Pandemia e quarentena também trazem fatores de risco para a saúde cutânea

O inverno é uma época que quase sempre causa problemas na pele, em especial o ressecamento. Nesses dias em que a meteorologia prevê um frio intenso em várias regiões do país, o médico Bernardo Gontijo, coordenador do Serviço de Dermatologia da Rede Mater Dei, dá dicas para evitar alterações cutâneas.

Segundo o médico, a pele, o maior órgão do corpo humano, desempenha múltiplas e variadas funções no nosso organismo. Fundamentalmente, atua como uma barreira que nos separa do meio ambiente impedindo a entrada de micro-organismos, alérgenos e outros agentes agressores. Adicionalmente, exerce funções de manutenção do equilíbrio térmico, é a principal sede de produção da vitamina D, promove a reparação de traumas e atua sensorialmente na percepção da dor, do tato e da temperatura.

No frio, a alteração cutânea mais frequente é o prurido (coceira) provocado pela perda de água através da pele e seu consequente ressecamento. Além disso, a escoriação da pele devido ao prurido aumenta o risco de penetração de bactéria e infeções secundárias. “O principal cuidado é a manutenção da barreira lipídica para impedir a desidratação”, explica o médico, lembrando que hábitos que contribuem para a redução dessa camada (banhos múltiplos, longos e excessivamente quentes, uso abusivo de sabões, buchas e esponjas) devem ser evitados ou reduzidos. “Os hidratantes e emolientes, de preferência sem cor ou fragrância, devem ser usados liberalmente, várias vezes ao dia, especialmente logo após o banho.” Outro cuidado que ele indica é que a pele não seja secada vigorosamente com toalha, mas sim levemente tocada, de modo que a pele ainda esteja um pouco úmida quando o hidratante for aplicado. É importante lembrar que a hidratação adequada da pele depende fundamentalmente da ingestão generosa de água e que deve ser mantida durante todo o ano, e não apenas nos meses de verão.

Pandemia e seus efeitos na pele

Bernardo Gontijo lembra, também, que a quarentena está causando alguns problemas de pele. “A pele é classicamente um ‘órgão de choque’, ou seja, várias de nossas sensações e traumas emocionais nela se refletem”, explica. “Assim, em uma época de estresse coletivo, como o que vivenciamos com a pandemia, com restrições de deslocamento e convívio social, é natural que as psicodermatoses surjam com maior frequência”, alerta ele. A permanência domiciliar prolongada, sem exposição ao sol, pode contribuir também para a redução dos níveis de vitamina D, que deve ser monitorado e eventualmente suplementado sob supervisão médica.

Outro problema ligado à pandemia é uma condição dermatológica denominada mask-acne, que consiste em um quadro semelhante à acne juvenil, porém restrito à região centro-facial coberta pela máscara. A associação entre a hiperprodução das glândulas sebáceas induzida pelo estresse e a oclusão produzida pela máscara forma uma combinação perfeita para o aparecimento das lesões. “O quadro pode ser controlado pela higienização frequente da face com produtos para remoção da oleosidade e uso de máscara restrito às situações indispensáveis”, afirma o dermatologista.

Alerta

O médico alerta que o uso indiscriminado de corticóides como automedicação para tratar essas doenças sem se consultar com um médico pode causar muitos problemas. “O Brasil é dos poucos países do mundo que permitem a venda de corticoides orais, tópicos ou injetáveis sem prescrição médica, o principal fator da automedicação”, destaca. “Os efeitos colaterais dessa automedicação variam desde alterações exclusivamente locais (dilatação de vasos, acne, atrofia da pele, estrias, dentre outros) até a inibição das glândulas suprarrenais pela absorção do corticoide aplicado de forma extensa e prolongada na pele. “As dobras da pele (axilas, virilhas, flexuras do joelho e do cotovelo), por serem áreas mais delgadas, apresentam maior risco de absorção”, diz Gontijo. “Já o uso indiscriminado nas pálpebras é fator de risco para glaucoma.”

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