A principal forma de prevenção é a vacinação, preferencialmente antes do início da vida sexual
O papilomavírus humano (HPV) já é responsável por cerca de 60% dos casos de câncer de orofaringe – região que compreende as amígdalas e a base da língua. O dado é do cirurgião de cabeça e pescoço da Unimed Cuiabá, Dr. Francisco Pereira Filho, que alerta para o crescimento desse tipo de tumor, principalmente entre pacientes mais jovens.
O alerta ganha ainda mais relevância durante o Julho Verde, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o combate ao câncer de cabeça e pescoço. A iniciativa busca orientar a população sobre os fatores de risco, reconhecer sinais de alerta e incentivar a procura por atendimento médico diante de sintomas persistentes.
Embora o tabagismo e o consumo excessivo de álcool ainda sejam os principais fatores de risco para os cânceres de cabeça e pescoço, o HPV é hoje o principal responsável pelo aumento de novos diagnósticos de câncer de orofaringe.
Segundo o especialista, a principal forma de prevenção é a vacinação, preferencialmente antes do início da vida sexual.
“Meninas e meninos entre 9 e 10 anos devem receber a vacina. Existem vários subtipos do HPV e, mesmo que a pessoa já tenha tido contato com algum deles, a vacinação continua sendo importante. Ela também é eficaz para adultos, homens e mulheres, até os 48 anos. Depois dessa idade, a efetividade diminui”, explica.
Outro ponto de atenção é o uso de aparelhos ortodônticos mal ajustados ou sem manutenção adequada. Segundo o médico, ferimentos constantes na mucosa da boca podem favorecer o desenvolvimento de tumores.
“No início o trauma dói bastante, mas, com o tempo, o organismo cria uma fibrose e a dor diminui. Isso não significa que o problema desapareceu. A agressão contínua pode induzir a formação de câncer na boca”, alerta.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o câncer da cavidade oral ocupa a quinta posição entre os tumores mais incidentes em homens. A estimativa é de mais de 17 mil novos casos da doença no Brasil, o equivalente a 4,8% de todos os diagnósticos de câncer.
Já o câncer de tireoide é o segundo mais frequente entre os tumores de cabeça e pescoço e ocupa a quinta posição entre as mulheres, com estimativa de 16.450 novos casos, representando 5,1% dos diagnósticos.
Entre 2026 e 2028, o INCA estima aproximadamente 126.450 novos casos de câncer de cavidade oral, tireoide e laringe no país, uma média de 42.150 diagnósticos por ano. Em Mato Grosso, a projeção é de 1.560 novos casos no período, média de 520 por ano.
De acordo com Dr. Francisco, a maior incidência entre os homens está relacionada, principalmente, ao maior consumo de cigarro e bebidas alcoólicas, além da má higiene bucal.
“Os principais fatores para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço são o tabagismo, o etilismo e a higiene oral inadequada. Infelizmente, esses hábitos ainda são mais frequentes entre os homens”, afirma.
Diagnóstico – O diagnóstico é confirmado por meio de biópsia e exame histopatológico. O especialista destaca que a descoberta precoce aumenta significativamente as chances de cura e reduz as sequelas funcionais e estéticas.
“Grande parte das cirurgias nessa região provoca algum grau de deformidade. Quanto mais cedo o tumor é identificado, maiores são as chances de preservação da fala, da deglutição e da estética do paciente.”
Tumores avançados de boca, língua, faringe, orofaringe e laringe podem comprometer funções importantes, como falar e engolir. Em casos mais graves de câncer de laringe, pode ser necessária a retirada completa do órgão, fazendo com que o paciente perca a voz.
“Nesses casos, o paciente precisa aprender uma nova forma de falar, como a voz esofágica, ou utilizar próteses vocais com acompanhamento de um fonoaudiólogo para recuperar a comunicação”, explica.
Segundo o especialista, muitos pacientes ignoram sintomas iniciais da doença, o que atrasa o diagnóstico. “Nódulos indolores no pescoço costumam ser negligenciados porque não causam dor. Quando o paciente procura atendimento, muitas vezes a lesão já está maior ou apresenta outros sintomas.”
Prevenção – A prevenção dos cânceres de cabeça e pescoço inclui não fumar, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, manter boa higiene bucal, corrigir aparelhos ortodônticos que provoquem ferimentos, proteger-se da exposição solar e manter a vacinação contra o HPV em dia.
Dr. Francisco lembra que, quando diagnosticado precocemente, o câncer de cabeça e pescoço apresenta boas chances de cura. No entanto, o atraso no tratamento reduz significativamente esse índice e aumenta as sequelas provocadas pela doença.
“O câncer pode atingir qualquer pessoa. Não faz distinção de sexo, cor ou religião. Por isso, abandonar o tabagismo, reduzir o consumo de álcool, manter uma boa saúde bucal e adotar medidas de prevenção contra o HPV são atitudes fundamentais.”
Atendimento na Unimed Cuiabá
A Unimed Cuiabá conta com o Núcleo de Vacinação, que oferece a vacina contra o HPV para crianças, adolescentes e adultos dentro das indicações previstas, reforçando a importância da imunização como uma das principais estratégias de prevenção do câncer de orofaringe e de outras doenças relacionadas ao vírus.
Além da prevenção, a cooperativa dispõe de uma equipe multidisciplinar preparada para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço, incluindo tumores da cavidade oral, orofaringe, laringe e tireoide, garantindo assistência especializada em todas as etapas do cuidado.










