Projeto prevê jornada de 40 horas semanais, dois dias de descanso e proíbe redução salarial
O Governo do Brasil acredita que o projeto de lei que prevê o fim da escala 6×1 poderá ser aprovado pelo Congresso Nacional em até três meses. A proposta foi enviada com urgência constitucional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (14).
A medida propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além da garantia de dois dias de descanso remunerado e a proibição de qualquer redução salarial.
Tramitação pode durar até 90 dias
Segundo o ministro Guilherme Boulos, o regime de urgência estabelece prazo máximo de 45 dias para análise na Câmara dos Deputados e mais 45 dias no Senado.
“A expectativa é que o projeto seja aprovado nesse período e sancionado para beneficiar trabalhadores de todo o Brasil”, afirmou.
Proposta prevê fim da escala 6×1 sem corte de salário
O texto garante que a mudança na jornada não poderá resultar em redução salarial, nem alteração de pisos, valendo para contratos atuais e futuros.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que a proposta representa um avanço na qualidade de vida dos trabalhadores.
“A redução da jornada sem redução de salário é uma valorização da vida. A escala 6×1 é uma das mais desgastantes, especialmente para as mulheres”, afirmou.
Novo modelo propõe escala 5×2
A proposta estabelece como padrão o modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, preferencialmente aos finais de semana.
O projeto também mantém possibilidades de flexibilização por meio de acordos coletivos, desde que respeitado o limite médio de 40 horas semanais.
Impacto pode atingir milhões de trabalhadores
Atualmente, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham na escala 6×1. Além disso, aproximadamente 37,2 milhões de trabalhadores cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais.
A proposta pode impactar diretamente esses profissionais, promovendo mudanças na organização do trabalho e no equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Governo destaca ganhos em saúde e produtividade
De acordo com o governo, jornadas mais equilibradas podem reduzir afastamentos por doenças e melhorar o desempenho no trabalho.
Dados apontam que, em 2024, o Brasil registrou cerca de 500 mil afastamentos por problemas psicossociais relacionados ao trabalho.
A expectativa é que a redução da carga horária contribua para melhorar a saúde mental, diminuir acidentes e aumentar a produtividade.
Mudança segue tendência internacional
A proposta aproxima o Brasil de outros países que já adotaram jornadas reduzidas. Na Europa, por exemplo, a carga horária semanal de 40 horas ou menos já é predominante.
Países da América Latina também seguem esse caminho, como Chile e Colômbia, que estão em processo de redução gradual da jornada.
Projeto ainda pode evoluir no Congresso
Apesar do envio com urgência, o texto ainda será debatido por deputados e senadores, podendo sofrer alterações antes da aprovação final.
O governo também defende que, após a aprovação do projeto, o tema avance para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), consolidando a mudança de forma permanente.








