O bebê que teve a cabeça arrancada durante um parto realizado na Santa Casa de Misericórdia, em Belém, no Estado do Pará, na última sexta-feira (16) sofria de uma complicação obstétrica pouco comum chamada distócia de ombro. A informação foi divulgada em nota pela Santa Casa de Misericórdia no começo da noite deste sábado. O hospital, que lamentou o ocorrido, alega que todos os procedimentos previstos para casos como esse foram realizados.

“O feto possuía várias malformações, o que ocasionou uma complicação obstétrica pouco frequente chamada distocia de ombro, na qual a cabeça fetal se exterioriza e o corpo não. Todas as manobras previstas na literatura científica foram realizadas com o intuito de despender o ombro fetal e assim liberar o restante do corpo do bebê. Mas a equipe não obteve sucesso com a realização do procedimento”, disse a nota.

A complicação torna o parto vaginal mais difícil e requer cuidados específicos da equipe que trabalha durante a realização do procedimento. Na noite de sexta-feira, a mãe chegou a Belém, vinda de Ourém, em avançado trabalho de parto.

Recebida na Santa Casa de Misericórdia, ela passou por um procedimento indicado para a realização do parto natural, mas durante o trabalho a cabeça do feto foi arrancada, segundo o testemunho de uma amiga da família que acompanhava o parto. “Uma (enfermeira) novinha puxou, puxou com força e a cabeça do bebê caiu no chão”, garantiu.  O feto já foi levado para o exame cadavérico no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.

O pai da criança, Roberto Lemos e uma amiga de Daira, Amanda Vieira Lima, que acompanhou o trabalho de parto, registraram Boletim de Ocorrência no posto da Polícia Civil que funciona dentro do Hospital Santa Casa.

No começo da tarde, o governador Helder Barbalho usou sua conta no twitter para prestar condolências à família e informar que havia acionado a Polícia Civil para investigar o caso, assim como dizer que havia determinado o afastamento imediato dos profissionais envolvidos no caso. “Pedi também a Polícia Civil do Pará que apure com rigor o ocorrido.”  Em nota curta, a Polícia Civil disse apenas que “já instaurou um inquérito que corre em sigilo para investigar, junto com o Renato Chaves, as causas e os responsáveis, para eventuais punições sobre o caso”.

A Fundação Santa Casa também garantiu que uma investigação interna foi instaurada para apurar as condutas técnicas adotadas durante o parto e investigar se houve erro da equipe envolvida no parto do bebê, “dentro do processo de avaliação de riscos e de cumprimento dos protocolos de segurança do paciente estabelecidos pelo hospital”.

O hospital confirmou que os profissionais – que não tiveram os nomes divulgados – foram afastados.  “A Fundação Santa Casa do Pará lamenta profundamente a morte do bebê e se solidariza com seus familiares”, acrescenta a nota enviada pelo hospital.

A princípio, o casal Roberto Carlos Feitoza Lemos e Daira Oliveira de Souza vão levar o corpo da criança para sepultamento em Ourém, onde a família reside.

O bebê foi o segundo filho de Daira, de 26 anos de idade, que segue internada na Santa Casa. Ela já tem um menino de 10 anos.

Pai do Bebê registrou boletim de ocorrência
Pai do Bebê registrou boletim de ocorrência (Elivaldo Pamplona/ O Liberal)

Em depoimento, Amanda Lima conta em detalhes o desfecho trágico da tentativa de parto normal.

“…Depois vieram não sei se médicas ou enfermeiras. Uma, já senhora, ficava apertando a barriga da Daira para o bebê sair, a outra mandava ela fazer força para a cabecinha do bebê sair. A cabecinha do bebê não saiu toda para fora porque a Daira não conseguia fazer força. Ela fazia força, a cabeça saia um pouquinho, mas ela parava de fazer força e a cabeça entrava de novo.

Aí essas duas que estavam saíram. Não conseguiram. Veio outra. A sala encheu de enfermeiros e médicos, mais de 10 pessoas. Só que os médicos homens não mexeram com ela, só mulher.

Até que uma bem novinha veio e puxou, puxou, puxou, aí saiu com tudo. Caiu no chão a cabecinha do bebê. Elas pegaram rapidamente. Todos eles se assustaram. Eu saí gritando e a Daira desmaiou.

A Daira sabe que o bebê morreu, mas ela não sabe que ele teva a cabeça arrancada”, contou Amanda Lima.

Ela contou que esteve o tempo todo com Daira Souza, segurando na mão da jovem durante o trabalho de parto.

Segundo Amanda, a equipe que assistiu o trabalho de parto demorou a intervir e quando o fez insistiu no parto natural. “Eles nos deixaram sozinhas dentro da sala por muito tempo. Ela (enfermeira) falou: olha, a gente só vai vir aqui depois que a cabecinha já estiver saindo para fora”, disse Amanda Lima, referindo-se a situações comuns em trabalho de parto normal, pois que são as mães e as próprias crianças que protagonizam, de fato, o nascimento do bebê nessa modalidade.

Segundo o boletim de ocorrência, a jovem grávida esperou por mais de três horas até ser levada para a sala de parto.

Fonte | O Liberal

(Visited 1 times, 1 visits today)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *