Seu filho aprende melhor vendo, ouvindo ou fazendo?

Seu filho aprende melhor vendo, ouvindo ou fazendo?

Na infância, aprender não se resume à memorização, mas ao uso ativo do conhecimento em diferentes contextos, explica psicopedagoga
 

O processo de aprendizagem no cérebro de uma criança acontece por meio da intensa plasticidade cerebral. Essa plasticidade nada mais é que a capacidade notável do sistema nervoso de mudar, adaptar-se e reorganizar sua estrutura e funções em resposta a experiências, aprendizados ou lesões. Ela permite a formação e o fortalecimento de conexões entre os neurônios a partir das experiências vividas pela criança.

Psicopedagoga e professora do curso de Pedagogia da Unic Beira Rio, Ana Claudia Borck explica que cada interação com o ambiente, como brincar, ouvir, observar, falar e experimentar, estimula novas sinapses, que se consolidam com a repetição significativa. Ao mesmo tempo, conexões pouco utilizadas tendem a ser eliminadas, tornando o cérebro mais eficiente. Por isso, aprender não se resume à memorização, mas ao uso ativo do conhecimento em diferentes contextos.

“As emoções e as relações sociais têm papel central nesse processo, pois o cérebro infantil aprende melhor quando a criança se sente segura, acolhida e motivada. Emoções positivas facilitam a ação de áreas cerebrais ligadas à memória e à atenção, enquanto o estresse e o medo podem dificultar a aprendizagem”, destaca a psicopedagoga. Além disso, o aprendizado ocorre de forma integrada ao corpo e aos sentidos, por meio do movimento, da brincadeira e da interação com outras pessoas, tornando a experiência mais rica, significativa e duradoura, explica a especialista.

Cada criança tem uma maneira única de absorver conhecimento. Entender o estilo de aprendizagem de cada uma, seja visual, auditivo ou cinestésico, pode facilitar o ensino, melhorar o desempenho escolar e tornar o aprendizado mais prazeroso. Ana Cláudia afirma que observar os sinais do dia a dia é o primeiro passo para identificar como a criança processa melhor as informações.

Entenda a seguir as características de cada estilo:

Aprendizagem visual

Crianças com predominância visual absorvem informações principalmente através de imagens, cores e gráficos. Elas costumam:

  • Se lembrar melhor de diagramas, desenhos e fotos;
  • Preferir ler instruções ou ver demonstrações;
  • Se distrair facilmente com sons, mas se concentrar bem em tarefas que envolvem imagens ou vídeos.

Aprendizagem auditiva

As crianças auditivas retêm informações melhor ao ouvir explicações, histórias ou músicas. Alguns sinais incluem:

  • Repetir em voz alta para memorizar o conteúdo;
  • Prestar atenção a instruções verbais mais do que a textos ou imagens;
  • Se lembrar de diálogos ou músicas com facilidade.

Aprendizagem cinestésica

Crianças cinestésicas aprendem melhor experimentando e manipulando objetos. Elas geralmente:

  • Gostam de atividades práticas, como montar, desenhar ou manipular brinquedos educativos;
  • Se movimentam bastante durante o aprendizado e aprendem melhor quando podem tocar ou testar;
  • Têm dificuldade em ficar longos períodos apenas ouvindo ou observando.

Segundo a psicopedagoga, reconhecer o estilo de aprendizagem da criança não significa limitá-la, mas sim adaptar estratégias que facilitem a compreensão e estimulem o interesse. Para identificar o estilo de aprendizagem da criança, ela indica alguns passos. “Observar como o filho reage a diferentes métodos de ensino, como aulas expositivas, vídeos ou atividades práticas é essencial. Faça pequenas experiências e peça para ele explicar algo que aprendeu, desenhar ou demonstrar. Conversar com professores e educadores, que muitas vezes percebem padrões de aprendizagem durante as atividades em sala de aula, também é um facilitador”, conta Ana Cláudia.

Entender se seu filho aprende melhor vendo, ouvindo ou fazendo é uma ferramenta poderosa para tornar o aprendizado mais eficaz e motivador, além de fortalecer a confiança e a curiosidade natural da criança, segundo a especialista.

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