São Paulo segue como estado mais competitivo do país, seguido por Distrito Federal; Roraima, Piauí e Acre ocupam as últimas posições
O CLP (Centro de Liderança Pública) promoveu nesta quinta-feira, 17, pela manhã, o webinar digital que apresentou todos os resultados do Ranking de Competitividades dos Estados 2020. Realizado em parceria com a B3, a Tendências Consultoria e a Economist Intelligence Unit, o evento foi transmitido na íntegra pela TV Estadão e contou com a participação de sete governadores em quatro painéis temáticos. A mediação dos debates foi comandada pela jornalista e apresentadora Vera Magalhães.

No Ranking de Competitividade dos Estados 2020, as 27 unidades federativas foram avaliadas. Neste ano, o levantamento também reuniu dados sobre destaques e desafios enfrentados por áreas essenciais da administração pública no combate à covid-19 a partir de 73 indicadores, distribuídos em dez pilares temáticos considerados fundamentais para a promoção da competitividade e melhoria da gestão pública dos estados brasileiros: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação.

Assim como nas edições 2018 e 2019, São Paulo segue na primeira colocação. Da mesma forma, Santa Catarina permaneceu na segunda posição, Distrito Federal, na terceira e Paraná, na quarta. Os Estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste concentram-se na metade superior do ranking, com os Estados do Norte e Nordeste ocupando as últimas posições. Ceará é o representante do Nordeste mais bem colocado (10ª posição), à frente de Goiás (12ª). E Amazonas é o representante do Norte mais bem colocado (14ª posição). Os três últimos colocados foram Roraima, Piauí e Acre. Nesta edição, Maranhão saiu das últimas posições, passando da 26ª colocação para 23ª.

Para Luiz Felipe D’Avila, fundador do CLP, o lançamento este ano foi uma oportunidade para discutir a retomada da competitividade e do crescimento do Brasil. “A crise da covid-19 fez com que o País mergulhasse na pior recessão da sua história, na mais alta taxa de desemprego e na mais baixa taxa de investimento privado”. D’Ávila destacou o papel dos executivos estaduais: “É tão importante os governadores poderem atuar, localmente, para debelar essa crise que vem arrastando o Brasil para uma situação dramática”.

O Ranking da Competitividade, segundo o presidente do CLP, é usado como ferramenta importante no planejamento estratégico e para políticas setoriais de 22 dos 27 estados. Aproveitou para enaltecer os bons políticos: “Costumamos ter um olhar crítico aos políticos e raramente damos espaço para os políticos discutirem as coisas virtuosas que foram feitas durante os seus mandatos. É uma forma de reconhecermos o bom trabalho dos governadores nesse momento tão delicado da nossa história”.

No painel sobre a Sustentabilidade Social, o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), apresentou o projeto Escola 10, que prevê investimentos de R﹩ 30 milhões e a integração de esforços para mudar a Educação, envolvendo os municípios e os colégios. A iniciativa promoveu ainda uma aproximação dos alunos, com uma avaliação periódica e acompanhamento da aprendizagem em regime de colaboração. “Quando muda a educação de um jovem, ele fica mais forte. Foi uma forma de corrigir caminhos equivocados, com metas superiores às do MEC, e como um dos estados que mais avançou”, diz.

Levantamentos como o do CLP motivaram o governador a buscar soluções para os problemas estruturais. “Alagoas era o mais violento do Brasil, superendividado e com extrema dificuldade na Educação. Rankings como este são muito importantes para estruturar o planejamento, definir as políticas públicas que funcionam. E de lá para cá iniciamos um trabalho muito interessante em diversas áreas, com uma reestruturação fiscal completa e com uma ampla reforma do Estado, que contribuiu para elevar a avaliação de risco do Tesouro Nacional, que passou da Letra D para a letra B, uma das melhores do país. E passamos a investir 10% da receita corrente líquida na economia. Alagoas deixou de ser o estado mais violento. Tudo isso também é fruto do avanço da Educação”.

