O acusado de espancar e filmar o mecânico João Paulo Andrade da Costa por causa de uma dívida com um cliente, em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, foi indiciado por tortura e roubo qualificado.

A agressão aconteceu no dia 3 de dezembro, mas só chegou até a polícia após a gravação viralizar nas redes sociais.

Um dos suspeitos, Gustavo Henrique Nilson Albues, é o que aparece no vídeo agredindo a vítima. Ele foi preso em um hotel em Cuiabá dias após o crime. O outro rapaz que filmava, Jhony Marlon Camargo de Souza, foi preso em uma fazenda em Tangará da Serra.

Um dos suspeitos, Gustavo Henrique Nilson Albues, é o que aparece no vídeo agredindo a vítima — Foto: Polícia Civil de Mato Grosso
Um dos suspeitos, Gustavo Henrique Nilson Albues, é o que aparece no vídeo agredindo a vítima — Foto: Polícia Civil de Mato Grosso

O delegado responsável pelo caso, Adir Pinheiro, contou que não ocorreu só aquela tortura mostrada no vídeo divulgado.

“Após aquela ação, eles voltaram na oficina, no mesmo dia, e agrediram a vítima novamente. Depois daquele vídeo, aquele rapaz que aparece agredindo faz outro vídeo agredindo, mas, dessa vez, em forma de selfie, segurando o celular com uma mão e batendo com a outra”, contou.

Foram, pelo menos, três sessões de tortura ocorridas no mesmo dia, segundo o delegado.

“Também estou acrescentando no inquérito o crime de roubo qualificado. Os dois elementos, o Jhony e o Gustavo, obrigaram a vítima a retirar uma peça de um carro de um cliente que estava na oficina e levaram essa peça”, disse.

Ainda de acordo com o delegado, havia uma terceira pessoa na cena do crime. Ela foi com os suspeitos no carro, mas não participou da ação.

“Quando ela viu que o Gustavo voltou a bater na vítima, ela desceu e pediu que parasse, então ela foi ouvida apenas na condição de testemunha e não será indiciada”, explicou.

Mecânico João Paulo Andrade da Costa foi espancado por cliente em Tangará da Serra — Foto: TV Centro América
Mecânico João Paulo Andrade da Costa foi espancado por cliente em Tangará da Serra — Foto: TV Centro América

A vítima

Quase 10 dias após as agressões, o mecânico disse que ainda sentia dores no corpo e na cabeça.

João Paulo afirmou que ficou apavorado ao ser torturado dentro do estabelecimento dele.

“Eu pensei em fugir [das agressões], mas eles estavam em dois e acho que seria pior. Nunca mexi com coisa errada e espero que eles analisem muito o que fizeram comigo e saiam pessoas melhores da cadeia. Não desejo nada de mal a eles”, disse.

Pedido de desculpa

Gustavo chegou a gravar um vídeo se retratando, se identificando e confirmando que é o jovem que aparece nas imagens agredindo o trabalhador. Depois disso, fala sobre o motivo da agressão.

“Realmente foi por causa de dinheiro. O rapaz da filmagem, que foi prejudicado, não apanhou de graça, isso todo mundo sabe. Ele apanhou porque fez alguma coisa”, afirma no vídeo.

Em seguida, Gustavo admite que errou e pede desculpa.

“Nada justifica ter feito o que eu fiz, ainda mais ter gravado. Ele (a vítima) não reagiu, mas não foi porque tinha pessoas armadas, nem nada. Ele pode comprovar isso. Não tinha ninguém armado, não tinha um monte de gente, foi apenas eu e ele. E ele não reagiu, porque sabe que estava errado. Mas eu não tenho como justificar um erro com outro”, diz em outro trecho da postagem.

Via | G1

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