São investigados dois policiais civis, um militar, além do delegado. Imagens das câmeras de segurança mostram o momento exato em que os policiais chegam ao condomínio no dia em que Isabele Guimarães foi morta.

Quatro policiais estão sendo investigados pelo Ministério Público Estadual (MPE) por improbidade administrativa no caso da morte da adolescente Isabele Ramos, de 14 anos, em um condomínio de luxo, em Cuiabá, no dia 12 do mês passado, com suposto tiro acidental disparado pela amiga dela, também de 14 anos.

São investigados um delegado do caso, dois policiais civis e um militar. Imagens das câmeras de segurança mostram o momento exato em que os policiais chegam ao condomínio no dia em que Isabele foi morta.

As imagens da portaria do condomínio mostram o investigador Leandro Levinali Ecco da Delegacia de Delitos de Trânsito entrando no condomínio no dia da morte de Isabele, às 23h09. Em depoimento à Delegacia do Adolescente, o policial disse que é amigo do empresário, pai da menina que atirou e que foi até a casa depois de um telefonema do amigo para prestar solidariedade e apoio moral.

Na portaria, ele se identificou como policial civil. Ele disse que, na casa, ele se apresentou ao delegado e se colocou à disposição. Afirmou que ajudou a equipe da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção (DHPP) a catalogar as armas apreendidas e que acompanhou o pai da adolescente no flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Em outro carro, às 23h21, chegou ao condomínio o outro investigador da Polícia Civil. Em depoimento, Mario José Leite dos Santos informou que faz faculdade de direito com o empresário, pai da adolescente e que soube do disparo por terceiros e também teria ido até o local em solidariedade à família.

Na portaria, o investigador mostra um documento e tem a entrada liberada. Aos delegados do caso, o policial disse naquela noite estava em casa à disposição do trabalho e que foi até o condomínio com uma viatura descaracterizada da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO). O investigador da GCCO afirmou ainda que ajudou a equipe do Instituto Médico Legal (IML) a recolher o corpo da vítima.

À 0h37 as imagens registraram a chegada de uma viatura da Polícia Militar. Na direção, estava o sargento Fernando Rafael Oliveira. Em depoimento, ele disse que estava de serviço na base do bairro Pedra 90, em Cuiabá, e que ao saber do disparo, pediu autorização ao adjunto de serviço para ir até a casa do empresário por ser presidente da Federação de Tiro de Mato Grosso (FTMT) e que foi ao local porque havia atletas da Federação envolvidos no suposto disparo acidental.

Ele afirmou que foi até o piso de cima da casa, falou com o delegado que estava lá pra prestar informações em relação as armas do esporte e que as armas estariam em processo de apostilamento no Exército. Por fim, o PM presidente da Federação afirmou que acompanhou o flagrante de prisão do empresário na Delegacia de Homicídios.

O pedido de investigação no Ministério Público que aponta improbidade administrativa é do advogado Helio Nishiyama de Patrícia Guimarães, mãe de Isabele. Ele esclarece que o agente público tem que atender o interesse da sociedade e não usar o cargo para atender interesses pessoais.

“O agente público no exercício da função pública, tem que atender os interesses da sociedade e não usar o cargo e outros bens públicos pra atender interesses pessoas. Ainda mais porque lá se tratava de uma cena de crime. Era uma adolescente morta com um tiro no rosto. Em hipótese nenhuma esses policiais poderiam estar lá para prestar auxílio ao amigo e por isso que a gente pede ao Ministério Público que seja deflagrada competente a ação de improbidade para que se busque o perdimento do cargo desses policiais”, afirma.

O requerimento aponta inda que o empresário, pai da adolescente que disparou, teria se beneficiado dos atos de improbidade dos amigos e que o delegado de homicídios que foi até o local na noite do disparo teria sido omisso.

“Houve a conivência da Delegacia de Homicídios e proteção a uma pessoa, o que já está documentado por si só justifica a intervenção do Ministério Público no âmbito da improbidade administrativa, mas é evidente que não se descarta que a participação tenha sido muito pior, muito mais grave, que possa sim ter acontecido intervenções para alterações substanciais do local de crime”, afirma.

Segundo Ministério Público, a representação encaminhada à Ouvidoria foi distribuída para o Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e é analisada pelo promotor de Justiça, Célio Fúrio. Nas delegacias de Defesa da Criança e do Adolescente, mais de 20 pessoas foram ouvidas.

Os delegados agora aguardam os resultados das perícias da arma e do local para solicitar a reconstituição do crime. Esta semana completa um mês da morte de Isabele de 14 anos, que foi vítima de um suposto disparo acidental feito por uma amiga da mesma idade, em Cuiabá.

A reportagem entrou em contato com o investigador Leandro Levinali Ecco, mas não recebeu retorno. O investigador Mario José Leite dos Santos não quis comentar o caso. O delegado Olímpio da Cunha Fernandes Junior disse que prefere não se posicionar pra não atrapalhar as investigações. O sargento Fernando Rafael Oliveira não atendeu as nossas ligações.

A Corregedoria da PM analisa se vai ou não abrir investigação sobre a conduta do sargento. Os investigadores foram afastados da função e a conduta deles e do delegado é apurada pela Corregedoria Civil. A defesa do pai da adolescente que fez o disparo informou que não tem conhecimento da representação.

Policiais afastados

Dias depois do depoimento da mãe de Isabele, feito na Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), a Polícia Civil afastou dois policiais que estiveram na residência.

A presença dos dois servidores, que não estavam trabalhando no dia e não fazem parte da equipe de investigação do caso, é investigada pela Corregedoria da Polícia Civil.

Um deles é da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

A Polícia Civil não informou o que os dois policiais estavam fazendo no local e nem quem os chamou até a cena do crime.

Entenda o caso

A situação ocorreu por volta de 22h30 de 12 de julho em um condomínio de luxo localizado no Bairro Jardim Itália, em Cuiabá.

O advogado da família da adolescente que efetuou o disparo, Rodrigo Pouso, explicou que o pai da suspeita do tiro acidental estava na parte inferior e pediu para que a filha guardasse a arma no andar superior, onde estava Isabele.

A adolescente pegou o case – uma maleta onde estavam duas armas – e subiu obedecendo ao pai. Apesar de estar guardada, a arma estava carregada.

Segundo o advogado, uma das armas caiu no chão e a adolescente tentou pegar, mas se desequilibrou e o objeto acabou disparando

A menina negou que brincava com a arma ou que tentou mostrar o objeto para a amiga

Praticante de tiro

As duas famílias, a da adolescente que disparou, e a do namorado dela praticam tiro esportivo.

A Federação de Tiro de Mato Grosso (FTMT) disse que a adolescente que matou a amiga é praticante de tiro esportivo há pelo menos três anos.

Segundo a federação, o pai e a menina participavam das aulas e de campeonatos há três anos. Os nomes deles constam nos grupos, chamados ‘squads’, que participavam das competições da FTMT.

Fonte | G1

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