Mesmo com a alta da Selic e a renda fixa chamando atenção, a demanda por FIIs deve se manter em alta

Prestes a completar 30 anos, os fundos de investimento imobiliário (FIIs) comprovam os benefícios da passagem de tempo e estão mais atraentes. Considerados queridinhos pelos brasileiros, eles têm consolidado o papel de democratizar os investimentos em imóveis no país.

De acordo com dados divulgados pela Bolsa de Valores (B3), os FIIs somam mais de dois milhões de investidores. O número é dez vezes o total verificado há cinco anos: em janeiro de 2018, foram contabilizados pouco mais de 200 mil.

Na avaliação da B3, a popularização recente dos FIIs é justificada pelo maior conhecimento dos brasileiros sobre educação financeira. A compreensão da importância de poupar e investir para proteger e aumentar o patrimônio financeiro despertou o interesse de novos investidores.

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) corrobora a análise. Em 2021, mais da metade dos brasileiros (56%) informou que havia realizado algum tipo de investimento. Em 2019, o percentual era de apenas 19%.

No momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou consecutivos cortes nas taxas de juros, houve uma queda na rentabilidade da renda fixa, o que fez com que muitas pessoas procurassem a renda variável. Os FIIs são considerados ativos variáveis que representam pouco risco ao investidor.

Além disso, a facilidade para investir e a possibilidade de seguir uma carteira recomendada de fundos imobiliários são outros fatores que podem ter contribuído para o crescimento do número de investidores.

Perspectivas para FIIs

Mesmo com a alta da Selic, a demanda dos FIIs não foi impactada. A taxa básica de juros está fixada em 13,75% ao ano, mas a perspectiva do Banco Central é que ela passe por um novo movimento de queda. Diante disso, os fundos imobiliários devem se manter em alta na preferência dos brasileiros pelos próximos meses.

Segurança e preço são atrativos

Os FIIs possuem características próprias que também são consideradas atrativas. A Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) explica que esse tipo de fundo é menos arriscado em comparação com outras opções de renda variável, como ações e criptomoedas.

Outro ponto favorável é o fato de os imóveis serem um tipo de investimento tradicional no país, considerados uma forma segura e estável para aumentar o patrimônio financeiro.

No entanto, antes da criação dos FIIs, o investimento na propriedade imobiliária ficava restrito aos grandes investidores, já que era necessário ter o valor total da compra disponível.

A comercialização dos fundos é feita através de cotas que garantem a participação do cotista nos lucros obtidos com o imóvel. Os preços são variados, o que propicia a participação de pequenos investidores.

Como qualquer tipo de investimento, os FIIs também apresentam riscos ao investidor. A Anbima destaca que entre eles estão a vacância, a depredação do imóvel e a inadimplência do inquilino.

Histórico dos FIIs

Os FIIs foram criados em junho de 1993, através da Lei nº 8.668, como um instrumento financeiro para atrair mais investidores ao mercado imobiliário.

A proposta foi inspirada no modelo do Real Estate Investment Trust (REIT), instituído nos Estados Unidos na década de 1960 com o propósito de fomentar os investimentos em imóveis através do acesso de pequenos investidores.

Há três tipos de FIIs, os de “papel” direcionam os recursos dos cotistas para a aquisição de títulos mobiliários, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras Hipotecárias (LH).

Os fundos de tijolo investem em imóveis prontos, como residenciais, salas comerciais, shoppings, galpões, entre outros. Já os fundos de fundos (FOFs) adquirem cotas de outros FIIs.

Como investir em fundos imobiliários

Para começar a investir em FIIs, é necessário ter uma conta em uma plataforma de investimentos para ter acesso ao home broker da B3, por onde são dadas as ações de compra e venda.

Segundo a orientação da Anbima, a escolha dos ativos deve ser baseada em uma análise criteriosa, considerando a localização e o tipo do imóvel, o valor da cota, as taxas cobradas pelo fundo, a transparência da gestão e as variáveis econômicas.

A equipe de profissionais da plataforma de investimento onde foi aberta a conta pode auxiliar o investidor na escolha.

Via | Assessoria   Foto | Freepik
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