O cerco fechou de vez para o crime ambiental em Mato Grosso. Em uma das maiores ofensivas já registradas no estado, a força-tarefa do Governo Federal atingiu a marca de 1.090 operações integradas na Terra Indígena Sararé. O impacto no bolso dos criminosos é devastador: o prejuízo estimado já alcança R$ 93,3 milhões.
A megaoperação, coordenada pela Casa Civil e em curso desde o fim de março de 2026, entrou na sua 11ª semana consecutiva com um objetivo claro: desarticular completamente a extração ilegal de ouro na região.
O “Cemitério” do Garimpo: Máquinas destruídas e toneladas de explosivos
Para sufocar o avanço do garimpo, as forças de segurança federais focaram na destruição e apreensão da infraestrutura pesada utilizada pelos criminosos. O balanço dos materiais inutilizados impressiona:
- 🚜 29 escavadeiras hidráulicas (PCs) destruídas ou apreendidas;
- ⚙️ 726 motores de garimpo e 284 geradores de energia;
- 🛠️ 345 maquinários leves e 81 motocicletas usadas no suporte logístico;
- 💣 Mais de 1,5 tonelada de explosivos apreendida.
O perigo do “Garimpo de Filão”
A grande quantidade de explosivos localizados revela que os criminosos vinham utilizando intensamente a tática do “garimpo de filão”. Nesse método, dinamites são usadas para perfurar o solo e fragmentar rochas profundas em busca de ouro. A prática, além de causar danos ambientais irreversíveis, expõe os próprios trabalhadores a riscos extremos de desabamento e morte.

Dezenas de prisões e o saldo da desintrusão
Entre março e junho deste ano, 124 pessoas foram conduzidas para a Delegacia da Polícia Federal. Desse total, 45 foram autuadas em flagrante direto dentro do território indígena portando ouro, maquinários ou insumos de suporte ao garimpo.
“Nossa atuação é contínua e diversificada… Estamos atuando em várias frentes para desarticular tudo aquilo que a atividade criminosa promoveu no território”, destacou Nilton Tubino, coordenador da força-tarefa pela Casa Civil.
O drama do povo Nambikwara
Homologada em 1985, a Terra Indígena Sararé possui 67 mil hectares e é o lar de 201 indígenas do povo Nambikwara, divididos em sete aldeias.
Nos últimos anos, a paz dessas famílias foi severamente afetada pelo avanço do ouro ilegal. Estima-se que mais de 4.200 hectares do território já tenham sido severamente impactados e destruídos pela atividade. A operação atual de desintrusão busca devolver a segurança e iniciar o processo de recuperação ambiental da área degradada.
A megaoperação segue por tempo indeterminado e as forças federais continuam patrulhando a região sul de Mato Grosso.
Fotos | Diego Campos – Secom








