Os preços da soja vêm subindo no mercado internacional e os reflexos já são notados na comercialização em Mato Grosso. Os custos dos insumos para a lavoura aumentaram e a produção ficou mais cara, embora o preço da saca de soja tenha aumentado ainda mais no estado e atingido um patamar recorde.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço ultrapassou R$ 180 nesta semana. No mesmo período do ano passado, a média era 15% menor e girava em torno de R$ 150.

Os bons preços da saca de soja têm duas explicações. Primeira, foi a seca que atingiu o centro-sul do país, que fez diminuir a oferta da oleaginosa no mercado e, consequentemente, a cotação do grão subiu. Mas não é só isso.

Para o gerente Marcos Capitanio, que opera em três fazendas em Sorriso, no médio-norte, a expectativa é desenvolver as lavouras de milho. Contudo, a safra de soja ainda é um assunto bastante comentado na região, apesar da colheita ter terminado há 15 dias. Ainda falta comercializar 40% da produção que foi retirada do campo.

“Esse ano a gente resolveu segurar para não levar um susto de vender em preço baixo e depois subir durante o ano. O custo da próxima safra não tem noção de onde vai parar, temos pés no chão e fazendo negócio firme”, disse.

Metade da produção atual ainda não foi negociada na fazenda do agricultor Daniel Prante. “Está ruim de comprar fertilizante. Estamos segurando para fazer alguma coisa casada com venda de soja e atrelar à compra de fertilizantes”, afirmou.

Para o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas do Agro, Felippe Serigatti, a guerra na Ucrânia e a Rússia trazem impactos na economia mato-grossense. “A gente tem uma guerra no leste europeu envolvendo dois grandes produtores de grãos, o trigo, no caso da Rússia, e o milho, na Ucrânia. O mercado desses grãos está conectado, tanto pelo lado da demanda, quanto da oferta”, disse.

Ele ainda explicou que o produtor rural, por exemplo, está receoso em aumentar o espaço da soja neste momento, o que também pressiona no preço final do produto.

“Imagine um produtor norte-americano se preparando para a safra agora. Ele está avaliando os preços e pensando em produzir soja ou milho. Ao observar o preço do milho bastante pressionado no mercado internacional, provavelmente esse produtor americano irá expandir a sua área de milho mesmo que isso leve uma redução na área da soja. Só que essa perspectiva de redução, faz justamente com que o preço da soja opere em patamares elevados”, explicou.

Via | G1
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