O prefeito José Carlos do Pátio assinou na tarde desta quinta-feira (05), na sala de reuniões do Paço Municipal, o Decreto Municipal nº 10.839 de 04/05/2022, de tombamento como Patrimônio Histórico Cultural da cidade, a sede da Fazenda Velha, que foi propriedade do Marechal Candido Mariano da Silva Rondon, fundador de Rondonópolis e que empresta o nome à própria cidade.

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Felipe Godoi – Gcom

Todavia para que esse sonho de parte da população preocupada com a preservação dos registros históricos da memória local fosse concretizado, muito trabalho foi realizado. A Secretaria Municipal de Cultura iniciou os estudos e levantamentos histórico, cultural e patrimonial em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso, para que fosse dado início ao processo legal de tombamento do patrimônio.

O documento final que reúne cerca de 300 páginas de registros, documentos, laudos técnicos etc., foi entregue ao prefeito José Carlos do Pátio para que ele pudesse ter conhecimento de todo o registro histórico e cultural do espaço, avaliasse e decidisse pela oficialização do tombamento.

HISTÓRIA

Segundo consta nos registros e depoimentos relatados por pioneiros da cidade, o imóvel teria sido construído por volta de 1.900, sendo essa a primeira edificação levantada dentro do limite territorial do município de Rondonópolis. Um dos principais fatores que fizeram a comissão tomar essa decisão, foi que documentos históricos, comprovaram a propriedade e a ocupação frequente por parte do Marechal de 1918 a 1945, quando o mesmo visitava a região.

O estudo realizado apontou que o imóvel apropria-se de um bem histórico de grande relevância para o município e por isso devia ser tombado. De acordo com informações da comissão, relatadas no estudo, o ato de tombamento traz a garantia de salvaguarda desse registro histórico do município.

Todavia, como o imóvel está sendo deteriorado pelas condições do tempo, o tombamento e ações de recuperação, agora devem garantir a preservação das características originais do imóvel.

O prefeito José Carlos do Pátio falou sobre o tombamento da Fazenda Velha: “eu acho muito importante a preservação dos nossos patrimônios históricos; e temos que investir mais na nossa cultura e fazer o resgate da memória da nossa história; e isso é preponderante para a cidade de Rondonópolis”, disse.

O secretário de Cultura do município, Pedro Augusto de Araujo, falou sobre a importância do momento histórico que acontece justamente no dia 05/05, aniversário do Marechal Rondon, e que “resgatar a memória cultural e patrimonial de Rondonópolis é muito importante, porque nós estamos trabalhando com a origem de Rondonópolis; primeira construção, ponto de parada do Marechal Rondon, enfim; onde tudo começou! Rondonópolis foi construída pelos ribeirinhos, índios bororos; depois vieram os baianos, os mineiros, os goianos, os gaúchos, os libaneses e os japoneses. E isso foi o ponto inicial, então o que o prefeito Zé do Pátio está fazendo, é dando início ao resgate da nossa memória cultural”, externou.

Segundo o secretário, outros estudos de tombamento de patrimônio histórico cultural estão em andamento, a começar pela negociação com os ‘Correios do Brasil’ para adquirir a área do antigo prédio dos Correios ainda da época do Marechal; e ainda o tombamento ambiental do Parque Ecológico do Escondidinho, entre outros.

Professor-doutor, Paulo Isaac e o escritor, Hermélio Silva

O professor-doutor, e presidente da Academia Rondonopolitana de Letras (ARL), Paulo Isaac, também presente no evento, externou que “Rondonópolis é uma cidade que possui uma cultura multiétnica que envolve os povos indígenas como os “Boe-bororos”, imigrantes de todas as partes do país e do mundo, como libaneses, japoneses etc. A cultura é um tecido, e como tal, é a população quem o tece, quem o constrói. Então a Fazenda Velha é o ponto inicial desse nosso tecido cultural, juntamente com outros pontos, também históricos para nós. Então não é possível se ter uma sociedade sólida, sem uma memória histórica da sua própria vida, da sua própria construção”, argumentou o professor-doutor, destacando a importância do tombamento.

PORQUE O TOMBAMENTO

Conforme informações, a preocupação de preservação e tombamento da memória cultural/patrimonial pela Secult, se deu, em razão da necessidade de intervenção do poder público no local, já que a continuação da futura Avenida W11, passando sobre a ponte nova e se estendendo até a BR-364, passa cerca de 200 a 300 m do prédio histórico, e caso não houvesse uma providência, a grande movimentação de veículos nas proximidades, bem como, a situação de vulnerabilidade a que vai ficar exposta em razão desse fato, poderia comprometer a estrutura da casa, que até aqui, resistiu ao tempo.

Via | Assessoria
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