Mesmo com a pandemia de Covid-19, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) trabalhou durante todo o ano com capacitações dos seus profissionais para aperfeiçoamento dos serviços a serem ofertados aos alunos da Rede Pública de Ensino de Rondonópolis. A partir do quinto mês de 2020, quando já se tinha ciência de que o coronavírus circulava em Rondonópolis, um desafio a mais se impôs à Pasta.

“Neste ano, vivenciamos uma situação inimaginável e não prevista, que é a pandemia de Covid-19. Esta nova e momentânea realidade mudou as formas de nos relacionarmos com o outro, com as coisas e, também, as relações de trabalho. No âmbito da educação, assim como em todas as esferas de atividade humana, se fez necessária e prudente a suspensão de todas as atividades presenciais, tanto nas escolas como nas outras instituições ligadas à educação. Nessa caminhar, a Semed, implantou, em maio de 2020, o Programa de Atividades para Além da Escola, que prevê a elaboração, a entrega, o recebimento e o registro de atividades pedagógicas a todos os alunos da Rede Municipal de Ensino”, comenta o gerente do Departamento de Formação Profissional da Pasta, Julio Cezar Coelho.

Essa nova abordagem também foi adotada para a realização das capacitações, que receberam novo enquadramento, conforme lembra Julio: “A suspensão das atividades, como forma de minimizar a disseminação do coronavírus, fez com que todas as práticas formativas fossem modificadas. Antes da pandemia, até dia 23 de março, os professores formadores realizaram as ações como previsto e, depois, de acordo com o possível. Após esta data e as férias coletivas, as atividades foram retomadas e, então, os professores formadores passaram a atender as unidades escolares por meio das novas tecnologias da informação”.

Lançando mão do ambiente virtual por meio de plataformas digitais como WhatsApp, Google MeetMicrosoft Teams e Youtube, Julio ressalta que toda a programação foi feita respeitando as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

PROGRAMAÇÃO

Entre as atividades realizadas pelo Departamento de Formação Profissional neste ano, está o Círculo de Construção da Paz, modalidade virtual, que é uma metodologia adotada pela justiça restaurativa para a resolução de conflitos e pacificação social. A ação teve a participação dos professores formadores, dos gestores e dos coordenadores das escolas municipais e foi organizado em parceria com o Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Outra formação foi a XVII Semana Zumbi dos Palmares, que enfocou as relações raciais na sociedade brasileira com abordagem sobre os ditames da lei federal 10.639/03, que inclui no currículo da Rede de Ensino a obrigatoriedade da história e da cultura afro-brasileira.

Ainda foi feita a elaboração do projeto de educação ambiental que, denominado Formação Socioambiental: Aprendendo e Revitalizando Nascentes, foi vencedor do Edital da Água 2020 do Instituto Mosaic – que incentiva iniciativas de organizações da sociedade civil e instituições de ensino superior preocupadas com os cuidados e o uso da água. A realização teve como base uma parceria entre a Semed, a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e a ONG Arareau.

A pesquisa científica também teve destaque nas ações da Pasta que, junto com o Programa de Pós-graduação em Educação da UFR, executou a leitura, divulgação, resposta e devolução dos instrumentos da pesquisa envolvendo coordenadores iniciantes e experientes, além de professores iniciantes.

EXPERIÊNCIAS

Mas não foram só essas práticas que a Semed realizou. Diversas outras marcaram professores que delas participaram, como Carla Andressa Santos Muniz, que leciona na educação infantil. Participante de outra capacitação sobre diversidade cultural e, ainda, daquela voltada para professores e coordenadores que atuam em creches e pré-escolas, além da Semana Zumbi dos Palmares, Carla conta que estranhou a frieza das ferramentas digitais: “Apesar de poder fazer perguntas pelo chat, sentia falta do calor humano e do contato com os colegas. Os cursos aconteceram por meio de grupos de WhatsApp em que recebíamos módulos e, depois, fazíamos avaliação. Também participamos de lives”.

Professora do ensino fundamental, Nirley Ribeiro Teotônio, que integrou o curso de formação para professores alfabetizadores do campo, relata as descobertas ocorridas com todo o processo de adaptação à realidade provocada pela presença do novo vírus: “No início da pandemia foi assustador. Ficamos meio anestesiados com o que poderia acontecer. Mas, a criação dos grupos de WhatsApp nos trouxe um momento bastante reflexivo, porque pudemos compartilhar os medos e tensões que estávamos sentindo e buscarmos uma solução”.

Na avaliação de Nirley, a tecnologia funcionou como alidada. “Os grupos foram o apoio de que precisávamos amenizando o impacto inicial. E a tecnologia foi uma boa ferramenta, já que quando nos vimos distantes uns dos outros nos sentimos fragilizados”, desabafa.

Apesar de terem sido um suporte, os meios digitais também representaram um desafio para as docentes. “Tivemos que aprender a lidar com alguns aplicativos. O bom é que vamos depois poder levar esse conhecimento para a sala de aula”, pontua Carla.

Todo esse processo deixa um aprendizado a ser aplicado no futuro. “Tudo o que passamos foi bom para valorizarmos os relacionamentos e fortalecermos os vínculos que temos uns com os outros, porque, por mais que tenhamos tantos aparatos tecnológicos, a relação humana é fundamental”, observa Nirley e completa: “Por muitos anos pensamos que nossa profissão pudesse ser substituída pela tecnologia e, nesse momento, entendemos que o professor sempre vai ser um mediador com um papel primordial na formação do indivíduo. A tecnologia é um complemento, mas é o mestre que abre caminhos”.

Para a professora do ensino fundamental, nada será como antes. “Após tudo isso passar, acredito que nenhum de nós voltará para a sala de aula como saímos antes da pandemia. Será uma nova fase e nosso olhar e agir no pós-pandemia será outro tanto em relação ao aluno quanto ao conteúdo que ensinaremos. Vamos dar ênfase ao despertar do aluno como autor da sua própria história, estimulando seus sonhos e emoções. Afinal, nesse período em que tivemos que ficar tão distantes aprendemos o valor do ser humano e das relações pessoais”, projeta.

Via | Assessoria

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