O livro “Rondon, o marechal da paz – A vida de um herói nacional contada por meio da Filatelia”, de Maurício Melo Meneses, se tornou um novo marco na história de vida do mato-grossense, nascido na sesmaria de Morro Redondo, Campos de Mimoso, no então distrito de Santo Antônio do Leverger.

Com 128 páginas, leitura agradável e instigante, a obra, lançada pela Editora Mackenzie em maio, é ricamente ilustrada por selos, que retratam aspectos da vida do Marechal Rondon, dos períodos nos quais realizou seu grande trabalho que entrou para a história do Brasil. Imagens e textos harmonizam-se e se complementam, propiciando que o leitor conheça a vida do importante personagem de maneira lúdica, informativa e didática.

Na introdução, o autor salienta que, falar de Cândido Mariano da Silva Rondon, é essencialmente fazer alusão a um herói nacional. “Marechal Rondon, como é popularmente conhecido, é um exemplo de vida e padrão de civismo para todos os brasileiros”. Ressaltando que o biografado foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, pelo físico Albert Einstein, revela que, em 2015, por meio da Lei 13.141, seu nome foi inserido no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

O livro traz depoimentos de várias personalidades, que acrescentam relatos sobre a vida de Rondon, reforçando a importância e o caráter inusitado da obra de Maurício Meneses. “O autor traz, aos sentimentos, o que está vivo na memória sobre um dos personagens mais emblemáticos na construção de um país chamado Brasil. Descreve com maestria os abundantes roteiros da vida desse ícone em uma inusitada combinação de literatura e filatelia”, diz o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, no texto de apresentação da obra.

Na contracapa do livro, há frases relevantes de personalidades brasileiras e estrangeiras, a começar por Theodore Roosevelt, ex-presidente norte-americano e integrante da Expedição Roosevelt-Rondon: “Rondon, como homem, tem todas as virtudes de um sacerdote, é um puritano de uma perfeição inimaginável na época moderna. E como profissional é tamanho cientista, tão grande é o seu conjunto de conhecimentos, que se poderia considerar um sábio”.

Outro admirador famoso do marechal foi o antropólogo Darcy Ribeiro, que ao ser questionado por representantes da Índia, em uma conferência internacional, se Rondon tinha sido discípulo de Gandhi, disse que “esta pergunta vale por um julgamento de atitude que alcança o pensamento pacifista brasileiro formulado por Rondon: morrer se preciso for, matar nunca”.

Ou, ainda, Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro que, em trecho extraído do poema Pranto Geral dos Índios, lembrou Rondon: “Eras um dos nossos voltando à origem e trazias na mão o fio que fala e o foste estendendo até o maior segredo da mata… Oh, Rondon, trazias contigo o sentimento da terra…”.

Além disso, Manuel Bandeira se junta aos admiradores do poeta brasileiro. Ele viu esperança e fé na caminhada do biografado: “A vida de Rondon é um conforto para todo brasileiro que ande descrente de sua terra”.

 Ideal Incomum

O livro de Maurício Meneses reflete cada uma dessas e muitas outras visões, que se pode ter de Rondon, um herói sui generis, que, para não matar, nem deixar que se matasse um só homem, preferiu encarar 100 vezes a morte. “Apresentamos aos leitores uma biografia única do Marechal Rondon, que não pretende ser exaustiva nem extremamente detalhada, mas almeja ser marcante em cada uma de suas páginas”.

“O grande pensamento da juventude de Rondon foi levado a cabo”, segue o autor, pois o futuro Marechal mato-grossense não apenas ligou entre si os longínquos rincões de Mato Grosso como também conectou as regiões Centro Oeste e Norte do país ao Rio de Janeiro, então capital da República, solucionando os antigos e preocupantes problemas de comunicação e segurança daquelas partes da nação”.

Tamanho conhecimento, adquirido em suas andanças pelos sertões, fez com que as contribuições do “patrono das comunicações do Brasil”, como é conhecido, excedessem o trabalho de unificação do território, via instalação de redes de telégrafos.

De 1927 a 1930, Rondon foi o responsável por inspecionar as fronteiras brasileiras, do extremo norte do país até as divisas com Argentina e Uruguai. O legado dessa contribuição pode ser identificado em expressão cunhada pelo próprio Rondon: “do Oiapoque ao Chuí”, que faz referência a estes dois municípios, o primeiro no ponto mais setentrional do território brasileiro, no Amapá, e o segundo, no mais meridional, no Rio Grande do Sul.

As conclusões a que chega Maurício Meneses ao apresentá-lo também como indigenista, talvez traduzam o que provavelmente fez com que Rondon se tornasse o único brasileiro a ser indicado, três vezes, ao Prêmio Nobel da Paz – uma delas por ninguém menos do que um dos maiores cientistas de todos os tempos, o alemão Albert Einstein.

No entanto, Marechal Rondon pode e deve ser visto por muitas outras lentes. Suas contribuições para a consolidação do Brasil moderno não cabem nem nos milhares de quilômetros que percorreu a pé. Por isso, como ressalta Jaguaribe de Matos, membro oficial da Comissão Rondon, general de Brigada e comandante da Revolução Constitucionalista de 1932, devem ser sempre lembradas: “Tem na sola dos pés o mais longo caminho jamais percorrido, mas é preciso acrescentar: e que realizações em cada um dos passos desse fundo palmilhar”.

Via | Assessoria
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