Milly Siqueira Cardinal de Almeida, 37 anos, natural de Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) é filha e neta de pecuaristas, veio para Rondonópolis-MT em 1983 com a família, após aquisição de uma propriedade rural. Atualmente é casada, mãe de uma menina, e fez biologia, mas depois a Engenheira Agrícola Ambiental. Hoje Milly possui mestrado nesta área, tendo uma vida totalmente ligada à produção no campo. Sua meta é multiplicar no meio agropecuário, o conceito de que é possível produzir com sustentabilidade.

1- Onde e quando se formou e, por que escolheu o curso de Engenharia Agrícola Ambiental?

Formei em biologia em 2004 e em engenharia agrícola ambiental em 2014, ambas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), decidi fazer Engenharia Agrícola, pois vislumbrei no curso a possibilidade de realizar meu sonho profissional: conjugar o agronegócio com sustentabilidade, utilizando da pesquisa cientifica e a tecnologia como instrumentos para diminuir os impactos do homem no meio ambiente.

2- Como é o dia a dia de quem trabalha nesta profissão, o que você tem desenvolvido?

A profissão oferece inúmeros caminhos, contudo optei pelo misto da pesquisa cientifica e atuação técnica com soluções aplicadas ao campo, atualmente trabalho em uma empresa privada que desenvolve diversos serviços na área de planejamento agropecuário, agrimensura e meio ambiente, atuo como Analista Ambiental, onde realizo assessoria e consultoria na área ambiental, propondo soluções e visando à regularização das propriedades rurais perante as legislações vigentes, assim como, o atendimento das exigências dos órgãos ambientais.

3 – Quais as oportunidades do mercado de trabalho e os maiores desafios enfrentados pelo engenheiro agrícola em Mato Grosso?

O maior desafio é o conhecimento da sociedade desta nova profissão, atualmente tenho que passar a maior parte do tempo tentando explicar para as pessoas o que estudei e onde posso atuar, porém, como tudo que é contemporâneo e requer um tempo para absorção da sociedade de maneira geral, aqui no Estado não consigo imaginar outro curso que consiga abarcar todas as necessidades ligadas à produção e ao desenvolvimento sustentável. Com relação ao mercado de trabalho acredito num futuro próspero e dinâmico, assim como foi a Agronomia na década de 70, que no meu sentir, quebrou paradigmas na produção de alimentos, teve seus entraves como o “sempre fiz assim”, mas através das pesquisas científicas e da evolução tecnológica, trouxe a produção de alimentos ao patamar em que observamos na atualidade. Logo, a missão da nossa profissão é otimizar, através de pesquisa científicas e tecnologia, o uso adequado de toda cadeia produtiva – passando por conservação dos recursos naturais, até a criação de nossos implementos agrícolas – com o menor impacto possível ao meio ambiente.

4- O que você considera importante para se destacar nesta profissão?

É importante destacar que na Engenharia Agrícola forma-se profissionais capacitados a desenvolver técnicas integradas na produção de alimentos com as de desenvolvimento sustentável, de forma a empregar os conhecimentos de Engenharia com as tecnologias da área de ciências agrárias e da ciências ambientais. É importante entender sobre diversos ramos, pois o profissional atuará nas áreas de: construções rurais e ambiência, máquinas e mecanização agrícola, processamento de produtos agrícolas, armazenamento de produtos agrícolas, energização alternativa e eletrificação rural, engenharia de água e solo, geoprocessamente e agricultura de precisão, saneamento ambiental, controle da poluição, conservação e planejamento ambiental, gestão de recursos hídricos, análise de susceptibilidade e vocações naturais do ambiente, elaboração de estudos de impactos ambientais, proposição, implantação e monitoramento de medidas mitigadoras e ações ambientais e perícia ambiental. Como pode-se observar são diversas as áreas de atuação do profissional.

5- Como você vê, como engenheira agrícola formada e habilitada, a participação em uma entidade de classe?

No Brasil, vimos que as profissões são vilipendiadas, assim, entendo ser necessária a representação junto ao CREA, inclusive como órgão fiscalizador dos atos praticados por profissionais habilitados, bem como impedindo aqueles que não detêm a formação necessária para execução de uma tarefa. Ademais, sabemos da precariedade dos órgãos de controle (Estatal), o CREA tem a tarefa, inclusive, de ser um sistema de freios e contrapesos em favor da sociedade.

6- A partir de sua experiência que conselhos você daria para os estudantes que ainda estão definindo o curso que irão fazer, aos que já estão fazendo Engenharia Agrícola e para os profissionais que estão entrando no mercado de trabalho?

Aos que estão definindo: perguntaria mais ou menos assim: gosta do meio ambiente? gosta de lidar com agronegócio? gosta de tecnologia? gosta da possibilidade de criar algo novo? gosta da pesquisa científica? Se respondeu SIM para três ou mais alternativas seu lugar é na Engenharia Agrícola Ambiental. Aos que estão cursando, digo que tenham a perseverança para terminar o curso, é cansativo, exige muito do discente, mas é gratificante, não desista, não desanime, como diria o filósofo contemporâneo “Para traz nem para pegar impulso”. Aos que estão entrando no mercado, digo para não se apavorarem caso termine o curso e não tenham certeza de qual área tem mais afinidade. Atualmente grandes grupos tem um plano de trainee ou estágio específico para os profissionais de nossa área – caso tenha dúvida de qual área atuar – ser trainee ou estagiário num grande grupo oportuniza o trabalho em diversas áreas.

 

Fonte | Crea-MT – 23/10/2017

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