O Sistema Penitenciário e o Corpo de Bombeiros articulam para ampliar a parceria no uso da mão-de-obra dos presos como brigadistas, para que eles auxiliem no combate às queimadas urbanas em Mato Grosso. Em uma iniciativa inédita no país, recuperandos do Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, localizado em Várzea Grande, passaram por dois dias de capacitação para começarem a partir desta sexta-feira (14.08) a combater o fogo na área urbana de Poconé.

A iniciativa partiu da juíza de Poconé que, diante do agravamento da situação no Pantanal, firmou a parceria junto a Vara de Execução Penal e a Secretaria de Estado de Segurança Pública, por meio da Adjunta de Administração Penitenciária. Contudo, com a chegada de bombeiros do Mato Grosso do Sul e as Forças Armadas na força-tarefa da Operação Pantanal 2, a mão de obra dos presos brigadistas será utilizada na área urbana da cidade.

Os recuperandos são todos voluntários e beneficiados com a remição da pena, ou seja, a cada três dias trabalhados, é um dia a menos na pena. Os presos são acompanhados pelos policiais penais e selecionados pela direção e por uma equipe psicossocial, conforme o perfil. Eles saem da unidade com tornozeleira eletrônica.

“Essa parceria deve ser ampliada não só na região metropolitana, mas expandir para Sinop e Barra do Garças, por exemplo. Nós temos essa disponibilidade de estar trabalhando em prol da sociedade, essas pessoas que estão privadas de liberdade. Vamos conversar sobre essa demanda com o Poder Judiciário também”, destacou o secretário adjunto de Administração Penitenciária, Emanoel Flores.

O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Alessandro Borges, disse que o projeto de treinar presos em brigadistas é interessante porque em agosto e setembro, é um período que aumenta exponencialmente as queimadas urbanas, e há necessidade de um contingente maior de pessoas para fazer esse enfrentamento.

“Com mais presos brigadistas não só em Cuiabá e Várzea Grande, mas nos demais polos, aumentamos a nossa capacidade de resposta e, com isso, poderemos também estender os nossos trabalhos com os nossos militares para a área rural. Então eu vejo como é muito interessante um projeto piloto em termos de Estado, em termos de Brasil e que vai dar um bom resultado para a sociedade mato-grossense”.

O coronel Alessandro destaca que a parceria dos municípios é fundamental, a exemplo da Prefeitura de Poconé, que além de brigadistas também disponibilizou um carro pipa com motorista e o Corpo de Bombeiros com quatro militares trabalhando em conjunto diariamente.

“É importante sim a participação do município, até porque estamos trabalhando nos terrenos urbanos e é uma responsabilidade da Prefeitura Municipal. O objetivo é comum, que é o de garantir a saúde nesse momento que é muito complicado devida a baixa umidade e a fumaça que é expelida no ar”.

Ressocialização

Otávio Figueiredo Brandão é um dos presos que se voluntariou para atuar no combate às queimadas urbanas. Ele nunca passou por um treinamento como esse ou precisou combater o fogo na vida. Apesar do cansaço e das dificuldades, ele enxerga como uma experiência nova mesmo em meio ao fogo, calor e fumaça.

“A gente está tentando ressocializar e salvar a pátria da gente, que é o Pantanal mato-grossense. A gente está mostrando que os reeducandos são diferentes do que a sociedade pensa da gente. A gente está aqui para combater e ajudar a sociedade e o pantanal mato-grossense. Para ter uma nova chance na sociedade e mostrar que a gente mudou realmente”.

Para o recuperando Rodrigo Amâncio Ferreira, essa é uma oportunidade que ele abraçou para mudar de vida. “Estamos vendo que o mundo está aí com queimadas para todo lado, então o que a gente puder fazer para ajudar, vamos todos voluntariamente, de coração, estamos fazendo para ajudar. Fumaça, calor, fogo, essa é uma situação que é difícil, complicado, mas Deus vai abençoar nós todos, vamos conseguir, vamos vencer juntos”.

Fonte | Sesp-MT

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