Dono de avião é identificado entre os 3 mortos em queda em MT; polícia investiga possível tráfico internacional



Vanderlei Sattler, de 65 anos, foi identificado pela Politec. Outras duas vítimas seriam paraguaias; aeronave tinha possível destino à Venezuela e não possuía registro na Anac.

O empresário Vanderlei Sattler, de 65 anos, foi identificado como uma das três vítimas da queda de um avião de pequeno porte em Água Boa, no Mato Grosso. O acidente aconteceu no dia 10 de setembro, em uma região rural e isolada do município, a cerca de 730 quilômetros de Cuiabá.

Segundo informações da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), as outras duas vítimas ainda não tiveram a identidade oficialmente divulgada. A perícia aponta, porém, que os dois homens eram de nacionalidade paraguaia.

Vanderlei era natural de Montenegro, no Rio Grande do Sul, e atuava como sócio-administrador de uma empresa de assessoria aeronáutica. A família entrou em contato com a Politec e solicitou a liberação dos restos mortais para cremação.

Vanderlei Sattler, de 65 anos

Polícia investiga possível ligação com tráfico internacional

A queda do avião passou a ser investigada pela Polícia Civil de Mato Grosso diante de uma série de circunstâncias consideradas suspeitas.

De acordo com os investigadores, a aeronave poderia ter como destino a Venezuela e há uma linha de investigação que apura se o avião estaria sendo utilizado em uma operação relacionada ao tráfico internacional de drogas.

A polícia, entretanto, ainda não confirmou que havia drogas dentro da aeronave no momento da queda.

A investigação considera informações sobre o itinerário, a compra do avião, a situação dos ocupantes e a ausência de documentação regular.

Avião não tinha registro na Anac

A aeronave era um Cessna, de prefixo N401NA, e, segundo a Polícia Civil, não possuía registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a forma como o avião teria sido adquirido.

Segundo os levantamentos policiais, a aeronave teria sido comprada por um valor elevado por uma pessoa cuja situação financeira, conforme a investigação, não seria compatível com a negociação.

O pagamento teria sido realizado parcialmente em dinheiro e parcialmente por meio de um veículo de alto valor.

Ainda segundo a investigação, esse veículo já havia sido registrado anteriormente em nome de uma pessoa investigada por tráfico internacional de drogas.

Aeronave teria saído de Goiânia sem plano de voo

A investigação também aponta que o avião teria decolado de Goiânia (GO) sem documentação válida, autorização ou plano de voo aprovado.

Diante da ausência de um plano de voo regular, os investigadores precisaram reconstruir o possível trajeto da aeronave com base em outras informações, incluindo imagens de câmeras de segurança que registraram o embarque dos ocupantes.

Familiares de um dos passageiros também teriam informado à polícia que ele havia comentado que viajaria para a Venezuela.

Um dos ocupantes tinha restrição para deixar o país

Outro elemento investigado pela Polícia Civil é a situação judicial de um dos ocupantes.

Conforme os levantamentos, ele possuía pendências judiciais em seu país de origem e teria uma restrição que o impedia de deixar o território nacional.

Os nomes dos demais envolvidos não foram divulgados pela Polícia Civil. Segundo a corporação, a preservação das identidades é necessária para não prejudicar o andamento das investigações.

Relembre o acidente

O avião caiu em uma área rural e isolada de Água Boa no dia 10 de setembro e foi destruído pelo incêndio provocado após a queda.

Os três ocupantes morreram.

Na primeira reportagem publicada pelo GiroMT, o portal já havia informado que a aeronave era investigada pela Polícia Civil por possível ligação com o tráfico internacional de drogas e que o possível destino seria a Venezuela.

👉 Leia a primeira matéria do GiroMT sobre a queda do avião em MT

Investigação entra na fase final

Segundo a Polícia Civil, a investigação está em fase final e aguarda a conclusão dos laudos periciais, principalmente aqueles relacionados à identificação técnica das vítimas.

Os investigadores continuam analisando a compra da aeronave, a forma de pagamento, o itinerário, a ausência de documentação e as circunstâncias da queda.

A polícia também busca esclarecer se o avião estava de fato relacionado a uma operação de tráfico internacional de drogas.

Até o momento, essa possibilidade continua sendo investigada e não há confirmação oficial de que os ocupantes transportavam drogas no voo.

O que já foi apurado

  • Vanderlei Sattler, de 65 anos, foi identificado como uma das vítimas;
  • As outras duas vítimas seriam de nacionalidade paraguaia;
  • O avião era um Cessna N401NA;
  • A aeronave não possuía registro na Anac, segundo a Polícia Civil;
  • O avião teria saído de Goiânia sem plano de voo aprovado;
  • A investigação considera a possibilidade de destino para a Venezuela;
  • A Polícia Civil apura possível relação com tráfico internacional de drogas;
  • Não há confirmação de que drogas estavam na aeronave;
  • A investigação aguarda a conclusão dos laudos periciais.
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