistas interessantes do setor. Para o vice-presidente de relações públicas da Volocopter, Fabien Nestmann, todo indivíduo deve ter a opção de caminhar, dirigir, pedalar ou voar.

“A Volocopter espera conquistar a confiança do consumidor antes de fazer a transição para um modelo de autonomia total: um veículo elétrico sem asas movido por nove baterias, que transportará passageiros por uma rede planejada de vertiports – aeroportos para aeronaves que decolam e pousam verticalmente – nas principais cidades.”

Já Takako Wada, representante da SkyDrive, garante que a demanda do consumidor cresceu, “mas os seres humanos ainda não ofereceram uma solução clara para o tráfego, mesmo com opções como carros elétricos ou alternativas rápidas como o TGV (do francês “train à grande vitesse”, trem intermunicipal da França)”.

Os entusiastas do modal voador não cansam de apresentar suas vantagens, mas é preciso cautela ao analisarmos questões básicas como investimento, custo para o usuário, logística aérea envolvida (as “vias no céu” precisariam ser administradas para conciliar helicópteros, drones, carros e aviões, sem esquecer dos pássaros), bem como a habilitação necessária, algo como um brevê de piloto – que não é nada simples.

As autoridades da aviação já discutem políticas e padrões de segurança que vão reger esse novo setor de transporte. Enquanto as aeronaves comerciais em que viajamos hoje são monitoradas por uma torre de controle, com controladores humanos, as máquinas voadoras desse futuro breve contariam com um UTM (Gerenciamento de Tráfego Não Tripulado, na sigla em inglês).

Os modelos de VTOLs pilotados vão requerer um novo tipo de dinâmica para evitar obstáculos. Além disso, os fabricantes e operadores precisarão comprovar que não haveria danos aos passageiros ou às pessoas em solo. A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) também criou um conjunto de especificações técnicas para VTOLS, embora ainda não tenha decidido como fazer a certificação.

Fato é que este modal está em desenvolvimento e pode trazer benefícios na entrega de cargas ou mobilidade de (poucas) pessoas em distâncias intermunicipais, o que ainda requer muitos aprimoramentos e legislações pensadas para a segurança da sociedade. Mas sua eficácia não deve ser descartada, como fazem alguns analistas mais fatalistas ao dizerm que “carros voadores nunca serão uma realidade prática”. Então, sim! Os carros voadores eventualmente servirão para várias finalidades, facilitando mobilidade e também o transporte de pequenas cargas.

Concluo esta coluna recorrendo a uma análise do diretor do Instituto de Pesquisa Aeronáutica da Nasa, Parimal Kopardekar, também ouvido na matéria da BBC News:  “O sonho do transporte aéreo existe há muito tempo. No longo prazo, de 2045 em diante, os empreendimentos e os espaços verdes se tornarão muito mais integrados. Embora possamos nunca eliminar metrôs e estradas, podemos reduzir sua pegada com essas máquinas. Uma milha na estrada te leva a apenas uma milha. Uma milha de aviação pode te levar a qualquer lugar.”

Via | Beto Marcelino, colunista quinzenal do TecMundo, é engenheiro agrônomo, sócio-fundador e diretor de relações governamentais do iCities, empresa de projetos e soluções em cidades inteligentes, que organiza o Smart City Expo Curitiba, maior evento do Brasil sobre a temática, com a chancela da FIRA Barcelona.

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