Os Estados Unidos e a Rússia são os países com as maiores forças armadas do mundo. Eles também detêm os maiores arsenais de armas nucleares. Mas, afinal, por que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, não declara guerra contra a Rússia na invasão da Ucrânia?

As explicações para a postura de Biden devem considerar os seguintes pontos:

Capacidade nuclear da Rússia e temor de consequências de uma escalada global do conflito

Papel da Rússia na economia global e na Europa, inclusive por causa do fornecimento de gás natural

Ucrânia não está na Otan: membros dizem que reagirão contra qualquer ataque à aliança e que vão seguir enviando armas para o país invadido, sem envolvimento direto no confronto

Nesta reportagem, veja detalhes de cada um dos 3 pontos acima ou confira nos links as reportagens do GUIA BÁSICO DA GUERRA NA UCRÂNIA:

1 – Capacidade nuclear da Rússia

Segundo uma pesquisa do Instituto Internacional da Paz de Estocolmo (SIPRI) realizada em 2019, os russos possuem mais de 6 mil ogivas nucleares. Em números absolutos, o arsenal coloca a Rússia como o país com o maior total de armamentos nucleares, de acordo com o SIPRI.

Como observou a comentarista da GloboNews, Sandra Coutinho, ao longo da Guerra Fria, “se Rússia e Estados Unidos acionassem as suas armas nucleares, eles teriam poder para destruir o mundo 11 vezes”. E, por isso, a escolha inicial americana, junto com os países que fazem parte da Otan, é enfrentar a guerra aplicando sanções econômicas contra o Kremlin.

Os Estados Unidos usaram armas nucleares contra o Japão na Segunda Guerra Mundial nos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki. O número total de mortos nos bombardeios não é conhecido, mas acredita-se que cerca de 140 mil habitantes da população de Hiroshima morreram na explosão e que foram pelo menos 74 mil vítimas em Nagasaki.

A Rússia é também um dos países que mais investe em avanços tecnológicos. Além de armas, o exército russo começou em 2021 a produção em massa do tanque T-14 Armata. O veículo é um dos mais tecnológicos do mundo: tem mais adaptabilidade ao terreno, mísseis mais potentes e maior alcance do que seu anterior o T-90, além de poder chegar a até 90 km/h

Os EUA estiveram envolvidos em alguns conflitos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, como a Guerra da Coreia, em 1950, Guerra do Vietnã, em 1959, Guerra do Afeganistão, em 2001, e Guerra do Iraque, em 2003. No entanto, são mais de 80 anos desde que os EUA declararam guerra oficial contra alguma outra nação. E essa decisão passa pelo Congresso americano.

2 – Peso econômico da Rússia

Um dos aspectos levados em consideração pela Otan é que a Rússia é quem exporta gás natural para a Europa Ocidental. A partir do momento que algum país tentar frear a capacidade russa de exportar gás e petróleo, vai impactar diretamente em países como Alemanha, França e Itália, que dependem do recurso para aquecer lares.

“É um bem que a própria Alemanha se coloca contra a Rússia, mas na hora que você fala sobre sanções ela fala ‘opa, peraí’, talvez a gente tenha que pensar de outra forma. Nesse sentido, o Putin tem uma posição relativamente confortável”, analisa Tanguy Baghdadi, professor de relações internacionais.

Para especialistas, as sanções econômicas impostas contra a Rússia diante da invasão ao território ucraniano ainda são poucos efetivas para deter ou frear Vladimir Putin. Uma das medidas que poderia ter mais impacto, a exclusão do país da rede global de pagamentos Swift, não foi adotada.

Essas medidas já foram tomadas contra outros países, e não fizeram com que eles colapsassem. Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, Irã, Síria e Líbia são alguns exemplos de governos que foram alvo e nunca quebraram.

“Sanções econômicas pode gerar sanções populares, mas a história mostra que sanções populares não derrubam governos. O governo Saddam-Husseim foi sancionado, embargado, e só caiu quando houve uma invasão e ele foi capturado”, observou Tanguy Baghdadi, professor de relações internacionais, em entrevista à GloboNews.

Hoje, a Rússia tem pelo menos US$ 600 bilhões em reservas internacionais, assim como reservas em ouro também. Ela também fechou um acordo bilionário de fornecimento de gás para a China.

3 – Ucrânia, parceira, mas não membro da Otan

Atualmente, a aliança tem papel importante na disputa entre Rússia e Ucrânia. Apesar de a Ucrânia não ser um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ela é um considerada um “país parceiro” — e, em algum momento, pode vir a fazer parte. A Rússia, entretanto, é contra essa entrada.

O tratado da Otan prevê reação contra agressões aos países membros. Ao comentar a invasão da Ucrânia pela Rússia na quinta-feira (24), o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, citou o artigos que tratam de ameaças e agressões.

“As Partes (países membros da Otan) concordam que um ataque armado contra uma ou várias delas na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque a todas”, afirma o artigo 5° do tratado da Otan, que prevê, “inclusive, o emprego da força armada, para restaurar e garantir a segurança na região do Atlântico Norte”.

Nesta sexta-feira (25), Stoltenberg, afirmou que a aliança reforçará suas defesas no flanco leste com soldados e meios aéreos, em resposta à invasão russa da Ucrânia. Além disso, afirmou que continuará a enviar armas à Ucrânia, incluindo sistemas de defesa aérea.

E mais: Sem líderes fortes, quem poderá deter Putin?

Para Baghdadi, Putin é um político experiente (no poder desde 1989) e com uma postura de muita força. O professor afirma que não existe uma liderança ocidental que seja capaz de lidar com o que está acontecendo na Ucrânia.

“O Putin tem uma habilidade muito maior. Entre as lideranças ocidentais, a gente tem o Biden, com uma postura muito mais conciliadora, até por uma questão de personalidade, ele tem uma fala mais mansa e ele não consegue se impor como um presidente que diplomaticamente, que politicamente, vai de fato confrontar o Putin”.

No dia 24 de fevereiro, após invadir a Ucrânia, Vladimir Putin foi claro ao anunciar que não estava disposto a voltar atrás.

“Quem tentar nos impedir ou for além e criar ameaças ao nosso país, ao nosso povo, deve saber que a resposta da Rússia será imediata. E levará nossos inimigos a consequências com que eles nunca lidaram em sua história. Estamos prontos para qualquer desdobramento dos eventos”, frisou Putin.

A intenção de Putin em expandir seu território ameaça agora também países que faziam parte da União Soviética, como República Tcheca, Hungria, Polônia, Bulgária, Romênia, Eslováquia e Albânia, todos países membros da Otan. O que pressiona, ainda mais, os Estados Unidos e países da Europa a entrarem em ataque contra a Rússia.

Via | G1
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