Uma investigação da Polícia Federal revelou detalhes de um sofisticado esquema criminoso que, segundo as autoridades, funcionava como uma verdadeira empresa do tráfico de drogas no Brasil. A organização, liderada por um homem conhecido como “Serjão do PCC”, utilizava caminhões, transportadoras, empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e familiares para movimentar cocaína e milhões de reais em recursos ilícitos.
A operação, batizada de “Mens Occulta”, expôs uma estrutura que teria movimentado cerca de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos e transportado toneladas de cocaína entre estados estratégicos para o narcotráfico.
Família inteira é investigada pela Polícia Federal
De acordo com as investigações, o núcleo principal da organização criminosa seria formado pelo líder do esquema, sua esposa, duas filhas e um ex-genro.
Segundo a Polícia Federal, familiares participariam da movimentação financeira, ocultação de patrimônio e administração de empresas utilizadas para dar aparência de legalidade às operações criminosas.
Uma das filhas, advogada, é apontada pelos investigadores como braço direito do pai dentro da estrutura investigada.
Caminhões e transportadoras eram usados para esconder cocaína
As investigações apontam que o grupo mantinha uma complexa logística de transporte para movimentar grandes carregamentos de cocaína pelo país.
Caminhões e carretas registrados em nome de terceiros eram utilizados para transportar a droga, que frequentemente era escondida em compartimentos secretos nas cabines dos veículos e até mesmo em pneus sobressalentes.
A Polícia Federal afirma que diversos veículos envolvidos nas apreensões estavam registrados em nome de pessoas sem renda compatível para adquirir bens de alto valor, o que reforça a suspeita do uso de “laranjas”.
Mais de 2 toneladas de cocaína apreendidas
Durante o período investigado, as forças de segurança realizaram diversas apreensões ligadas ao grupo.
Segundo a PF, mais de 2 toneladas de cocaína foram retiradas de circulação em operações relacionadas à organização criminosa.
Entre as cargas interceptadas estavam carregamentos de centenas de quilos da droga, evidenciando o alto poder logístico da quadrilha.
Apesar disso, os investigadores acreditam que o volume apreendido representa apenas uma parte do que era efetivamente movimentado pelo esquema.
Mato Grosso estava na rota do tráfico
As investigações apontam que os carregamentos tinham origem principalmente em regiões consideradas estratégicas para o narcotráfico, incluindo Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.
A droga entraria no Brasil vinda do Paraguai e seguiria para centros de distribuição localizados em Minas Gerais.
Segundo a PF, a cidade de Uberlândia funcionava como principal base operacional para armazenamento e redistribuição dos entorpecentes para outras regiões do país.
Bens de luxo e patrimônio incompatível chamaram atenção
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais, cavalos de competição e até um motorhome de luxo avaliado em aproximadamente R$ 1,2 milhão.
Os investigadores afirmam que os suspeitos mantinham um padrão de vida incompatível com a renda oficialmente declarada.
A suspeita é de que empresas de fachada fossem utilizadas para lavar dinheiro obtido com o tráfico internacional de drogas.

Defesa nega irregularidades
Em nota, os advogados dos investigados informaram que ainda não tiveram acesso completo aos autos do processo, que corre sob sigilo judicial.
A defesa afirmou confiar na Justiça, reforçou o princípio da presunção de inocência e declarou que os fatos serão esclarecidos durante o andamento do processo.
Enquanto as investigações continuam, a operação Mens Occulta é considerada uma das maiores ofensivas recentes contra organizações criminosas envolvidas com tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro no país.








