“O anel que tu me deste era vidro e se quebrou… o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou…”

Há muitos anos os pediatras de Rondonópolis reivindicam uma unidade de tratamento intensivo para crianças em estado grave. A espera de uma vaga em algum hospital da rede pública é uma situação muito angustiante. Angustiante para o médico, para a enfermagem, para a família e, sobretudo, para a criança doente.
Há pouco mais de um ano, foi inaugurada em Rondonópolis a UTI pediátrica da Santa Casa. Compareceram ao ato solene autoridades civis, militares e eclesiásticas e, principalmente, vários políticos distribuindo sorrisos e tapinhas nas costas. Todos felizes com sensação de missão cumprida… Discursos, vaidades, elogios, oba-oba. Enfim, tínhamos a tão sonhada UTI pediátrica.
Discursavam orgulhosos: “neste momento solene, estamos entregando à população de Rondonópolis uma moderna UTI pediátrica”… Nada mais justo para uma cidade desta importância. Afinal, Cáceres, Colíder, Sinop, Tangará já dispunham deste importante serviço.
É preciso entender que é muito fácil inaugurar uma UTI. Basta encontrar um local adequado, comprar os leitos e aparelhos necessários e inaugurar. Simples assim? Claro que não.
Esqueceram-se da manutenção. Esta, sim, é complexa e de fundamental importância, uma vez que UTI não é apenas um depósito de pacientes em estado grave, como muitos imaginam. Todos os funcionários, os médicos, o pessoal da limpeza, a enfermagem e os fisioterapeutas são especializados e treinados e, por conseguinte, custam dinheiro. Precisam receber pelo seu importante trabalho.
Hoje, lamentavelmente, encerra-se este sonho de tantos anos. A UTI fechou suas portas, morreu, acabou, c’est fini. Quem são os culpados deste descalabro, desta infâmia? Não sabemos, nunca saberemos.
Mas, onde estarão agora aqueles guapos, saltitantes, falastrões e alegres políticos que apareceram no dia da inauguração contando vantagens?

(*) Mário Perrone é médico pediatra em Rondonópolis

Fonte | A Tribuna

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