O evento reunirá os principais pesquisadores de malária do Brasil e das Américas, além de representantes da FioCruz, OMS e OPAS para discutir medidas sustentáveis para combater a doença 

Neste mês, a Cooperativa de Mineradores e Garimpeiros de Aripuanã (Coopemiga) será apresentada como case de sucesso durante a ‘XVI Reunião Nacional de Pesquisa em Malária de 2022’, no Rio de Janeiro, entre os dias 25 e 28 de abril. O evento reunirá os principais pesquisadores de malária do Brasil e das Américas, além de representantes da Fundação FioCruz, Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), para discutir medidas sustentáveis para combater o vetor e tratar a doença.

A cooperativa, localizada no interior de Mato Grosso, conseguiu reduzir, consideravelmente, o número de casos de malária no garimpo. Para se ter uma ideia, somente em 2021, a redução foi de 62,58% comparado ao ano anterior. O consultor técnico do Plano de Ação e Controle da Malária (PACM) da Coopemiga, médico sanitarista Anderson Cougo Soares, que participará do evento, explica que o caso da cooperativa é um exemplo único no país de um trabalho em área garimpeira com uma diminuição tão expressiva da doença.

“O plano de ação e controle da malária firmado em uma parceria público-privada, como ocorre na cooperativa, obteve uma redução impressionante somando os anos de 2020 e 2021. E isso somente foi possível graças ao empenho da direção da cooperativa, seus cooperados e equipe de campo do PACM, que assumiram a responsabilidade e se empenharam para chegar a esses resultados positivos, que serão compartilhados e servirá de modelo neste evento”, afirma.

O presidente da Coopemiga, Antônio Vieira da Silva, informa que na época da legalização da cooperativa, há pouco mais de dois anos, foi solicitado que dentro das medidas de compensação da atividade garimpeira, a entidade assumisse a responsabilidade do controle da malária dos cooperados e também desse suporte ao município até se ter controle da doença, já que o número de casos havia crescido mais de 50% nos últimos três anos.

“Em novembro de 2020, implantamos o Plano de Ação e Controle da Malária na Coopemiga e, desde então, estamos trabalhando muito para reduzir cada vez mais os casos da doença. Estabelecemos um Posto de Coleta e Diagnóstico Microscópio da Malária na Vila Garimpeira para realizar exames nos trabalhadores do garimpo e desenvolvemos ações preventivas, como palestras e distribuição de materiais impressos de orientação sobre como se prevenir e identificar os principais sintomas”, destaca.

Segundo ele, a cooperativa tem atuado para zelar pela saúde dos cooperados e também da população de Aripuanã. “Como estamos na região da Amazônia Legal, que possui alto índice de incidência da doença, trabalhamos para cuidar da saúde dos nossos cooperados, que têm um trabalho bastante árduo. Dessa forma, também contribuímos para a redução dos casos no município, e isso nos deixa bastante satisfeitos com o trabalho que vem sendo feito pela Coopemiga, que já legalizou mais de 1.800 garimpeiros”.

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Portaria Ministério da Saúde

De acordo com o consultor técnico do Plano de Ação e Controle da Malária da Coopemiga, a Portaria 01/2014 do Ministério da Saúde estabelece eixos norteadores do Plano de Ação e Controle da Malária. Entre eles, constam a eliminação das fontes de infecção, monitoramento de vetores, promoção à saúde, diagnóstico e tratamento da doença.

“Junto a isso são desenvolvidas uma série de medidas preventivas, individuais e coletivas, como uso de mosquiteiros impregnados com inseticida e borrifação residual nas casas, impedindo que o mosquito entre em contato direto com a pessoa, principalmente na hora do repouso”, ressalta Cougo.

Na maioria das vezes, a malária é transmitida pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles Darlingi. A doença não é contagiosa, o tratamento é simples, gratuito e eficaz, entretanto, pode evoluir para formas graves caso não seja diagnosticada e tratada de forma adequada.

Via | Assessoria
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