Nutricionista da Clínica Integrada de Atenção à Saúde da Una alerta quanto aos perigos das práticas de jejuns e da dieta low-carb para a saúde 

Uma série de comportamentos de risco, como dietas restritivas, práticas de jejuns, métodos compensatórios inapropriados como vômitos, uso de laxantes e diuréticos, e atividade física excessiva, levou a Associação de Psiquiatria Americana a propor o uso do termo “comer transtornado” para descrever o espectro de questões alimentares disfuncionais, que vão desde a simples dieta até os transtornos alimentares.

Segundo a nutricionista da Clínica Integrada de Atenção à Saúde da Una, da Ânima Educação, Júnea Regina Pires Drews, a prática de dietas restritivas é considerada um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares e da ansiedade. Um longo período de grande restrição leva à vontade de comer e, ainda, causa um aumento anormal do apetite que, normalmente, leva a uma ingestão alimentar excessiva quando aquele alimento está disponível.

“A tendência é comer mais rápido do que o normal, comer até sentir-se desconfortavelmente cheio, comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação física de fome, comer sozinho por vergonha do quanto se está comendo e sentir-se desgostoso de si mesmo, deprimido ou muito culpado em seguida”, diz.

A especialista explica que esse sentimento de culpa, vergonha e insucesso, em falhar na restrição alimentar exagerada leva a situação de restrição novamente para compensar o “deslize”, como se fosse uma autopunição. Novamente, retomando o baixíssimo consumo de carboidratos há uma menor produção de substâncias como a sertonina e o triptofano, responsáveis pela sensação de bem-estar, otimismo, e prazer.

“Atualmente, o que temos visto é o aumento do incentivo das práticas não supervisionadas de dietas restritivas. Vivemos a era do vício em açúcar, e do uso do jejum intermitente associado com o low-carb, as dietas que restringem ou suprimem os carboidratos. Tudo isso pode levar a alterações de comportamento e danos à saúde”, diz.

Ao mesmo tempo que dietas da moda e o jejum prometem, e em geral conseguem, rápidas reduções de peso, também trazem riscos clínicos importantes. “Nesses casos, a glicemia está reduzida de forma importante em indivíduos obesos que são submetidos ao jejum. Em pessoas obesas não diabéticas, o jejum pode causar uma redução da tolerância à glicose”, diz.

O jejum e as dietas de baixíssimo valor calórico também produzem níveis elevados de ácido úrico, redução da eliminação urinária, e diminuição de massa magra/músculo. Em comparação com a uma dieta normal, o jejum prolongado eleva a excreção urinária de potássio e a concentração de outros eletrólitos na urina como sódio, cálcio, magnésio e fosfato. Reduções no volume sanguíneo e na quantidade de líquidos corporais também são comuns com o jejum e com algumas dietas da moda, podendo resultar em episódios de fraqueza e desmaios.

A estratégia recomendada pela nutricionista da Clínica Integrada de Atenção à Saúde da Una para redução de peso passa pela moderação e pelo equilíbrio. Uma dieta nutricionalmente correta deve provocar uma restrição calórica leve, estrategicamente calculada por um profissional da área, associada a um programa de exercícios físicos (determinados pelo educador físico), junto com modificações comportamentais dos hábitos alimentares.

A taxa de redução de peso não deve ultrapassar 1kg por semana. “Para manter um controle de peso adequado e percentuais ótimos de gordura corporal, é necessário um compromisso por toda a vida com hábitos alimentares adequados e atividade física regular, principalmente aquela atividade física que lhe garanta mais prazer”, recomenda.

Fonte | Assessoria

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