Projeto estuda ecologia populacional dos animais para entender impactos do desmatamento e da degradação da vegetação natural em sua biodiversidade.

Mais duas antas, batizadas de Manga e Caroço, agora fazem parte do grupo de animais da espécie monitorados por pesquisadores do projeto Antas da Tanguro, uma parceria entre o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e o IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) na Fazenda Experimental Tanguro, em Querência, no estado de Mato Grosso.

Encontrados perto da casa de pesquisadores, Manga e Caroço são mãe e filhote, e receberam o nome por terem sido achados comendo mangas de uma pilha no chão. Eles se somam às antas acompanhadas pelo projeto: Luigi e Zé Trovão, machos adultos; Léo, macho filhote; e Sasha, Paquita e Nicole – fêmeas, a primeira, adulta, e as duas últimas, filhotes.

“Funciona mais ou menos assim: a equipe dá o tranquilizante e, na hora que a anta dorme, vendamos os olhos para ela ficar calma. Coletamos sangue para saber se está saudável, se está se alimentando direito, e então colocamos o colar de monitoramento GPS por rádio. Depois disso, acompanhamos o animal até que ele acorde totalmente do efeito do tranquilizante”, explica a pesquisadora do IPAM e do Woodwell Climate Research Center, Ludmila Rattis, que é também coordenadora na Tanguro. “Isso é super importante para sabermos o quanto andam, qual a sua área de vida, qual o tamanho da população, se gostam mais de locais abertos ou fechados, o que comem e por aí vai.”

O projeto Antas da Tanguro integra o PELD (Projeto Ecológico de Longa Duração), financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), e procura entender os impactos do desmatamento e da degradação da vegetação natural na biodiversidade de mamíferos, aves, peixes e insetos.

Estudadas na fazenda experimental desde janeiro de 2016, as antas desempenham um papel na recuperação de áreas deterioradas. “Publicamos o primeiro trabalho em 2019 mostrando que elas dispersam sementes em áreas degradadas pelo fogo , auxiliando na recuperação”, diz Rattis. O volume de sementes dispersadas pela população de antas na Tanguro correspondia, na época, a 10% do usado em trabalhos de restauração na região.

“Tal resultado chamou a atenção da Patrícia Medici [bióloga e fundadora da Lowland Tapir Conservation Initiative], que trabalha com antas há mais de duas décadas. Ela estava expandindo o trabalho dela para a Amazônia e pediu para incluir a Tanguro como um sítio de coleta. Iniciamos em agosto de 2021 e os primeiros indivíduos começaram a ser monitorados agora”, complementa a pesquisadora e coordenadora.

Até o momento, são cinco animais com o colar GPS: Manga, Luigi, Zé Trovão, Léo e Sasha. Caroço, Paquita e Nicole ainda são pequenos para usar o dispositivo.

Via | Assessoria IPAM
(Visited 1 times, 1 visits today)

Deixe uma resposta