Mesmo sem o cultivo da oleaginosa, atividades seguem intensas nas propriedades rurais com foco na rentabilidade e no planejamento da safra 2026/27
Com o início do vazio sanitário da soja, período em que o cultivo da oleaginosa é proibido para auxiliar no controle da ferrugem asiática, muitos imaginam que as atividades no campo entram em ritmo mais lento. A realidade, porém, é bem diferente.
Em Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, o período é marcado por uma intensa rotina de manejos e cultivos que mantêm as propriedades rurais em plena atividade e ajudam a preparar o terreno para a próxima safra.
Segundo o gerente Técnico e de Serviços da Fiagril, Talis Melo, o vazio sanitário é uma etapa fundamental do calendário agrícola, mas não representa uma interrupção das operações nas fazendas. Pelo contrário: é justamente nesse período que as culturas de segunda safra assumem papel de destaque.
“Hoje não temos soja no campo, até porque o plantio é proibido durante o vazio sanitário. Mas isso não significa que a atividade para. O milho de segunda safra tem participação fundamental na rentabilidade do produtor. Além dele, culturas como algodão, sorgo, gergelim e milheto seguem em desenvolvimento e exigem manejo constante”, explica.
Mato Grosso se destaca nacionalmente pela capacidade de produzir duas grandes safras ao longo do ano. O que antes era conhecido como “safrinha” ganhou importância econômica e produtiva, consolidando-se como uma segunda safra robusta e estratégica para a sustentabilidade financeira das propriedades rurais.
Além da geração de receita, muitas dessas culturas desempenham papel essencial na construção da próxima safra de soja. O cultivo de milho consorciado com braquiária, por exemplo, contribui para a formação de palhada, prática que melhora a qualidade do solo, ajuda a conservar a umidade e favorece o desenvolvimento da lavoura subsequente.
Outro aspecto relevante é que as decisões tomadas nesse período influenciam diretamente o desempenho da próxima safra. Manejos fitossanitários, controle de plantas daninhas, escolha de cultivares e estratégias de cobertura do solo são fatores que impactam a produtividade da soja que será semeada nos próximos meses.
“Os manejos realizados agora no milho, no algodão, no sorgo, no gergelim e em outras culturas refletem diretamente na safra de soja 2026/27. Este é um momento de planejamento e preparação, em que o produtor trabalha para construir os resultados que deseja alcançar na próxima temporada”, destaca Talis Melo.
Para a Fiagril, o período do vazio sanitário também representa uma oportunidade para intensificar o acompanhamento técnico aos produtores, auxiliando no planejamento da próxima safra e na adoção de estratégias que promovam maior eficiência produtiva.
Vazio sanitário da soja
O vazio sanitário da soja em Mato Grosso começou em 8 de junho e segue até 6 de setembro. Durante esse período, os produtores devem eliminar todas as plantas vivas de soja existentes em lavouras, margens de rodovias, áreas de armazenamento e demais locais onde possa ocorrer germinação espontânea.
A medida tem como principal objetivo interromper o ciclo da ferrugem asiática, considerada a doença mais severa da cultura da soja e capaz de provocar perdas de até 90% da produção quando não controlada adequadamente.










