Celular proibido nas escolas? Pesquisa revela que regra aumentou foco, reduziu bullying e melhorou a convivência



Levantamento do MEC mostra que quase todos os gestores escolares perceberam melhorias na concentração dos alunos, participação nas aulas e redução de conflitos após a regulamentação do uso de celulares.

Um ano após entrar em vigor, a lei que regulamenta o uso de celulares nas escolas brasileiras já apresenta resultados considerados positivos por gestores da educação. Segundo uma pesquisa inédita do Ministério da Educação (MEC), 97% dos diretores afirmam que os estudantes passaram a participar mais das atividades pedagógicas, enquanto 95% perceberam melhora na concentração durante as aulas e na convivência entre os alunos.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional – 1º Ano da Lei nº 15.100/2025, realizada pelo MEC em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Instituto Alana e Unesco.

Lei restringiu uso de celulares nas escolas

Sancionada em janeiro de 2025, a Lei nº 15.100 regulamentou o uso de aparelhos eletrônicos portáteis em escolas públicas e privadas da educação básica.

Pelas novas regras, o celular só pode ser utilizado:

  • Em atividades pedagógicas, com orientação do professor;
  • Para fins de acessibilidade;
  • Em situações relacionadas à inclusão;
  • Por necessidade de saúde.

A proposta busca reduzir distrações, fortalecer o aprendizado e preservar a saúde mental, emocional e social de crianças e adolescentes.

Pesquisa mostra impactos positivos nas escolas

O levantamento ouviu 2.469 gestores escolares de todas as regiões do Brasil entre março e abril de 2026.

Os principais resultados chamam a atenção:

  • 97% afirmam que houve maior participação dos estudantes nas aulas;
  • 95% perceberam melhora na concentração e na convivência escolar;
  • 88% observaram redução de conflitos, agressões digitais e casos de cyberbullying;
  • 86% acreditam que a medida ajudou a diminuir a ansiedade dos alunos;
  • 67% relataram aumento de atividades manuais, artísticas e recreativas sem telas;
  • 56% identificaram crescimento de atividades pedagógicas fora da sala de aula.

Além disso, 92% das escolas já implementaram a nova legislação, sendo que quase metade considera o processo totalmente consolidado.

Uso pedagógico continua permitido

Ao contrário do que muitos imaginavam, a pesquisa mostra que a restrição não prejudicou o uso da tecnologia como ferramenta de ensino.

Segundo os gestores:

  • 86% afirmam que não houve redução das atividades pedagógicas com tecnologia;
  • 71% discordam da ideia de que a lei prejudique o desenvolvimento das habilidades digitais dos estudantes.

Na prática, o celular continua presente na escola quando utilizado como recurso educativo, sempre sob orientação dos professores.

Alunos relatam mudanças na rotina

Entre os exemplos apresentados pelo MEC está o estudante Ângelo Lucas Nascimento, de 18 anos, aluno do 3º ano do Ensino Médio em Fortaleza (CE).

Ele afirma que, após a regulamentação, passou a conversar mais com os colegas, participar de atividades extracurriculares e observar melhor o ambiente escolar.

“Graças a essa lei, eu não estou preso a telas ou notificações. Hoje converso mais com meus colegas na vida real.”

Segundo professores da escola, também houve aumento na frequência de estudantes na biblioteca, nas atividades esportivas, clubes de leitura, xadrez, inglês e rodas de conversa durante os intervalos.

Especialistas apontam benefícios para a saúde mental

Para o psicólogo Lucas Fernandes, que atua com crianças e adolescentes, o uso excessivo de celulares pode comprometer a capacidade de socialização e aumentar problemas emocionais.

Segundo ele, limitar o uso dos aparelhos no ambiente escolar ajuda a preservar a escola como espaço de aprendizagem e convivência.

O especialista destaca, no entanto, que a tecnologia não deve ser tratada como inimiga, mas utilizada de forma consciente, supervisionada e com objetivos educacionais.

Desafios ainda existem

Apesar dos resultados positivos, os gestores apontaram alguns obstáculos para consolidar a política.

Os principais desafios são:

  • Garantir a adesão dos estudantes às novas regras;
  • Criar locais seguros para armazenar os aparelhos durante as aulas;
  • Fortalecer a parceria entre escola e família;
  • Ampliar a formação dos profissionais da educação sobre o tema.

Mesmo assim, os dados indicam que a regulamentação do uso dos celulares já vem promovendo mudanças significativas no ambiente escolar, favorecendo o aprendizado, a convivência e o bem-estar dos estudantes.

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