O segredo para atingir qualquer objetivo na vida (quase) sempre se resume à clareza do que se quer, à constância das ações empreendidas e à persistência física/mental para, digamos, chegar lá. Isso vale para praticamente tudo aquilo que tem origem no interesse individual ou coletivo de todos e de cada um nós. Isso inclui o campo da educação, logicamente, e mais especificamente a linguagem em suas várias formas de ser manifesta. Isso engloba, inclusive, a área do ensino/aprendizagem de idiomas, que inclui a língua inglesa, of course.

Seja no Ensino Fundamental, Ensino Médio, cursos preparatórios, faculdades/universidades, cursos livres/franqueados ou escolas de profissões, o inglês (ou a língua inglesa, se preferir) aparece aqui ou ali como matéria obrigatória, optativa ou complementar na grade curricular das diferentes instituições. Desta forma, e já faz algum tempo, pode-se dizer que querer “saber inglês” já virou uma febre, ou uma “necessidade”, que é como as pessoas costumam dizer atualmente.

Com isso, crianças, jovens e adultos têm a oportunidade de frequentar aulas que duram de 45 minutos a três horas (ou mais!) semanalmente, caso queiram ser fluentes na lingua franca do momento. Para cada público, dependendo da faixa etária, da metodologia ou do material didático escolhido e do foco adotado (com maior ênfase na conversação ou na redação/tradução de textos, por exemplo), diferentes atividades dentro ou fora da sala de aula são propostas, mas quase a sua totalidade não atinge o resultado almejado. Pergunta óbvia: por quê?

Dos muitos motivos que explicam tal realidade brasileira, o pouco tempo de estudo do e exposição ao idioma-alvo (neste caso o inglês, remember?) ajudam a compreender um cadinho mais o incrível fenômeno que ocorre no país: somos péssimos para ouvir, falar, ler e escrever em língua inglesa – e muitos de nós deviam voltar a estudar era o glorioso português (ou a gloriosa língua portuguesa), para ser sincero.

Claro que uma (boa) dose de inibição e insegurança ajudam a compor um cenário mais (des)favorável para o/a aprendiz brasileiro/a do idioma bretão, mas isso serve mais de desculpa do que de justificativa para esta tragédia educacional que teima em continuar a existir entre nós, década após década, desde os tempos coloniais, mesmo depois de tantos esforços por parte de autoridades, pesquisadores e (poucos) professores para minimizar tamanho caos.

Para mim, a opção mais plausível (além de óbvia e barata) não é apenas criar mecanismos que permitam o contato diário e constante com a língua dos cantores e compositores John Legend (aliás, John  Roger Stephens, americano) e Ed Sheeran (aliás, Edward Christopher Sheeran, britânico), mas oferecer algo que vá muito além de mesmices como usar músicas e filmes para passar tempo em vez de aprender, invencionices de última hora ou “métodos infalíveis” que abundam no mercado, e custam caro. Ou seja, assim como não é preciso reinventar a roda, também não é necessário recriar uma língua, em especial a inglesa (como querem algumas pessoas), com seus idiotismos lexicais e bizarrices semântico-sintáticas que nos deixam estarrecidos de vez em quando. Come on!

Para que isso efetivamente aconteça, creio, o estudo/aprendizado sistematizado, sério e diário estaria de bom tamanho e traria, cedo ou tarde, os resultados almejados. Simples assim: 366 dias por ano (se ele for bissexto) ouvindo, falando, lendo e escrevendo em inglês, nem que seja apenas por alguns minutos diariamente. Se isso (oxalá!) ocorrer, tão naturalmente como nós respiramos, bebemos e comemos todos os dias, diga-me, o que pode dar errado no caminho da tão desejada fluência na English language? O quê?

Fonte | Jerry Mill -Mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), membro-fundador da Academia Rondonopolitana de Letras (ARL), conselheiro da ALCAA (Associação Livre de Cultura Anglo-Americana) e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis

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