O Estado do Maranhão subiu três posições no ranking e o governador Flávio Dino (PCdoB) atribuiu esse resultado às ações de responsabilidade fiscal e social. “Uma é amiga da outra”, diz. “Somos um Estado que caminha para quatro anos seguidos de Caged positivo, ou seja, quatro anos seguidos de saldo positivo de empregos, em razão dessa sinergia entre o setor público e privado”. Os serviços foram ampliados: “Nos municípios com os piores Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) levamos restaurantes populares, com o valor da refeição a R﹩ 2,00 o prato, escolas, água. E no desafio da pandemia conseguimos ampliar o volume de 80 leitos hospitalares, quando assumimos o governo, para 300. Fizemos o programa de devolução do ICMS da cesta básica e benefício às gestantes, com R﹩ 100 por mês a cada consulta durante a gestação”.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), não se orgulha da posição no ranking da competitividade de seu estado no parâmetro solidez fiscal. “Não vamos conseguir mudar da noite para o dia”, diz. Mas destacou “a mais profunda reforma da Previdência de todos os Estados” realizada em sua gestão e que impactou o Executivo, Legislativo, o Judiciário e o Ministério Público e acarretará numa economia de R﹩ 18 bilhões ao longo do período de 10 anos.

“Custo é que nem unha, tem que cortar sempre. Entre as mudanças, tivemos que reformar as carreiras e acabamos com aumentos automáticos, o que não é simpáticos”. Ele se mostrou otimista com a perspectiva da privatização das empresas de energia, no setor de gás, com editais do BNDES para este ano.

O governador Romeu Zema (NOVO), de Minas Gerais, disse que herdou uma situação difícil de solidez fiscal. “Priorizei as reformas. De 21 secretarias, enxugamos 12 secretarias e cortamos mais de 50 mil cargos, além de uma reforma da Previdência e negociação dos contratos com os fornecedores”. Os avanços na área de digitalização do Estados resultaram num aplicativo do governo. “Esse trabalho forte foi para que o cidadão não precisasse ir ao balcão do Estado fazer boletim de ocorrência, consultar o IPVA, informações sobre a Carteira Nacional de Habitação. No site do Estado, é possível emitir guia de recolhimento e Nota fiscal, graças à auto declaração. Confiamos no cidadão para reduzir a burocracia”.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), que lidera o ranking na solidez fiscal e foi classificado na quinta posição na avaliação geral da competitividade, vê o desafio da Segurança Pública como uma falta de continuidade de políticas públicas. “Temos a cultura da gestão fiscal desde 2012, quando governei. Fomos Nota A, com controle do custeio e pessoal. Em 2010 o Espírito Santo foi o segundo colocado em termos de homicídio, perdíamos apenas para Alagoas. Mas não houve continuidade. Enfrentamos muitas dificuldades no tráfico de drogas e com a entrada de armas ilegais. Mas a União atua pouco. É um desafio gigantesco”

Como boas práticas, o Estado capixaba avançou ao investir em Tecnologia, subindo da 24ª posição para a 13ª no ranking. “O Governo não usa mais papel, o ambiente de inovação permitiu criar um fundo setorial, além do fundo soberano, com receita própria de R﹩ 300 milhões, além de um fundo de infraestrutura”.

O governador João Azevedo (Cidadania), da Paraíba, que se posiciona como o quinto no ranking da Segurança, disse que o projeto “Paraíba Reunida pela Paz” ajudou a manter o Estado com boa posição no ranking. “Em oito ano seguidos conseguimos reduzir os crimes violentos letais de 44 para 23 por 100 mil habitantes. O monitoramento constante, investimento em inteligência e novas tecnologias, câmeras instaladas estão surtindo efeito. Mas falta no Brasil uma política nacional de Segurança Pública para controlar o tráfico de drogas. Mesmo assim, este ano apreendemos 27 toneladas de drogas, com 30 mil armas apreendidas. Solicitamos ao governo federal que reveja ao Fundo de Segurança, com 70% dos recursos bloqueados atualmente. Torço para que seja crido o Ministério da Segurança Pública”.

No painel Gestão Pública e Combate à Covid-19, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), explicou as dificuldades, alegando que “recebeu a saúde em frangalhos”. “Faltou continuidade. Houve oito secretários antes de mim. Tínhamos 12% de medicamentos na farmácia pública e a ausência de sistemas de informação na área da saúde estadual, greve de servidores sem salários e um colapso hospitalar”. Ele acredita que a atenção básica estruturada e o apoio do governo federal, graças ao bom relacionamento, foram decisivos. Com isso, conseguiu aumentar em 150% as UTIs, as estruturas permanentes não foram desmobilizadas, elevou a oferta de respiradores de 49 para 140 e reestruturou a secretaria da saúde.

