O gerente de Produção de Sementes da Polato, Ivan Carlos Riedo apresentou os principais desafios de embarque, transporte e entrega em um mercado que movimenta R$ 47,3 bilhões no país
O mercado nacional de sementes certificadas das principais culturas movimenta R$ 47,3 bilhões ao ano, sendo R$ 27,6 bilhões somente com a soja, aproximadamente 58% desse total, segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). Em uma cadeia desse porte, garantir que a semente produzida com qualidade chegue corretamente ao produtor, dentro da janela de plantio, tornou-se uma operação cada vez mais estratégica.
Esse foi o tema da palestra do gerente de Produção de Sementes da Polato, Ivan Carlos Riedo, durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes, realizado entre 25 e 28 de agosto, em Foz do Iguaçu (PR). Com a apresentação “A Semente Certa, no Lugar Certo, na Hora Certa”, o engenheiro agrônomo e mestre destacou os desafios da logística e do embarque para garantir que a qualidade construída durante a produção e o beneficiamento seja preservada até a chegada da semente ao produtor.
Segundo o especialista, a logística define se a semente vai manter genética, qualidade e germinação até o destino, chegar exatamente à propriedade e ao lote programados e, principalmente, ser entregue dentro da estreita janela de plantio. “A logística é o fio invisível que conecta os três pilares. Quando ela falha, o conceito inteiro falha junto”, destacou Ivan durante a apresentação.
Disputa por caminhões pressiona embarques
Um dos principais desafios apresentados está na concentração das operações durante a pré-safra. Nesse período, fertilizantes e defensivos estão chegando às propriedades, a produção da safra anterior ainda está sendo escoada e as sementes precisam seguir para o campo praticamente ao mesmo tempo.
O resultado é uma disputa por caminhões, espaço de armazenagem e capacidade operacional em uma janela relativamente curta. Nesse cenário, Ivan destacou que o planejamento do embarque começa muito antes da chegada do veículo à unidade. A quantidade de caminhões programada diariamente precisa ser compatível com a capacidade da operação, evitando congestionamentos no carregamento.
O tratamento das sementes também deve estar sincronizado ao cronograma logístico para que os lotes estejam disponíveis exatamente no momento previsto. “A Polato trabalha hoje para beneficiar as sementes de forma rápida, em uma nova Indústria inaugurada neste ano para trazer mais celeridade e tecnologia para esse processo”, afirma.
Controle rigoroso de qualidade
Na apresentação, o especialista mostrou ainda que a responsabilidade sobre a qualidade da semente não termina no beneficiamento. O calor excessivo durante o transporte pode reduzir vigor e germinação, a umidade ou chuva durante carga e descarga podem comprometer lotes, e o manuseio inadequado pode provocar danos às embalagens e aumentar o risco de contaminação.
“Uma semente pode sair do beneficiamento com excelente qualidade e chegar comprometida. O transporte é parte do controle de qualidade, não um detalhe posterior a ele”, afirmou Ivan.
O impacto se torna ainda maior porque a entrega está diretamente ligada à janela agronômica. A irregularidade climática pode apertar ainda mais o calendário de plantio, especialmente em regiões de fronteira agrícola.
Tecnologia ajuda a antecipar riscos
Entre as soluções apresentadas estão rastreabilidade em tempo real, monitoramento de localização, temperatura e umidade das cargas, roteirização inteligente, integração entre sistemas de transporte e armazenagem e plataformas para agendamento dos veículos.
A própria estrutura de embarque e a capacitação dos motoristas fazem parte do processo de proteção da semente até o destino. “Na logística de sementes, excelência é entregar qualidade no lugar certo e na hora certa, com planejamento, tecnologia e pessoas capacitadas”, resumiu.
Ivan Carlos Riedo é engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Ciência e Tecnologia de Sementes pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Com mais de 15 anos de experiência na produção de sementes de grandes culturas, atua como gerente de Produção de Sementes da Polato Sementes, em Rondonópolis (MT). Também coordena comitês técnicos ligados à Abrasem e à Aprosmat.
Via | Assessoria Polato










