Casas Bahia entra em recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões e anuncia fechamento de lojas



Grupo enfrenta forte crise financeira, prevê demissões e fechamento de cerca de 300 unidades; consumidores também devem ficar atentos aos direitos

O Grupo Casas Bahia, uma das maiores redes varejistas do Brasil, entrou nesta segunda-feira (17) com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A companhia declarou uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões e busca reorganizar as finanças para evitar uma paralisação das operações.

A decisão ocorre após a empresa registrar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado que agravou uma crise financeira que já vinha sendo acompanhada pelo mercado.

O pedido abrange dez empresas do grupo, incluindo as operações ligadas às marcas Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e Bartira, além de empresas das áreas de logística e tecnologia.

Cerca de 300 lojas podem ser fechadas

Como parte do processo de reorganização, o grupo anunciou o fechamento de aproximadamente 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários.

A medida já provoca preocupação entre trabalhadores e sindicatos. O Sindicato dos Comerciários de São Paulo informou que prepara uma ação para tentar barrar as demissões em massa e questiona a forma como parte dos funcionários foi comunicada sobre o fechamento das unidades.

O que aconteceu com a Casas Bahia?

A companhia vinha tentando realizar uma transformação financeira e operacional nos últimos anos. Apesar de alguns avanços registrados no início de 2026, a pressão provocada pelo endividamento, juros elevados e dificuldades no mercado de crédito acabou agravando a situação.

No primeiro trimestre, a empresa havia divulgado avanços na operação e redução da dívida líquida. Entretanto, o resultado do segundo trimestre mostrou uma deterioração significativa das contas.

A empresa já havia passado por uma recuperação extrajudicial em 2024, mas o agravamento do cenário financeiro levou agora à decisão de recorrer à recuperação judicial.

E quem comprou na Casas Bahia? O produto vai chegar?

A recuperação judicial não significa que as lojas deixam de funcionar imediatamente e também não cancela automaticamente as compras realizadas pelos consumidores.

Quem já recebeu um produto e possui parcelas do carnê ou de outra forma de pagamento deve continuar cumprindo suas obrigações normalmente.

Já quem comprou e ainda não recebeu o produto deve acompanhar a situação da entrega. Caso a empresa não cumpra o prazo e a compra seja cancelada, o consumidor pode buscar o cancelamento e o reembolso, conforme as circunstâncias e as regras do Código de Defesa do Consumidor.

Em caso de produto com defeito, os direitos previstos na legislação continuam existindo, incluindo possibilidades de conserto, troca, abatimento ou restituição, conforme cada situação.

Casas Bahia possui lojas em Mato Grosso

A crise também chama atenção dos consumidores mato-grossenses. Dados divulgados pelo próprio grupo indicavam 14 lojas em Mato Grosso em maio de 2026, sendo 12 lojas classificadas na operação varejista e outras unidades conforme a estrutura apresentada pela companhia.

Ainda não há, nas informações consultadas, uma lista definitiva indicando quais unidades de Mato Grosso serão fechadas.

Recuperação judicial tenta evitar uma crise ainda maior

O objetivo do pedido é permitir que a empresa tenha tempo para negociar suas dívidas com credores e apresentar um plano de recuperação.

A companhia também solicitou medidas urgentes para proteger a continuidade das operações, incluindo a suspensão de determinadas execuções e outras medidas relacionadas às dívidas e ao fluxo de mercadorias.

A notícia provocou forte reação no mercado. As ações da companhia chegaram a registrar queda de até 36% nesta segunda-feira, refletindo a preocupação dos investidores com a situação financeira do grupo.

O futuro da Casas Bahia

Apesar da gravidade da situação, a recuperação judicial não representa necessariamente o fim da Casas Bahia. O mecanismo existe justamente para permitir que empresas em dificuldades financeiras possam renegociar dívidas, reorganizar suas operações e tentar continuar funcionando.

Agora, o mercado, funcionários, fornecedores e consumidores aguardam os próximos passos da Justiça e do plano que será apresentado pela companhia aos credores.

O Giro MT continuará acompanhando as decisões envolvendo a Casas Bahia e os possíveis impactos para consumidores e trabalhadores de Mato Grosso.

Fonte: Grupo Casas Bahia e informações de mercado

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