Na rotina das escolas brasileiras, em especial nas de ensino fundamental ou ensino médio, a língua portuguesa e a matemática, apesar dos lastimáveis resultados dos exames nacionais que são divulgados pela imprensa nacional aqui e ali, são as vedetes do currículo escolar, tendo mais horas-aula na carga horária semanal, enquanto que no, digamos assim, segundo escalão estão disciplinas como ciências (ou biologia), história e geografia, bem menos badaladas. Por fim, na terceira categoria, figuram matérias como artes, educação física e inglês (ou espanhol), tidas como tapa-buracos ou especiais – seja lá o que isso signifique.

No caso específico da língua inglesa, que já conta com um número de aulas reduzidíssimo nos dois semestres letivos que o ano tem, uma vez na sala de aula, a falta de motivação e interesse dos alunos salta aos olhos, segundo relatos dos próprios teachers. Absurdo ou não, segundo alguns deles, em muitas escolas, às vezes mais minutos são gastos pedindo às turmas que façam silêncio ou que copiem a matéria dada do que efetivamente ensinando os rudimentos do idioma bretão (pronúncia e ortografia).

Nesse caso, vale ressaltar, estamos nos referindo aos (raros) professores dedicados, pacientes e que gostam do que fazem, e não daqueles que estão ali “improvisados”, fazendo bico ou, o pior tipo de todos, enganando seus alunos e a si mesmo com aulas modorrentas, cheias de exercícios gramaticais e/ou de tradução. Pessoas que poderiam (ou deveriam) estar fazendo qualquer outra coisa na vida talvez, menos “ensinando”.

Essa triste realidade na educação brasileira, facilmente perceptível se você for a uma ou outra escola do Centro ou da periferia da nossa cidade, por exemplo, apenas contribui com a onipresente crença do brasileiro de que, se somos incapazes de aprender a nossa própria língua, “imagine a dos outros”, o que coloca em xeque a capacidade do Estado de cumprir a sua função elementar de oferecer educação de qualidade aos seus cidadãos.

Isso não quer dizer, em absoluto, que as escolas de idiomas e as faculdades de Letras são paraísos educacionais aqui na Terra. Longe disso! Até porque as primeiras têm a mania de contratar professores muito jovens e inexperientes (ou, sometimes, com “experiência internacional”, como se isso fosse sinônimo de saber ensinar), enquanto que os cursos voltados às línguas das universidades federais são muito teóricos, absurdamente gramaticalizados e (surprise!) com conteúdo altamente alienado ou engajado politicamente, com pouco espaço para o meio termo.

Ah, antes que eu me esqueça, nesse espaço do dito ensino superior, nem mesmo os centro de línguas conseguem cumprir sua função e atender a equação complicadíssima que inclui expectativa ou capacidade dos alunos/professores, valores cobrados/oferta de bolsas, horas programadas/dadas etc. É nesse contexto que, para mim, seja no ensino fundamental, médio ou superior, o faz-de-conta impera. Nas escolas de idiomas, aulas robotizadas, livros padronizados e lesson-plan teachers lidam de forma hollywoodiana com a English language, dando a entender que o seu aprendizado é ou será simples ou fácil. Nada mais enganoso, já que nem a própria vida o é. Quanto à realidade nas escolas públicas de ensino fundamental e médio, que contam com professores nada convincentes na hora de falar/escrever o idioma que lecionam, melhor deixar para lá!

Fonte | Jerry Mill -Mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor da biografia Lamartine da Nóbrega – Uma História Como Nenhuma Outra

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