Há muitas maneiras simples e criativas de ajudar os nossos semelhantes. Ajudar no sentido mais nobre e desinteressado. Ajudar para se sentir, acima de tudo, mais humano, útil e feliz. É o que geralmente fazem os chamados clubes de serviço como o Rotary e o Lions ou as demais entidades de alcance municipal, estadual ou nacional apenas. Sem esquecer, obviamente, as dezenas, centenas ou milhares de voluntários que se dedicam às mais diferentes instituições e causas com um misto de lazer, prazer e responsabilidade.

Pessoas altruístas, instituições de caridade sérias e programas governamentais com boas intenções existem por aí. Mas é como diz o velho ditado: “De boas intenções, o inferno está cheio.” Separando o joio do trigo, temos, a título de exemplificação, a Casa do Adolescente Sagrada Família (CASF), a Associação Koblenz Brasil (Kobra), o Oratório Dom Bosco e a ALCAA (Associação Livre de Cultura Anglo-Americana), todas elas instituições que, com ou sem a ajuda do poder público ou da iniciativa privada, buscam sobreviver em meio a essa crise medonha que acampou no país oferecendo as mais diversas atividades a crianças, jovens e adultos, inclusive o ensino de línguas estrangeiras, mormente o inglês e o espanhol.

Teoricamente responsáveis por complementar o ensino oferecido a pessoas carentes nas escolas públicas ou particulares, essas instituições, na prática, muitas vezes acabam por superar a carga horária e os conteúdos ofertados nas instituições municipais, estaduais ou federais. O que, convenhamos, é algo cabuloso. Por outro lado, iniciativas como o Celig (Centro de Línguas) da UFMT, o Centro de Idiomas da Unic e a Escola do Legislativo são casos especiais nessa seara e bem que mereciam um tratamento especial – o que deve ficar para uma próxima oportunidade, porém.

O caso é que, apesar de todas essas oportunidades, gratuitamente ou com um valor muito abaixo do mercado, o número de pessoas que estudam idiomas estrangeiros em nossa cidade é muito ínfimo – vergonhoso, até. Para variar, há diversas “razões” para a existência dessa realidade inquietante…

Antigamente, era muito comum dizer/ouvir falar que “não fazer nada já é fazer alguma coisa” ou que “muito ajuda quem não atrapalha”. Em meio à nossa modernidade, cheia de falsas urgências e necessidades desnecessárias, as pessoas optam por não fazer nada e não ajudar o próximo, muitas vezes até mesmo alguém da própria família. Com isso, optam pelo individualismo escancarado em detrimento do coletivismo. Elegem o egoísmo como algo mais importante que o altruísmo. Concorda?

Nesse contexto, filantropia, na maioria das vezes, é conversa para boi dormir, virando terreno fértil para a pseudo educação, para a singularidade ou para a corrupção. E enquanto não aprendemos inglês, espanhol ou mesmo português decentemente, o mundo gira ao nosso redor, a maioria dos outros países se desenvolvem e nós, brasileiros, atordoados e boquiabertos, continuamos fazendo a mesma pergunta bisonha: por que eles conseguem tudo isso e nós, não?

Como já dizia/cantava o mestre Bob Dylan, the answer is blowing in the wind

Fonte | Jerry Mill -Mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), membro-fundador da Academia Rondonópolitana de Letras (ARL), conselheiro da ALCAA (Associação Livre de Cultura Anglo-Americana) e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis

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