Planejamento de longo prazo, leitura estratégica e treino constante são aliados
para quem sonha com uma vaga na maior universidade do Brasil
A Universidade de São Paulo (USP) é a maior do Brasil e segunda melhor da América Latina e Caribe, segundo o QS World University Rankings 2026. O vestibular, organizado pela Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST), é considerado um dos mais difíceis e concorridos entre os processos seletivos nacionais. Para quem busca uma vaga na instituição de ensino em 2027, a recomendação é começar a preparação desde já.
Segundo Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), a complexidade da FUVEST exige do estudante uma postura diferente desde o início da preparação. “A FUVEST não é uma prova que se vence com estratégias de curto prazo. Ela exige aprofundamento conceitual, constância nos estudos e desenvolvimento do raciocínio crítico. Quanto antes o aluno entende o perfil da banca e organiza sua rotina, maiores são as chances de chegar competitivo no dia da prova”, orienta.
COMO É A PROVA DA FUVEST?
O vestibular da USP apresenta um formato mais tradicional, reconhecido por seu alto nível de exigência, tendo foco em profundidade e precisão técnica, com estrutura própria, que valoriza tanto o conteúdo quanto a forma como o candidato pensa e se expressa. Mais do que decorar conteúdos, a FUVEST busca identificar estudantes com raciocínio crítico, domínio conceitual e capacidade de relacionar ideias entre diferentes áreas do conhecimento.
As provas acontecem tradicionalmente em duas fases, entre os meses de novembro e dezembro, para seleção dos alunos para o ano letivo seguinte. Na primeira fase, os candidatos respondem a 90 questões de múltipla escolha, que abrangem todas as disciplinas do ensino médio: Língua Portuguesa, Literatura, Matemática, História, Geografia, Biologia, Física, Química, Inglês, Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física.
Já a segunda fase é dividida em dois dias de prova. O primeiro dia de prova traz dez questões discursivas de Língua Portuguesa e uma redação; enquanto o segundo dia de provas traz 12 questões discursivas específicas, de acordo com o curso escolhido.
Na avaliação do coordenador do BIS, compreender o formato da prova é decisivo para uma boa estratégia de preparação. “É fundamental que o estudante treine desde cedo com provas anteriores e simulados completos. A Fuvest valoriza clareza, organização do pensamento e precisão conceitual, especialmente nas questões discursivas. Não basta saber o conteúdo: é preciso saber explicá-lo”, destaca.
REDAÇÃO DA FUVEST
Desde o vestibular 2026, a banca da FUVEST permite ao candidato produzir outros gêneros textuais além do tradicional formato dissertativo argumentativo – como cartas, crônicas ou discursos, o que amplia as possibilidades de expressão e exige atenção redobrada ao contexto da proposta. A mudança segue uma tendência observada em outros vestibulares e reflete a importância crescente das competências de comunicação no ensino superior e no mercado de trabalho, que valorizam a clareza, a capacidade de adaptação e a expressão em diferentes contextos.
De acordo com o coordenador do BIS, a redação segue tendo papel central no processo seletivo. “A redação tem um peso significativo e pode ser decisiva para a aprovação. A FUVEST avalia não apenas a escrita correta, mas a capacidade de compreender a proposta, adaptar-se ao gênero solicitado e construir um texto coerente e bem articulado. Treinar diferentes gêneros textuais e ampliar o repertório de leitura é indispensável”, afirma Henrique.
Além disso, o coordenador destaca a importância do repertório sociocultural na construção de bons textos e argumentações consistentes. “O estudante que desenvolve um repertório sólido, com referências históricas, literárias, filosóficas e científicas, consegue fundamentar melhor suas ideias, sustentar seus pontos de vista com legitimidade e construir uma retórica mais persuasiva. Não se trata apenas de citar autores, mas de mobilizar conhecimentos de forma produtiva, articulando-os ao tema proposto e demonstrando maturidade intelectual.”
LIVROS OBRIGATÓRIOS
A FUVEST elenca, todos os anos, 9 obras obrigatórias que são cobradas em seu vestibular. O certame de 2027 traz livros escritos exclusivamente por autoras mulheres de língua portuguesa, buscando valorizar diferentes perspectivas, ampliar a representatividade e fomentar reflexões sobre o papel feminino na literatura e na sociedade.
- Opúsculo Humanitário (1853) – Nísia Floresta
- Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
- Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
- Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
- A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
- Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
- Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
- Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
- A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida
Para dar conta da lista, o planejamento é essencial. “O ideal é distribuir a leitura ao longo do ano, com metas realistas e acompanhamento constante. O estudante pode alternar obras mais densas com leituras mais fluídas, fazer fichamentos e registrar temas, personagens e símbolos recorrentes”, orienta Henrique.
Caso não seja possível ler todas as obras integralmente em tempo hábil para a prova, ele pondera: “O contato direto com o texto é sempre o melhor caminho, mas resumos críticos, análises confiáveis e aulas de apoio ajudam a compreender o estilo literário das autoras e os eixos centrais cobrados pela banca”.
O QUE MAIS CAI NA PROVA?
A FUVEST avalia competências amplas, como interpretação, raciocínio lógico e capacidade de conexão entre temas.
