Quer engravidar depois dos 35? Saiba quais cuidados tomar desde o início



Com brasileiras tendo filhos mais tarde, planejamento e acompanhamento médico são essenciais para reduzir riscos

As mulheres estão escolhendo o momento de ser mãe com mais consciência, planejamento e intenção, comprovando uma mudança concreta no perfil da maternidade no Brasil. De acordo com o IBGE, as brasileiras estão tendo filhos mais tarde, ao mesmo tempo em que o número médio de filhos por mulher diminuiu, refletindo uma decisão mais planejada e alinhada ao projeto de vida.
 

A chamada maternidade tardia, geralmente considerada a partir dos 35 anos, não é um impedimento para uma gestação saudável, mas exige cuidados específicos antes e durante a gravidez. Pensando nisso, a Dra. Marcia Castilho da Silva, ginecologista do dr.consulta, destaca abaixo como garantir segurança tanto para a mulher quanto para o bebê. Confira:

Planejamento – Para quem pretende engravidar, a orientação é iniciar o processo com uma consulta ao ginecologista. O profissional irá avaliar o estado geral de saúde, histórico clínico e possíveis fatores de risco, além de orientar sobre exames e ajustes necessários.

Para Márcia, entre os principais cuidados estão a realização de um check-up completo, incluindo avaliação de pressão arterial, glicemia, tireoide e doenças crônicas, além da revisão de medicamentos em uso e a adoção de hábitos mais saudáveis, como alimentação equilibrada, manutenção do peso adequado e interrupção do tabagismo e consumo de álcool. O uso de ácido fólico também é recomendado antes da concepção.

“Após os 35 anos, recomenda-se buscar avaliação médica após seis meses de tentativas sem sucesso. Já a partir dos 40 anos, a investigação pode ser imediata, com possibilidade de encaminhamento para especialistas em reprodução assistida, quando necessário”, afirma Márcia.

Pré-natal precoce e acompanhamento contínuo – Para mulheres que já estão grávidas, o início precoce do pré-natal é essencial. A primeira consulta deve acontecer o quanto antes para a realização de exames iniciais, como ultrassonografia e testes laboratoriais, além de uma avaliação clínica completa.
 

Durante a gestação, o acompanhamento inclui o monitoramento da pressão arterial, rastreamento de diabetes gestacional e realização de ultrassonografias em diferentes fases. Também é possível discutir com o médico opções de rastreamento genético ainda no início da gravidez.
 

“O pré-natal deve ser contínuo e individualizado, com atenção a qualquer sintoma fora do padrão e cuidado com a saúde emocional da gestante, que também desempenha papel importante ao longo do processo”, pontua a ginecologista
 

Acompanhamento por trimestre e atenção redobrada após os 40 – Cada fase da gestação demanda cuidados específicos. No primeiro trimestre, são realizados exames iniciais e rastreamentos, enquanto no segundo, o foco está no desenvolvimento do bebê, com destaque para o ultrassom morfológico. O monitoramento do crescimento fetal se intensifica no terceiro trimestre.

Em mulheres com mais de 40 anos, o acompanhamento tende a ser ainda mais frequente, devido ao aumento de alguns riscos associados à idade.

Decisão sobre o parto – A definição do momento e da via de parto deverá ser feita de forma individual sempre baseada nas condições clínicas da gestante e do bebê e principalmente nas eventuais comorbidades (diabetes/HAS/obesidade e outras) que possam estar presentes. A idade da gestante nunca definirá o momento do término da gestação, mas sim o conjunto clínico-obstétrico.
 

Informação e acompanhamento fazem a diferença – A gravidez após os 35 anos não deve ser encarada como um problema, mas como uma fase que exige mais atenção e planejamento. Com acompanhamento adequado, acesso à informação e cuidado individualizado, é possível vivenciar a gestação com segurança e tranquilidade.

“Para mulheres que estão planejando engravidar ou que já descobriram a gestação, recomendamos buscar orientação com um ginecologista obstetra e iniciar o acompanhamento o quanto antes”, finaliza a ginecologista.

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