Para analistas, 66% da recente alta do dólar tem relação com fatores internacionais, e incorporação de risco eleitoral deve pesar no mercado

Após passar quase dois meses oscilando dentro de um patamar entre R$ 3,20 e R$ 3,30, o dólar iniciou um movimento de forte alta em abril e na última semana superou o nível dos R$ 3,50, o que não acontecia desde junho de 2016. A questão é este novo cenário ainda não incorpora um dos principais riscos do mercado: as eleições. E isto pode levar a moeda norte-americana subir ainda mais nos próximos meses.

Segundo analistas esta rápida valorização do dólar tem ocorrido em nível global, puxada por fatores internacionais. Para os economistas do Credit Suisse, 66% da depreciação cambial entre fevereiro e abril foi consequência do cenário externo, como o aumento de juros nos Estados Unidos ou a maior aversão ao risco por conta da guerra comercial.

Ou seja, apenas um terço deste movimento tem relação com eventos domésticos, sendo que isso não se resume apenas ao cenário eleitoral. O Credit destaca que outro fator que corrobora essa tese é o fato de que a desvalorização do real parece estar mais correlacionada com o movimento dos Treasuries de 10 anos do que com o CDS de 5 anos.

“Em abril, o descolamento ficou ainda maior entre o real e o CDS, que tem se mantido relativamente estável e em níveis baixos. Assim, parece que a incerteza eleitoral até agora impactou pouco o movimento do real, e sua importância deve ter maior peso no segundo semestre, com o início das campanhas no rádio e na TV”, afirmam os analistas do Credit.

E diante desta análise, na última semana o diretor executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme, afirmou que o dólar pode chegar a R$ 3,75 antes das eleições em um cenário que o ex-presidente Lula realmente fique de fora da disputa. Porém, se o petista conseguir concorrer ao pleito, a moeda norte-americana poderia chegar a R$ 4,00.

Na última semana, em entrevista do InfoMoney/UM BRASIL, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, comentou o risco do cenário eleitoral para o dólar, dizendo que a moeda tem potencial para atingir os R$ 3,70 no segundo semestre. “A gente comentava em dólar a R$ 3,50 mais para agosto, por conta da eleição, mas isso aconteceu muito antes do esperado”, afirmou o economista.

Segundo ele, a evolução do preço da moeda norte-americana é diferente de 2002, quando houve uma “explosão”. E por conta disso, este movimento não deve afetar as decisões do Banco Centralneste momento em relação aos juros. Para Vale, porém, a eleição de um candidato pró-reformas, que seja bom para o mercado, deve levar o câmbio de volta para a casa de R$ 3,30. “O câmbio atual não é culpa nossa, mas agora, daqui para frente, teremos culpa se trilharmos o caminho errado”, disse.

O mês de abril foi marcado pela valorização do dólar em geral, além de um forte salto dos Treasuries que, ultrapassaram pela primeira vez desde janeiro de 2014 a marca de 3% em meio a expectativas de aceleração da inflação dos EUA, guerra comercial e sanções na Rússia, resultando em um aumento da aversão ao risco pelos investidores.

Após terminar março em R$ 3,30, o dólar iniciou uma forte arrancada, fechando o mês passado com valorização de 6%, já acima de R$ 3,50, movimento que se seguiu desde então. Na máxima recentes, a moeda norte-americana chegou a R$ 3,5491, levando o Banco Central a intervir no mercado, iniciando mais cedo a rolagem dos swaps cambiais programados para vencer no começo de junho, ofertando uma quantidade de contratos superior à necessária para a rolagem integral do vencimento. Apesar disso, o cenário segue tenso e, mesmo após duas quedas seguidas, o dólar voltou a subir, se mantendo acima de R$ 3,50.

Fonte | Infomoney

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