Trafegar pelas ruas da cidade com comodidade e segurança, podendo prever duração do percurso e calcular tempo de chegada ao destino é um ideal que pode ser alcançado com estrutura física apropriada que permita fluidez no trânsito, adoção de novos hábitos e, principalmente, mudança de mentalidade. A partir desses princípios e para oferecer à população rondonopolitana essas condições, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra) elaborou um projeto a ser implementado nesse segundo semestre para readequação viária com inserção de ciclofaixas, ciclorrotas e corredores exclusivos de transporte coletivo em algumas vias.

“A licitação já foi realizada, com orçamento de R$1.600.000 aproximadamente, tendo como empresa vencedora a Tecnovias, de Cuiabá”, anuncia o engenheiro de transportes da Sinfra, José Leonardo Alves Leite, que elaborou o projeto. Ele defende que um sistema de transporte público eficaz e vias que permitam uma mobilidade urbana que contribua para a qualidade de vida do cidadão não é utopia, e, com adaptações nas ruas e respeito das pessoas às leis e entre elas ao se locomoverem, esse cenário pode ser concretizado. E lembra, ainda, que na paisagem da cidade se deslocam condutores, mas também pedestres e ciclistas.

Após a entrada em circulação da nova frota de ônibus disponibilizada à sociedade pela Autarquia Municipal de Transporte Coletivo (AMTC), que começou a rodar no dia 1 de julho, agora vão ser instalados corredores exclusivos demarcados com sinalização nas faixas à direita, onde os coletivos rodam, facilitando o ganho de tempo e favorecendo sua trafegabilidade. Serão contemplados com o projeto partes das Ruas Fernando Corrêa, Dom Pedro II, Rio Branco, Otávio Pitaluga, João Pessoa, João Goulart, além das Avenidas Bandeirantes, Dom Wunibaldo, Tiradentes, Marechal Rondon e Lions Internacional.

“O corredor será exclusivo, neste primeiro momento, somente nos horários de pico, que são das 6h às 8h e das 16h45 às 18h. Então, do lado direito da pista, que é onde os pontos de ônibus estão instalados, não será permitido estacionamento de veículos particulares”, relata o engenheiro. Segundo ele, essa medida é importante porque garante ao cidadão, especialmente à camada mais vulnerável da população, que é a que usa transporte coletivo, o acesso fácil aos diversos lugares do município.

José Leonardo aproveita para ressaltar que o transporte coletivo tem primazia sobre o individual e cita o artigo 6º, II, da lei 12.587/12, que estabelece as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que dá prioridade aos modos de transporte não motorizados em relação aos motorizados e aos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado. O projetista ainda aponta a Carta Magna, no seu artigo XV: “O transporte coletivo corrobora o direito de ir e vir instituído pela Constituição de 1988”. Ele continua: “Ciclistas e pedestres, também denominados modos ativos, pois se locomovem por si mesmos, têm preferência sobre veículos, que são modos motorizados, ou seja, se movem por meio da máquina, já que os primeiros são mais frágeis nessa situação”.

“Em todas as vias incluídas no projeto haverá, na maioria dos trechos, ciclofaixas e, em trechos específicos, ciclorrotas. Tudo bem sinalizado tanto horizontal quanto verticalmente”, explica o engenheiro, detalhando que as ciclofaixas ficam no mesmo nível da pista de rolamento, porém em espaço exclusivo para os ciclistas e têm piso diferenciado, sendo delimitadas com sinalizadores, tachões e placas orientativas, ao passo que as ciclorrotas, ficam no mesmo espaço viário dos veículos motorizados, com os quais as bicicletas compartilham a via, e são definidas em trechos onde o trânsito é mais tranquilo.

Outro aspecto importante a ser notado com a infraestrutura que a Prefeitura vai ofertar ao público, disponibilizando essa diversidade de opções de deslocamento, é a possibilidade de usar a bicicleta como meio de transporte no dia a dia, seja para ir ao trabalho, visitar pessoas ou realizar qualquer obrigação rotineira, pensando na bike não apenas para esporte e lazer, mas como veículo que proporciona uma maneira saudável de locomoção e, também, auxilia na adoção de uma atitude ambientalmente correta e na economia de combustível, entre outros benefícios, conforme acentua José Leonardo.

“É interessante que as pessoas percebam que existem várias maneiras de se movimentarem pelo município que vão além dos veículos motorizados. É possível fazer muitas atividades de bike ou, até mesmo, a pé. Essa consciência acaba gerando maior fluidez no trânsito e otimizando a mobilidade urbana. Afinal, as cidades são para pessoas e não para carros”, pontua o engenheiro.

Via | Roberta Azambuja   Foto | Assessoria
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