Dos muitos absurdos que presenciamos (ou vivemos) no Brasil, um dos mais evidentes é o fato de estudarmos a lingua franca do momento por anos e anos e, às vezes depois de décadas, não sermos fluentes o bastante para ouvir áudios com entrevistas ou depoimentos sem reclamar que “eles falam rápido demais”, para entabular uma conversa decente com outros brasileiros ou estrangeiros sem titubear, para ler um livro originalmente no idioma de Shakespeare até o fim sem reclamar ou escrever um texto de poucas linhas sem grandes dificuldades, e com o mínimo de coerência e coesão.

Ainda considerado uma língua estrangeira no país, e tratado com certa antipatia e descaso nas instituições públicas de ensino em todos os estados da nação, o inglês ainda tem um quê de status em escolas franqueadas, como a Fisk e tantas outras. Nelas, hipoteticamente, acredita-se, aprende-se mais rapidamente e com elevada qualidade. Isso, vale ressaltar, normalmente acontece apenas com aqueles aprendizes que vão para as aulas para estudar, em vez de fazer outras coisas, menos nobres, por assim dizer.

Alunos preguiçosos e/ou relapsos, geralmente não irão aprender o suficiente para obter boas notas nas avaliações e tendem a atribuir a culpa pelo seu desempenho medíocre, abaixo do ideal, aos professores e às instituições que frequentam. Já aqueles que demonstram dificuldade natural para a aprendizagem da língua nem sempre estão dispostos o suficiente para fazer os sacrifícios que o processo de ensino-aprendizagem de um idioma exige tanto deles quanto daqueles que o cercam.

O resultado desse descompasso entre os interesses de parte a parte acabam por minimizar as oportunidades de aprendizagem e prática linguística de aprendizes promissores que, mal orientados ou vítimas das urgências da vida moderna, acabam se contentando com a aquisição de um pseudoconhecimento, que se esvai nas primeiras tentativas de ouvir, falar, ler ou escrever (em) inglês com/de qualidade em público.

É por esta é tantas outras situações por mim vividas ou presenciadas que eu costumo dizer que temos muito a melhorar no campo da educação, um terreno tão encharcado por crenças, mitos e ideologias ultrapassadas. E quase morro de rir da cara que fazem alguns incautos quando eu digo: “Meu inglês é muito bom? Uma ova!*”

P.S.: Afinal, a pessoinha diz isso baseada em quê?

 
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