Doença Falciforme afeta até 100 mil brasileiros e exige diagnóstico precoce 



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Considerada uma das maiores enfermidades hereditárias do Brasil, a doença falciforme atinge entre 60 mil e 100 mil pacientes no país, segundo dados do Ministério da Saúde. Por ser genética de origem africana, é mais comum entre indivíduos pretos e pardos, embora não seja exclusiva. Caracterizado por alterações no sangue, o problema pode provocar o comprometimento de funções importantes do organismo, como as cerebrais e pulmonares, caso o portador não receba a assistência adequada.

De acordo com o hematologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, Felipe Furtado, embora tenha bastante incidência no país, a patologia ainda é pouco conhecida pela população. “Em pessoas com o diagnóstico falciforme, as células sanguíneas que normalmente são arredondadas, se tornam mais rígidas, assumindo um formato de foice. Isso dificulta o transporte de oxigênio para cérebro, pulmões, rins e outros órgãos”, explica.

O sintoma mais comum, de acordo com o especialista, é a dor aguda nos ossos, que pode começar ainda quando criança. “Na ausência do tratamento adequado, podem surgir complicações como anemia crônica e retardo do crescimento, infecções e infartos pulmonares, acidente vascular cerebral, inflamações e úlceras”, acrescenta. Estudos mostram que, sem assistência médica, apenas 20% das crianças com doença falciforme atingirão os cinco anos de idade.

Diagnóstico 

Entre as formas de se obter o diagnóstico de pessoas com falciforme, estão o Teste do Pezinho, realizado nos primeiros dias de vida, e a eletroforese de hemoglobina, exame capaz de apontar a porcentagem de hemoglobina S no sangue. “Quanto mais cedo for feito, maiores são as chances de receber o tratamento correto e controlar a condição”, alerta Felipe Furtado. O Teste do Pezinho é feito com apenas algumas gotas de sangue do bebê que podem indicar problemas metabólicos, genéticos e infecciosos.

Tratamento 

Uma das opções para o tratamento dos pacientes com diagnóstico falciforme, de acordo com o especialista, é o transplante de medula óssea. “No entanto, nem todos os pacientes têm indicação para o procedimento, que possui seus riscos, dada a sua complexidade”, esclarece o especialista.

Assim, o tratamento convencional é feito por meio de acompanhamento médico contínuo, inclusive para transplantados. “Ele é capaz de minimizar as complicações da doença e melhorar a qualidade de vida desses pacientes, baseado em um programa de atenção integral, que tem início na primeira infância e segue por toda a vida, com avaliação periódica e exames laboratoriais para verificação dos índices de hemoglobina e outras possíveis alterações”, completa o médico.

Foto | Freepik

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