Lá, foram orientadas a retornar no dia seguinte, caso os meninos não voltassem para casa. Só registraram ocorrência na manhã do dia 28, 24 horas após o desaparecimento. Foi quando teve início a investigação conduzida pela DHBF (Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense).

O núcleo de defesa dos direitos humanos da Defensoria Pública contesta a abordagem dos agentes às mães na delegacia, citando a lei 13.812, que recomenda o registro imediato da ocorrência.

O órgão diz que encaminhou à Polícia Civil uma recomendação para fixação de cartaz nas delegacias do estado do Rio, com informações sobre a determinação.

Como três crianças desaparecem assim, sem deixar rastros? No mesmo dia, as famílias foram à delegacia. As buscas deveriam ter sido feitas imediatamente. Quanto mais rápido iniciarem, maior a chance de localização dos desaparecidos. Só que os próprios policiais nas delegacias desconhecem essa lei” Gislaine Kepe, defensora pública.

A assistente social Paula Moreira, que integra a Superintendência Estadual de Prevenção e Enfrentamento das Pessoas Desaparecidas, órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos responsável pelo monitoramento do caso dos meninos desaparecidos, relaciona o atraso no registro ao que entende ser um problema cultural na Polícia Civil do Rio.

“As delegacias costumam dar essa orientação, para que os parentes aguardem 24 horas para registrar. Mas a população não tem que esperar, para que não se perca tempo. Os órgãos precisam ser acionados imediatamente, para que haja mais chance de localização das vítimas”, disse.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro ainda não tem informações sobre o paradeiro das três crianças desaparecidas em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, desde 27 de dezembro. Sem notícias há 2 meses, as famílias de Lucas Matheus, Alexandre da Silva e Fernando Henrique Soares, que têm entre 8 a 10 anos, foram recebidas pela secretaria estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

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De acordo com o secretário, Bruno Dauaire, o intuito do encontro era entender cada caso para “colocar a nossa secretaria, os órgãos do governo e do Estado ao lado dessas pessoas”. A pasta prometeu que uma estrutura de transporte ia ser realizada para que as famílias das crianças tenham acesso a uma equipe de atendimento multidisciplinar. “O principal objetivo deles aqui é encontrar esses meninos que estão desaparecidos. Mas numa conversa mais íntima com os familiares, a gente percebeu que faltam muitas coisas a essas famílias, que muitas vezes estão desempregadas e sequer possuem o que comer em casa”, afirmou Dauaire à repórter Viviane Nascimento do Seu Jornal.

Por meio de uma chamada de vídeo, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, falou com os familiares e prometeu enviar representantes para acompanhar o caso no Rio. Segundo o secretário, eles estão tentando negociar com as famílias a saída da comunidade Castelar, assim como ajudá-los em sua proteção. “São muitos casos de pessoas desaparecidas que às vezes extrapolam até mais que o número de homicídios dolosos. Então, é um problema grave no estado do Rio”, completou Dauaire.

Pressão das entidades

As promessas feitas às famílias das crianças respondem em parte à pressão de entidades negras e que estão na luta pelos direitos humanos. Diante da falta de respostas das autoridades e da angústia e o sofrimento causado pelo caso, as organizações cobram celeridade nas investigações e a oferta de suporte jurídico, psíquico e financeiro às famílias.

Mais de 50 entidades, entre elas, a ONG Conectas Direitos Humanos, o Instituto Marielle Franco e a Coalização Negra por Direitos, lançaram uma carta pública cobrando também a divulgação e transparência dos dados de desaparecidos, além de políticas públicas de promoção de justiça social nos municípios do Rio, em especial na Baixada Fluminense.

As investigações 

Até o momento, apenas um suspeito pelo sumiço foi preso no dia 12 de janeiro. Ele é vizinho das crianças e foi apontado pelos moradores de estar envolvido no caso. O homem chegou também a ser torturado pelo tráfico de drogas da região do Castelar. Na casa dele, roupas com sangue foram encontradas e entregues à polícia. O material passou por exame de DNA que, contudo, mostrou que o sangue não pertence aos três meninos. Mas ele acabou ficando preso após ser encontrado em seu celular material pornográfico infantil.

As famílias dos três meninos também descartam a hipótese de que as crianças ainda estejam na comunidade. A avó de Lucas e Alexandre, que são primos, Silvia Regina da Silva, explica que “eles vivem na comunidade. Como é que eles iam estar dentro? Ali eu acho que eles não estão”, observou.

Via | Rede Brasil

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