“As questões exigem que o aluno compreenda conceitos, estabeleça relações entre disciplinas e saiba aplicar o conhecimento em diferentes situações. Estudar por competências, e não apenas por matérias isoladas, faz muita diferença”, explica Henrique.
Conteúdos que costumam aparecer com recorrência na FUVEST:
Língua Portuguesa: interpretação textual, gêneros textuais, reconhecimento e análise de sentido;
Inglês: interpretação de texto em língua inglesa; compreensão de vocabulário e leitura crítica;
Matemática: geometria plana, funções, trigonometria, probabilidade, análise combinatória;
Biologia: ecologia, genética, fisiologia animal e humana;
Química: química geral e físico-química, reações orgânicas, atomística;
Física: mecânica (trabalho, energia), eletrodinâmica/eletrostática, interpretação de fenômenos;
História: história do Brasil (colônia, império, república), além de história geral moderna e contemporânea;
Geografia: interpretação de mapas, questões ambientais, geopolítica, população e urbanização;
Sociologia e Filosofia: movimentos sociais, cidadania, cultura, teoria sociológica clássica (estas disciplinas têm presença crescente).
PLANEJAMENTO DOS ESTUDOS PARA A FUVEST
De acordo com o coordenador do BIS, quem deseja ingressar na USP em 2027 precisa estruturar um plano de estudos consistente, de médio e longo prazo, considerando o alto nível de exigência da Fuvest e o peso das provas discursivas.
“A Fuvest valoriza profundidade conceitual, clareza de raciocínio e domínio da escrita. Por isso, o ideal é que o estudante se organize desde cedo, equilibrando teoria, prática, leitura e produção textual ao longo do ano”, orienta.
A seguir, o educador sugere um plano de estudos prático, que pode ser adaptado à rotina de cada estudante.
Organização mês a mês
Fevereiro a abril, construção da base: fase dedicada à retomada e consolidação dos conteúdos centrais do Ensino Médio.
– Estudar a teoria de todas as disciplinas, sempre acompanhada de exercícios objetivos;
– Dar atenção especial à interpretação de textos, gráficos, tabelas e enunciados mais longos;
– Iniciar o treino de redações quinzenais, explorando diferentes gêneros textuais;
– Começar a leitura das obras literárias obrigatórias, com apoio de fichamentos.
Maio a julho, consolidação e aprofundamento: momento de ganhar ritmo e aprofundar os conteúdos mais recorrentes na prova.
– Aumentar o volume de exercícios, priorizando provas anteriores da Fuvest;
– Introduzir gradualmente questões discursivas, com foco na clareza e organização das respostas;
– Passar a produzir uma redação por semana;
– Avançar de forma constante na leitura das obras literárias.
Agosto a setembro, adaptação ao estilo da prova: com o conteúdo mais estruturado, o foco passa a ser o formato da banca.
– Realizar simulados completos da 1ª fase a cada 15 dias;
– Analisar erros com atenção, identificando padrões de dificuldade;
– Treinar redações com tempo cronometrado;
– Intensificar o treino de questões discursivas, simulando a 2ª fase.
Outubro a novembro, reta final e equilíbrio emocional: etapa voltada à manutenção do desempenho e à segurança do candidato.
– Fazer revisões direcionadas aos conteúdos mais cobrados;
– Realizar simulados semanais, respeitando o tempo real da prova;
– Treinar respostas discursivas mais longas;
– Reduzir gradualmente o ritmo nos dias que antecedem a prova, priorizando descanso e concentração.
Organização semanal
A distribuição das áreas do conhecimento ao longo da semana pode seguir a lógica:
– Segunda-feira: Linguagens (Língua Portuguesa, Literatura e Inglês);
– Terça-feira: Ciências Humanas (História, Geografia, Filosofia e Sociologia);
– Quarta-feira: Ciências da Natureza (Biologia, Química e Física);
– Quinta-feira: Matemática;
– Sexta-feira: Redação e leitura das obras literárias e de atualidades.
A recomendação é estudar, em média, de duas a três horas por dia, distribuídas da seguinte forma:
– 20 minutos de revisão do conteúdo estudado anteriormente;
– 70 a 80 minutos de estudo teórico com exercícios;
– Pausa curta para descanso;
– Mais um bloco de estudo voltado à prática ou à redação.
SAÚDE EMOCIONAL E BEM-ESTAR
Cuidar da saúde emocional é parte essencial da preparação para a Fuvest. “Estamos falando de um vestibular longo, exigente e que demanda constância. Sem equilíbrio emocional, o rendimento cai, mesmo quando o estudante domina o conteúdo”, alerta Henrique Barreto Andrade Dias.
Manter uma rotina organizada, intercalar estudo e descanso, praticar atividade física regularmente e garantir boas noites de sono ajudam a reduzir a ansiedade e aumentar a concentração. “Quando o aluno entende que o processo de preparação também envolve autocuidado, ele se sente mais confiante e chega à prova mais seguro. Esse amadurecimento vai muito além da aprovação e será fundamental ao longo de toda a vida acadêmica”, conclui o coordenador.
O especialista
Henrique Barreto Andrade Dias é licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.
Sobre a ISP – International Schools Partnership
A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo. Para mais informações, acesse o site.





