Durante participação na Cúpula do G7, presidente Lula destacou riscos da inteligência artificial e cobrou responsabilidade das big techs
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (17) que a regulação do ambiente digital é essencial para proteger direitos fundamentais e combater crimes na internet. A declaração foi feita durante reunião da Cúpula do G7, realizada em Évian, na França, que debateu o uso da inteligência artificial (IA) e a proteção de crianças e adolescentes online.
“Regular o ambiente digital é central para proteger direitos fundamentais”, declarou Lula, ao destacar que os avanços tecnológicos precisam caminhar junto com responsabilidade social e ética.
IA: benefícios e riscos preocupantes
O presidente reconheceu que a inteligência artificial pode trazer ganhos significativos em áreas como saúde, segurança alimentar e serviços públicos. No entanto, fez um alerta contundente sobre os perigos do uso indevido da tecnologia.
Entre os principais riscos citados estão:
- Disseminação de discursos de ódio e desinformação
- Exploração sexual infantil no ambiente digital
- Manipulação de imagens de mulheres e crianças
- Violência online e precarização do trabalho
Segundo Lula, essas práticas exigem ação imediata dos governos e maior comprometimento das grandes empresas de tecnologia.
Proteção de crianças ganha destaque
Um dos pontos centrais do discurso foi a proteção de menores na internet. Lula destacou a criação do chamado “ECA Digital”, legislação brasileira voltada à segurança de crianças e adolescentes no ambiente online.
“Estamos garantindo que nossas crianças possam estar online com segurança. É um basta aos criminosos que ameaçam sua integridade física e mental”, afirmou.
Dados do UNICEF reforçam a preocupação: cerca de 1 em cada 5 jovens brasileiros entre 12 e 17 anos já foi vítima de abuso ou exploração sexual na internet.
Além disso, o presidente citou que mais de 8,8 milhões de mulheres no Brasil já sofreram algum tipo de violência digital, incluindo ameaças, assédio e invasões de contas.
Desigualdade digital preocupa
Lula também alertou que a inteligência artificial pode aprofundar desigualdades globais caso não haja regulação internacional. Enquanto grandes empresas acumulam riquezas comparáveis a países inteiros, cerca de 2,6 bilhões de pessoas ainda estão desconectadas da internet no mundo.
“O desafio é garantir que a tecnologia reduza desigualdades, e não o contrário”, pontuou.
O presidente defendeu ainda que os países tenham soberania sobre os dados produzidos por seus cidadãos, transformando essas informações em benefícios econômicos e sociais.
Defesa do multilateralismo
Ao abordar a governança global da inteligência artificial, Lula reforçou a importância da cooperação internacional e do papel das Nações Unidas.
“O Brasil defende uma governança que respeite a diversidade dos países e fortaleça a democracia”, disse.
Ele também destacou que as discussões sobre o tema continuarão em julho, durante encontro internacional em Genebra, ampliando o debate sobre regras globais para o uso da IA.
Debate global ganha urgência
A fala de Lula ocorre em um momento em que cresce a pressão mundial por regras mais rígidas sobre tecnologia e redes sociais. Especialistas apontam que a falta de regulação pode ampliar riscos sociais, especialmente entre jovens.
O posicionamento do Brasil reforça a necessidade de equilíbrio entre inovação tecnológica e proteção da sociedade — um dos maiores desafios da era digital.
com informações Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República










