As chuvas mudaram o cenário no Rio Paraguai, em Cáceres. Está chovendo diariamente em Mato Grosso e, segundo a Marinha, o nível do rio está subindo cerca de 30 centímetros por dia e já começa a mudar a paisagem do local.

Em agosto, o Serviço Geológico do Brasil chegou a alertar sobre a possibilidade de desabastecimento por conta da seca histórica no rio. Os barcos chegaram a ficar sem navegar por três meses por conta do nível do rio.

O rio é um dos responsáveis por abastecer o Pantanal e também é usado como hidrovia. A Marinha do Brasil afirma que o cenário mudou consideravelmente desde a semana passada. “Isso reduz o risco à navegação na questão de encalhe e bancos de areia”, disse o capitão Sérgio Leonardo de Salles.

O rio já está com 2,20 centímetros de profundidade e propício à navegação de barcos-hotéis, por exemplo. Para se ter ideia da seca extrema, no período mais crítico o rio chegou a ter 30 centímetros de profundidade.

O capitão diz que, se comparado aos anos anteriores, na mesma data o nível do rio estava inferior, antes mesmo das secas de 2019 e 2020.

Segundo ele, isso mostra que o nível do rio tende a subir ainda mais. O capitão destacou que para uma navegação segura no rio é preciso prestar bastante atenção e não exagerar na velocidade. Ele destacou que as chuvas trouxeram muitos galhos e isso pode prejudicar a navegação. “Esse aumento deve-se às chuvas dos últimos dias”, explicou.

Um garçom e camareiro de embarcações no Rio Paraguai, em Cáceres, afirma que ficou mais de dois meses com o barco parado em uma fazenda, na Comunidade de Santo Antônio das Lendas.

Ele contou que na altura é possível navegar sem problemas. No entanto, como Mato Grosso está no período de piracema, os barcos aproveitam para fazer reforma e passar por vistoria da Marinha.

Seca histórica

Em julho, a Sala de Crise do Pantanal e Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) divulgou que o Rio Paraguai estava no menor nível histórico para o período e alertou para o risco de desabastecimento.

O Serviço Geológico Brasileiro ressaltou que o norte da bacia é uma região estratégica para o monitoramento porque as chuvas costumam ser mais abundantes no início do ano, e que a situação atual preocupa. A intensidade da vazante aumentou a partir do mês de julho, agravando a situação hídrica tanto em Mato Grosso quanto em Mato Grosso do Sul.

Moradores fazem travessia do Rio Paraguai a pé — Foto: Reprodução

Em alguns pontos, o Rio Paraguai ficou no nível mais baixo de toda a série histórica e era possível atravessar a pé.

Em outubro, o rio chegou a marcar apenas 26 centímetros de profundidade. O Rio Paraguai ficou com embarcações paradas por três meses, na cidade de Cáceres. Esta foi a menor marca desde 1965.

Os pilotos de barco que se arriscavam a passar a ponte sobre o Rio Paraguai ficavam encalhados.

Área de 7 Lagoas, nascente do Rio Paraguai, em MT — Foto: Divulgação

Área de 7 Lagoas, nascente do Rio Paraguai, em MT — Foto: Divulgação

A estiagem severa causou preocupação nos moradores da região de Sete Lagoas, em Alto Paraguai (MT), porque as nascentes do Rio Paraguai secaram.

Via | G1
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