Pelo Mato Grosso do Sul, o secretário estadual de Governo e Gestão, Eduardo Riedel, representou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que está internado com Covid-19. “Com o Programa Prosseguir, priorizamos saúde com atividade econômica. Geração de emprego é prioridade do governador, O agronegócio viveu um bom momento”. Para ele, a recuperação pós-Covid vai se dar de maneira mais rápida. A queda não foi tão expressiva. Temos uma carteira demais de R﹩ 50 bilhões de investimentos da iniciativa privada”, concluiu

O Ranking de Competitividades dos Estados é realizado há nove anos pelo CLP (Centro de Liderança Pública), em parceria com a B3, Tendências Consultoria e a Economist Intelligence Unit.

Na edição 2020, o levantamento também reuniu dados sobre destaques e desafios enfrentados por áreas essenciais da administração pública no combate à covid-19 a partir de 73 indicadores, distribuídos em dez pilares temáticos considerados fundamentais para a promoção da competitividade e melhoria da gestão pública dos estados brasileiros: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação.

Confira o desempenho do Ranking de Competitividade por região:

Região Norte

Cinco dos sete estados da Região Norte registraram desempenho melhor no Ranking Geral de Competitividade dos Estados 2020 na comparação com o ano anterior. São eles: Amapá (+3 posições, Amazonas (+2 posições), Pará (+1 posição) e Rondônia (+2 posições). No entanto, três estados se mantiveram nas últimas posições entre os estados brasileiros (Pará, Roraima e Acre). Amazonas é o representante do Norte mais bem colocado (14ª posição). Roraima caiu quatro colocações.

Região Nordeste

Neste ano, o Nordeste teve um estado entre os dez mais competitivos do país: o Ceará. Além do estado cearense, Bahia e Maranhão também conseguiram melhorar suas posições na comparação com o ano passado. Ainda assim, eles figuraram na metade de baixo da tabela do ranking, como a maior parte dos estados da região, que tem sete de seus nove integrantes a partir da 15ª posição.

Neste ano, dois estados do Nordeste mantiveram suas posições na comparação com 2019 e quatro tiveram desempenho pior que no ano passado. O destaque negativo ficou com o Piauí, que ocupou o penúltimo lugar do ranking neste ano, três posições abaixo versus o ano anterior.

Região Centro-Oeste

A Região Centro-Oeste ficou na metade superior do Ranking Geral. Goiás ficou de fora dos dez estados mais competitivos apesar de ter subido uma posição. O Distrito Federal mantém a terceira colocação, mesma posição dos últimos dois anos. O Mato Grosso permaneceu na nona colocação. Já o Mato Grosso do Sul recuou uma posição e ficou no sexto lugar.

Região Sudeste

A região Sudeste manteve seu bom desempenho no ranking, com três dos seus quatro estados figurando entre os dez mais competitivos. O destaque foi para o estado de São Paulo, que permaneceu em primeiro lugar e conseguiu melhorar seu desempenho em alguns indicadores importantes. Na outra ponta, somente o estado do Rio de Janeiro perdeu posição e ficou de fora dos dez estados mais competitivos.

Região Sul

Os três estados da região Sul se mantiveram entre os dez estados mais competitivos no Ranking de Competitividade dos Estados. Pelo 3º ano consecutivo, Santa Catarina ocupa o 2º lugar do ranking geral; o estado do Paraná se mantém em 4º, assim como em 2018; e o Rio Grande do Sul fica em 8º lugar, após ter caído uma posição em relação ao ano passado, 2019.

Sobre o Ranking de Competitividade dos Estados

O Ranking de Competitividades dos Estados é realizado há nove anos pelo CLP (Centro de Liderança Pública), em parceria com a B3, Tendências Consultoria e a Economist Intelligence Unit.

Na edição 2020, o levantamento também reuniu dados sobre destaques e desafios enfrentados por áreas essenciais da administração pública no combate à covid-19 a partir de 73 indicadores, distribuídos em dez pilares temáticos considerados fundamentais para a promoção da competitividade e melhoria da gestão pública dos estados brasileiros: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação.

Sobre o CLP (Centro de Liderança Pública)

O CLP (Centro de Liderança Pública) é uma organização suprapartidária que busca engajar a sociedade e desenvolver líderes públicos para enfrentar os problemas mais urgentes do Brasil. Há 12 anos, defende um Estado Democrático de Direito eficiente no uso de seus recursos e constituído sobre princípios republicanos.
Fonte | Assessoria
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