Jovens estão cada vez mais infelizes, aponta estudo global



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Pesquisas indicam queda preocupante no bem-estar da juventude em mais de 100 países

A ideia de que a juventude é a fase mais feliz da vida está sendo colocada em xeque. Um estudo liderado pelo economista David Blanchflower, da Universidade de Dartmouth, revela que os jovens estão mais infelizes do que gerações anteriores — e esse fenômeno já é observado em escala global.

Jovens são hoje os mais infelizes, dizem pesquisadores

Durante décadas, estudos apontavam que a felicidade seguia uma curva em formato de “U”: alta na juventude, caía na meia-idade e voltava a subir após os 50 anos.

No entanto, esse padrão mudou drasticamente.

Segundo os pesquisadores, os jovens adultos passaram a ser o grupo menos feliz da sociedade, enquanto o bem-estar tende a aumentar com a idade.

“A infelicidade agora diminui com o passar dos anos, enquanto a felicidade cresce com a idade”, destacou David Blanchflower.

Essa mudança começou por volta de 2017 e já foi identificada em dezenas de países, incluindo nações desenvolvidas e em desenvolvimento.

Fenômeno global preocupa especialistas

Os dados analisados mostram que essa queda no bem-estar não é isolada. O padrão foi identificado em mais de 145 países, evidenciando uma tendência mundial preocupante.

De acordo com os estudos, a juventude atual enfrenta uma fase inicial da vida adulta marcada por:

  • Falta de bem-estar emocional
  • Aumento da ansiedade e depressão
  • Sensação de insegurança com o futuro
  • Pressões sociais e digitais cada vez maiores

Saúde mental em alerta entre jovens

Um dos dados mais alarmantes envolve a saúde mental, especialmente entre mulheres jovens.

Pesquisas indicam que:

  • Cerca de 1 em cada 9 mulheres jovens relata ter dias ruins constantemente
  • Entre homens jovens, o número é de 1 em cada 14

Além disso, houve crescimento significativo em:

  • Procura por serviços de saúde mental
  • Casos de automutilação
  • Tentativas de suicídio

Especialistas apontam que o problema é grave e vem se intensificando nos últimos anos.

O fim da “juventude feliz”?

Com a queda acentuada no bem-estar dos jovens, a tradicional curva da felicidade praticamente desapareceu, dando lugar a uma linha mais reta — com níveis baixos no início da vida adulta e crescimento gradual ao longo dos anos.

Os próprios pesquisadores afirmam que ficaram surpresos com os resultados:

“Nunca vimos algo assim antes. Esse padrão é assustador”, alertou David Blanchflower.

O que está causando essa infelicidade?

Apesar dos dados consistentes, ainda não existe uma explicação definitiva para essa mudança.

Algumas hipóteses foram levantadas, como:

  • Impactos da pandemia de COVID-19
  • Mudanças no mercado de trabalho
  • Uso intenso de redes sociais
  • Pressões econômicas e sociais

No entanto, nenhuma dessas causas, isoladamente, explica o fenômeno global.

Segundo David Blanchflower, qualquer explicação precisa atender a três critérios:

  • Ter começado por volta de 2014
  • Ser global
  • Afetar mais os jovens, especialmente mulheres

Um problema que exige atenção urgente

O alerta dos cientistas é claro: a infelicidade crescente entre jovens não pode ser ignorada.

Sem ações efetivas, essa tendência pode impactar diretamente:

  • A saúde pública
  • A produtividade econômica
  • As relações sociais
  • O futuro das próximas gerações
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