Brasil deve registrar 36 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço neste ano

A pandemia de Covid-19 trouxe impactos para a saúde das pessoas que excedem a contaminação pelo coronavírus. Uma pesquisa realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) revelou uma redução de 20% nos exames diagnósticos de cânceres gerais em 2020, considerada a maior queda desde 2012. Os dados alertam especialistas sobre os riscos de detecção de doenças em estágios mais avançados, como o de cânceres de cabeça e pescoço.

De acordo com Marco Aurélio Vamondes Kulcsar, cirurgião do Hcor e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), o Brasil deve registrar 36 mil novos casos apenas neste ano. Segundo um levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), esses tipos de tumores estão entre os nove mais frequentes no mundo. Os mais comuns afetam a boca, a laringe e a tireoide. Apesar de aparecerem com certa regularidade, eles estão longe de serem simples.
Para chamar a atenção sobre a importância do diagnóstico precoce, a campanha “Julho Verde” busca disseminar informações sobre ações preventivas que podem ser as maiores aliadas na redução dos casos. Entre elas, está a realização de exames regulares. “Quando o câncer é detectado no início, as chances para o tratamento funcionar são maiores. Os números de exames diagnósticos caíram muito durante a pandemia, mas com a melhora do cenário epidêmico, a expectativa é que as pessoas retomem os cuidados”, avalia Dr. Kulcsar.

Ainda que hábitos saudáveis, como alimentação adequada, redução da ingestão de bebidas alcoólicas e combate ao fumo ajudem a prevenir cânceres de cabeça e pescoço, alguns casos podem ter origem genética. “Doenças hereditárias podem ser fatores de risco para o surgimento de alguns desses cânceres. É necessário ficar atento com síndromes, como a de Gardner, por exemplo, ou polipose familiar”, alerta o médico.

Câncer de boca

O câncer de boca pode acometer lábios, língua, gengivas e bochechas. A causa mais comum é o uso do cigarro e o abuso de álcool, mas também pode ser originado por próteses dentárias mal adaptadas, má higiene da boca e, em poucos casos, estar associado ao vírus do HPV. É importante observar toda ferida ou afta que dure mais de 15 dias e procurar atendimento médico.

“O diagnóstico é feito por um especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Ao examinar a boca e identificar o tumor, deve ser feita a biópsia. A principal forma de tratamento é a cirurgia com a retirada do tumor e a limpeza dos gânglios linfáticos do pescoço. Com o resultado da análise do material, pode ser necessária a complementação com a radioterapia e/ou quimioterapia. A chance de cura gira em torno de 65%”, explica o cirurgião.

Câncer de tireoide

O tumor mais frequente é o papilífero, mas também existem o folicular, o medular e o anaplásico. As causas do surgimento desse câncer ainda não são completamente conhecidas, mas a mais comum é a exposição à radiação. Aparece como um nódulo na parte anterior do pescoço, que precisa de avaliação do médico especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e/ou endocrinologista.

“A principal modalidade de tratamento é a cirurgia para remoção do tumor, com a retirada da glândula tireoide, chamada de tireoidectomia. Em alguns casos, pode haver a necessidade de tomar o iodorradioativo como complemento da cirurgia e, muito raramente, o uso de radioterapia e quimioterapia. O indivíduo tem chance de 98% de cura, quando diagnosticado no início”, esclarece Dr. Kulcsar.

Câncer de laringe

O câncer de laringe atinge, principalmente, as cordas vocais e, na maioria dos casos, está associado ao tabagismo. Em geral, surge de uma rouquidão que permanece por mais de 15 dias e/ou pela presença de nódulos no pescoço. O diagnóstico é feito pelo exame das cordas vocais, chamado de laringoscopia, junto com a biópsia.
“Para os tumores pequenos, o tratamento é feito com radioterapia ou cirurgia. Para os tumores mais avançados, que acarretam em dificuldade de respirar e comer, o tratamento é a laringectomia total (retirada da caixa da voz), acrescido de radioterapia e até quimioterapia. As chances de cura dos tumores pequenos são maiores, chegando a 90%, enquanto a dos maiores fica em torno de 50%, dependendo do estágio da doença”, finaliza o especialista.

Sobre o Hcor

O Hcor atua em mais de 50 especialidades médicas, entre elas Cardiologia, Oncologia, Neurologia e Ortopedia, além de oferecer um centro próprio de Medicina Diagnóstica. Possui Acreditação pela Joint Commission International (JCI) e diversas certificações nacionais e internacionais. Desde 2008, é parceiro do Ministério da Saúde no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).

Instituição filantrópica, o Hcor iniciou suas atividades em 1976, tendo como mantenedora a centenária Associação Beneficente Síria. Além do escopo assistencial, o hospital conta com um Instituto de Pesquisa, reconhecido internacionalmente, que coordena estudos clínicos multicêntricos com publicações nos mais conceituados periódicos científicos. Também está à frente de um Instituto de Ensino, que capacita e atualiza milhares de profissionais anualmente e é certificado pela American Heart Association.

Via | Assessoria Hcor
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